Criatividade e diversidade na era da inteligência artificial
Implicações da nova tecnologia na estrutura da sociedade e, sobretudo, no mercado de comunicação, foram discutidas no WW Summit 2026

Dora Kaufman, professora na PUC-SP, Amanda Graciano, fundadora da Trama, e Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú (Crédito: Máquina da Foto)
A inteligência artificial e suas implicações na sociedade e, principalmente no mercado de comunicação, foi um dos assuntos abordados no Women to Watch Summit 2026. E, inclusive, foi o principal tópico de uma conversa entre Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú, Dora Kaufman, professora na PUC-SP em IA e sociedade e senior fellow do CEBRI, mediada pela fundadora da Trama e content creator de negócios e IA, Amanda Graciano.
Antes de começar sua fala, Saron salientou que que não é nenhum especialista em inteligência artificial, mas que acha importante que as pessoas sejam curiosas e ativas na compreensão desse tema. Neste sentido, Dora reforçou que quanto mais se fala sobre IA, mais complexo se torna falar sobre o assunto.
A professora da PUC discorda do pensamento comum entre a maioria das pessoas de que a IA é uma ferramenta. Para ela, em nada a IA se assemelha com um “martelo”, que é, de fato, uma ferramenta. “Ela [IA] é uma tecnologia de propósito geral que, como tal, está mudando a lógica de funcionamento da sociedade”, comentou.
E essa tecnologia de propósito geral, na sua visão, está impactando significativamente, dois atributos fundamentais para os seres humanos: está mudando a maneira como o ser humano decide e como ele cria, inova.
Saron ressaltou que, apesar de a inteligência artificial ser uma tecnologia de propósito geral, assim como a energia elétrica, por exemplo, ela é agêntica e exponencial. “Tem uma outra coisa que deixa tudo mais complexo, ainda mais para vocês da comunicação. Ela lida com imaginários, e ela lida com imaginários de maneira silenciosa”, argumentou.
Transformando o processo de criação
No processo de escrita de seu livro, em parceria com Giselle Beiguelman, Dora revelou que fizeram um estudo que chegou em uma série de conclusões sobre criatividade e inteligência artificial. Uma delas foi que, no estágio em que a IA se encontra atualmente, quem controla a inovação, a criatividade e inovação, ainda são os humanos. “Mas, por outro lado, ela [IA] está transformando a maneira como criamos”, enfatizou.
Apesar de já apresentar transformações mais objetivas em alguns aspectos, a IA na questão cognitiva, na visão de Dora, ainda precisa de maiores estudos, “porque não é fácil nem perceber como que muda a nossa cognição e muito menos fazer pesquisa nesse sentido”.
No entanto, a professora salientou que a enquanto a cognição humana baseia-se em intuição, repertório e relações de causa e efeito, a IA opera sob um modelo estatístico de probabilidade. “Ela [IA] correlaciona nesse conjunto enorme de dados, imenso de dados, chamado big data, faz correlações entre palavras. E a resposta que te dá é sempre a probabilidade daquela junção ou de imagem, de pixels, ou de palavras”.
Diversidade como vantagem competitiva
Ao analisar a posição do Brasil na corrida global de desenvolvimento da IA, Saron argumentou que embora o País possa estar atrás em termos de infraestrutura e disciplina, atributos em que outras civilizações, principalmente asiáticas, se destacam, o Brasil, por sua vez, possui um insumo valioso: a diversidade. “Ela [IA] te entrega a disciplina. Este é pressuposto para essa modelagem estatística a partir das LLMs. Agora, ela não nos entrega diversidade”.
