Mulheres são 21% nos conselhos de empresas da B3
Apesar do avanço de 28% em cinco anos, país não alcança objetivo de representatividade feminina até 2026
Em 2026, as mulheres no Brasil ocupam 21,09% dos assentos em conselhos de administração, frente aos 20,91% de 2025, uma alta de 0,18 ponto porcentual, equivalente a cerca de 1%, segundo a pesquisa “Boardwomen Index IBrX100 2026”, desenvolvido pela PwC Strategy& em parceria com o 30% Club Brasil. Desde 2021, o crescimento acumulado é de 4,66 pontos percentuais, ou seja, um avanço de 28% em cinco anos nas empresas do IBrX100, índice da B3.
O número, entretanto, não é suficiente para alcançar a meta de 30% de mulheres em conselhos no Brasil até 2026, estabelecido pelo movimento global 30% Club. O maior crescimento ocorreu de 2022 para 2023, de 16,86% para 20,22%, uma diferença de 3,36 pontos percentuais. Nesses últimos três anos, porém, houve uma mudança de apenas 0,87 pontos percentuais para cima.
O 30% Club Brazil representa a atuação brasileira de um movimento global de liderança empresarial, criado no Reino Unido e presente nos principais países do G20. No Brasil, a iniciativa trabalha para alcançar 30% de mulheres nos conselhos das empresas do IBrX 100 até 2026 e 50% até 2030.
A pesquisa também destaca que 19 empresas atingiram ou superaram a meta de 30% de mulheres nos conselhos administrativos. Entre as companhias reconhecidas, 10 repetem a posição de 2025 e 9 são novas entrantes. O ranking de companhias com maior representatividade feminina é liderado por Porto Seguro (57,14%), Santander Brasil (55,56%), Brasil (50%), B3 (45,45%) e Isa Energia (44,44%). Também se destacam Caixa Seguros (42,86%), Totvs (42,86%), Telefônica Brasil (Vivo) (41,67%), Natura (37,50%), Magazine Luiza (37,50%) e Auren (37,50%).
Apesar dos avanços, 11 companhias do IBrX100 ainda não têm mulheres em seus conselhos de administração, incluindo Bradsaúde, Brava, CVC Brasil, Eneva, Grupo Mateus, Intelbras, JHSF Part, Moura Dubeux, Movida, Sid Nacional e Simpar.
O levantamento também identificou 13 companhias com participação feminina entre 25% e 29%, próximas da meta de 30%. Entre elas estão Bradesco (27%), Petrobras (27%), Braskem (27%), Copasa (29%), CPFL Energia (29%), Anima (25%), Iguatemi S.A. (25%), Itaúsa (25%), Lojas Renner (25%), MRV (29%), entre outras.
“Os números mostram que a diversidade de gênero conquistou espaço na agenda de governança corporativa, mas o ritmo de mudança ainda é insuficiente para fechar a lacuna existente. Chegar aos 30% exige compromisso renovado das lideranças e decisões concretas sobre a composição dos conselhos. O encontro de outubro ampliou esse debate e apresentou experiências que demonstram ser possível avançar com consistência e excelência”, afirma Anna Guimarães, presidente do conselho consultivo do 30% Club Brasil.
A meta também já foi proposta para as empresas públicas pela Lei nº 15.177/2025, sancionada em julho de 2025, que estabelece a reserva mínima de 30% de vagas para mulheres nos conselhos de administração de empresas públicas, sociedades de economia mista e companhias controladas pelo poder público.
O estudo analisou as companhias integrantes do IBrX100 da B3 em julho de 2026. Os dados foram coletados nos sites de Relações com Investidores das empresas e validados com base nas atas das Assembleias Gerais Ordinárias, além da análise de currículos e perfis profissionais. Os resultados completos do Boardwomen Index IBrX100 2026 serão apresentados no evento a ser realizado em 28 de outubro, em São Paulo, pelo 30% Club Brasil, em parceria com a PwC Strategy&.