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Combate ao assédio: o que as agências estão fazendo?

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Combate ao assédio: o que as agências estão fazendo?

Grandes empresas de comunicação do País falam sobre as medidas tomadas para coibir a prática em seus ambientes de trabalho

Bárbara Sacchitiello
6 de março de 2018 - 15h42

Pesquisa do GP apontou que 90% das mulheres que trabalham na indústria da comunicação já sofrem assédio sexual ou moral (Crédito: Mediaphotos/iStock)

Há três meses, quando o mercado publicitário teve acesso aos dados da pesquisa “Hostilidade, silêncio e omissão: o retrato do assédio no mercado de comunicação de São Paulo”, feita pelo Grupo de Planejamento, as agências tiveram de lidar com duas sensações distintas. A primeira foi o choque ao ver quantificado um problema cuja existência ainda era atrelada a percepções e impressões trocadas de forma velada. E, a segunda, foi o impulso de fazer algo diante do desolador dado de 90% das mulheres da indústria da comunicação terem se declarado vítimas de assédio sexual ou moral.

Após um tempo para que as agências pudessem digerir a pesquisa e iniciar os primeiros movimentos a respeito da questão, Meio & Mensagem retorna ao tema na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher. Embora não seja uma violência restrita ao universo feminino, o percentual de profissionais mulheres que assumiram ter sofrido esse tipo de agressão torna o combate ao problema uma prioridade na pauta da equidade de gênero.
Veja, abaixo, um resumo do que algumas das grandes agências do Brasil estão fazendo para evitar que casos de assédio aconteça em seu ambiente de trabalho:

Africa
“Desde o fim de 2015 temos um Código de Conduta com orientações claras a respeito do que os funcionários do Grupo ABC podem ou não fazer e também temos uma ouvidoria. Toda a informação através desse canal é anônima. Trouxemos pessoalmente o Grupo de Planejamento para apresentar os detalhes da pesquisa a todos da Africa e faremos, ao longo do ano, uma série de encontros dedicados a promover inspiração, reflexão e a troca entre a agência e convidadas. A Africa está atenta a esse assunto e aberta para conversa. Assédio é crime, não compactuamos com isso e queremos ajudar a mudar esse cenário tão preocupante no nosso mercado.”, Carla Guimarães, head de gestão de pessoas e comunicação interna da Africa

 

 

Artplan
O resultado da pesquisa gerou surpresa e reflexão, além de corroborar com as ações da agência em prol de um ambiente sempre respeitoso e justo. No dia da mulher de 2017 iniciamos um plano de ação que segue sendo renovado e ampliado. Enviamos às mulheres do escritório de São Paulo um convite para uma primeira rodada de conversas cujos temas eram machismo, assédio e misoginia. Feito isso, começamos a endereçar problemas. Os homens foram apresentados aos resultados dessas conversas pelo próprio Antonio Fadiga (CEO da Artplan). Podemos dizer seguramente que a atitude dos homens em relação as mulheres mudou por aqui. A ação imediata foi formalizar um Comitê de Diversidade e também promoveremos mudanças nos critérios de contratação. Além disso, temos o Compliance Artplan/KPMG, nosso canal aberto para denúncias. Em 22 de março, Ana Cortat e Ken Fujioka estarão na agência para apresentar a pesquisa sobre assédio.”, Flavia Campos, diretora geral de planejamento da Artplan

 

BETC/Havas
“Os resultados da pesquisa são devastadores. A comprovação da profundidade e da generalização do problema foram surpreendentes, mas espero que sirva para promover uma real mudança no nosso mercado A BETC tem a igualdade de gêneros e o respeito à diversidade em seu DNA e todos os funcionários foram apresentados a esses valores em reuniões com a presidência ou com a diretoria de RH. Palestras e conversas sobre o tema sempre aconteceram. No ano passado, recebemos a gestora da ONU Mulheres para falar sobre o tema. Além disso, em 2017, a BETC assinou o Women Empowerement Principles, pacto da ONU que dá diretrizes para as empresas que se comprometem com o tema. Felizmente, na BETC, a realidade sobre a representatividade das mulheres em postos de liderança é diferente. Mais da metade do board é composto por mulheres. Praticamos políticas de flexibilidade que possibilitam a estas e todas as mulheres a manterem seu dia-a-dia na agência – e que, principalmente, dê a todas a possibilidade de alcançar posições de liderança”, Erh Ray, presidente da BETC/Havas
“A Bullet foi uma das pioneiras em aderir ao movimento contra o assédio, encabeçado pelo Grupo de Planejamento, com o workshop liderado por Ken Fujioka e Ana Cortat, onde todos os funcionários da agência puderam ter contato com o resultado da pesquisa e conversar abertamente sobre o assunto. Logo após a apresentação da pesquisa, a agência montou o Conselho Tolerância Zero e Diversidade da Bullet, formado por funcionários de todas as áreas e perfis, que são responsáveis por debater assuntos ligados ao tema, avaliar os trabalhos que saem da agência, sugerir palestras e conteúdos, além de serem representantes da diversidade. Além do Conselho, a Bullet está firmando parceria com a Hybrid Colab, consultoria encabeçada por Ana Cortat, que irá auxiliar no desenvolvimento de uma agenda positiva e nas tomadas de decisão da agência em assuntos relacionados aos temas de Igualdade de Gênero, Liderança Feminina e Diversidade.”, Janaína Navarrete, head de planejamento da Bullet.

 

Dentsu Aegis Network (DAN)
“O tema entrou fortemente na pauta das redes sociais e fizemos, com nosso equipe, um evento chamado ‘Conversa com os CEOs’, que foi liderado por mim. Esse encontro foi mais no sentido de renovar o nosso pedido para que as pessoas falem, denunciem qualquer tipo de assédio, seja pelo Speak Up (nossa linha interna de comunicação criada em 2009) ou mesmo entrando em minha sala para falar diretamente comigo. Em 2016, criamos o Comitê de Diversidade do DAN, por meio do qual cuidamos de ações nesse sentido dentro da companhia — não só questões de igualdade de gênero, mas de etnias, entre outras. Uma dessas ações, que é regra nas nossas contratações, é que sempre temos o mesmo número de homens e mulheres competindo por uma vaga, e a contratação acontecerá pelo critério competência. Também com foco nas mulheres, fizemos o Hear Her Voice (estudo sobre as mulheres empreendedoras na América Latina), por meio do qual identificamos, três necessidades fundamentais às mulheres que empreendem no digital: financiamento, inspiração e mentoria.”, Claudia Colaferro, CEO do DAN para América Latina

 

DPZ&T
“O problema do assédio é de escala global mas quando uma pesquisa como a do Grupo de Planejamento olha especificamente para o mercado no qual estamos inseridos e quantifica a questão no nosso meio, provoca um ‘chacoalhão’ e faz com que as empresas comecem a pensar efetivamente no que podemos e precisamos fazer para coibir esse comportamento. Nossa política para casos de assédio é de tolerância zero. Ela já existia antes da pesquisa do GP, mas acredito que os resultados estimularam todas as agências a falar ainda mais sobre o assunto. Convidamos o GP para vir à agência compartilhar os dados com os colaboradores. Há também um canal de denúncia operado por uma empresa independente, garantindo assim sigilo absoluto e tranquilidade para todos os colaboradores que quiserem se manifestar Também estamos na fase final de impressão de um manual de informação sobre os canais de denúncia e também com as definições de assédio moral e sexual com base no material elaborado pelo Ministério Público Federal.”, Eduardo Simon, CEO da DPZ&T

 

F.biz
“Nunca implementamos nenhuma iniciativa específica sob a nomenclatura de prevenção ao assédio, mas os princípios da convivência respeitosa fazem parte de nosso DNA. Quatro dos nove capítulos de integração dos novos colaboradores são dedicados a falar sobre esses princípios. Somos uma agência Great Place to Work. Criamos um comitê, inicialmente formado por lideranças, em que estamos discutindo possíveis práticas e iniciativas de prevenção e combate ao assédio combinando educação e canais de escuta e diálogo. A F.biz conta com o canal “Right to speak” (Direito de expressão), uma espécie de hotline do grupo WPP para denúncias anônimas. Divulgamos este canal em nossa apresentação de integração para novos colaboradores e enviamos um reminder anual por e-mail, para toda a agência. Contudo, acreditamos que precisamos criar outros canais para se conversar sobre o assunto, além de atitudes suspeitas e afins. ”, Monica Szanto, diretora de RH da Fbiz

 

Heads
“A Heads tem um código de conduta impresso que traz os princípios, valores e atitudes que devem pautar o relacionamento de todos. Temos uma consultoria responsável por passar todos os detalhes desse código em encontros com todas as pessoas da agência. Divulgamos internamente os dados da pesquisa sobre assédio para todos os colaboradores e reforçamos a necessidade de mudança de cultura do nosso mercado. A Heads é a primeira agência do Brasil a assinar os princípios de empoderamento feminino da ONU Mulheres. Nosso plano é de continuidade ao que viemos construindo até aqui, buscando ser uma agência humana, criativa, interessante e saudável para as pessoas”, Ira Finkesltein, VP de estratégia da Heads Propaganda

 


J. Walter Thompson
“A J. Walter Thompson faz parte do grupo WPP que possui, código de conduta e políticas extremamente claras quanto ao assunto e acessíveis a todos os colaboradores através da intranet. As questões de assédio moral e sexual são claramente abordadas nas políticas do grupo, bem como a disponibilidade de uma canal independente para denúncias anônimas. A agencia não só divulgou os resultados da pesquisa internamente como recebeu a visita dos representantes do Grupo de Planejamento para palestra sobre os resultados da pesquisa e debate sobre o assunto. Dada a seriedade com que a Thompson trata o assunto, já temos vários passos implementados como a divulgação de material sobre a pesquisa de assédio e canal de denúncias estruturado e amplamente comunicado. O assunto assédio já é pauta na agencia e é monitorado regularmente, mas como próximas ações vamos incluir o tópico nas pesquisas de clima semestrais de forma a mensurar o assunto internamente.”, Larissa Griska, head de talentos da J. Walter Thompson

 


Leo Burnett Tailor Made
“Acho a pesquisa do Grupo de Planejamento bastante oportuna porque coloca em pauta um assunto muito sério e de importância dentro das organizações. Além também de atuar como um meio de incentivar a denúncia. Até porque, infelizmente, muitas vezes o motivo de falta de medidas cabíveis acontece por falta de conhecimento, permitindo que o silêncio mantenha o status quo. O clima da organização é um dos principais pilares de gestão da Leo Burnett no Brasil e no Mundo. O RH é um canal que está aberto e totalmente receptivo para ouvir e, mais importante, solucionar. Realizamos também algumas séries de medidas como o People Survey, uma pesquisa confidencial na qual os colaboradores são incentivados a falar sobre suas condições no ambiente de trabalho. Também investimos na capacitação das lideranças. Em março, teremos um novo treinamento para qualificar as relações dos gestores com a equipe.”, Vivian Vaz, diretora de People & Culture da Leo Burnett Tailor Made

 


Ogilvy
“Como parte do WPP, a Ogilvy tem um canal de comunicação (Right to Speak) para que todos os seus funcionários possam fazer denúncias de assédio e de qualquer tipo de ofensa ou preconceito. Para esse Dia das Mulheres, estamos preparando diversas atividades, com discussões para podermos tocar na ferida, trocar experiência e promover diálogo. Por orientação do presidente do Grupo, Fernando Musa, não queremos que a questão do assédio seja um tabu dentro da empresa. Estamos preparando um plano de comunicação mais ativo e informativo para a Ogilvy. Para isso, estamos utilizando nosso comitê de diversidade (que já existe há um tempo na agência), o SOMOS, que vai nos ajudar a abordar o tema dentro da empresa. O SOMOS é composto por funcionários de diferentes áreas. Nos reunimos periodicamente para debatermos questões do dia a dia envolvendo qualquer tipo de preconceito, seja por diferença de cor, sexo ou identidade de gênero. E, claro, questões de assédio também são abordadas.”, Patricia Fuzzo, diretora de recursos humanos do Grupo Ogilvy Brasil
Publicis Brasil
“A Publicis foi uma das primeiras agências a receber os representantes do Grupo de Planejamento para fazer uma palestra sobre a pesquisa do assédio. Também mantemos os resultados da pesquisa em nossa rede interna, aberta a todos os colaboradores. Na ocasião da palestra nossos copresidentes, Miriam Shirley e Eduardo Lorenzi, foram claros em dizer que a política da Publicis é a de tolerância zero. É claro que é surpreendente ver que praticamente todos os respondentes dizem trabalhar em locais onde ocorrem situações de assédio sexual e/ou moral – mesmo sabendo do histórico negativo que a indústria da comunicação carrega, o número é muito gritante. Estamos conscientes de que todos nós somos parte do problema e queremos ser atuantes para diminuir essa estatística. Neste momento, estamos implementando a nossa hotline com a ajuda de uma consultoria externa para que os colaboradores se sintam à vontade para fazer suas denúncias. “, Renata Garrido, diretora de RH da Publicis Brasil

 

Santa Clara
“Sempre tivemos uma palestra inaugural para os novos funcionários onde eu mesmo, deixo claro o recado da não aceitação de assédio moral e sexual aqui na agência. Antes mesmo da pesquisa, já tivemos  a iniciativa de trazer especialistas para falar sobre temas relevantes. No último semestre tivemos entre os assuntos abordados Gordofobia e Racismo na publicidade, por exemplo. Formamos um grupo, que é liderado pela Anne Moraes, nossa diretora de planejamento, que lidera periodicamente com outros colaboradores conversas para identificarmos ações que possam ser executadas para promover inclusão e diversidade. Fizemos, no ano passado, uma pesquisa interna para entender o que os colaboradores pensam sobre a agência, e por isso criamos o comitê da diversidade para mais vozes serem ouvidas com mais frequência. Além disso, o grupo traz as palestras educativas, e em conjunto com o RH, estimula boas práticas. Também estamos no “mood” em que elogios e conquistas são compartilhados publicamente (por email, em confranternizações) e em primeira mão para nossos colaboradores, o que enaltece o trabalho da equipe, entre outras atitudes são executadas aqui na Santa Clara.”, Ulisses Zamboni, CEO da Santa Clara

 

Talent Marcel
“As informações trazidas pela pesquisa são impactantes, e a repercussão tem sido proporcional. Como interessados em um mercado forte por agregação de valor, torcemos para que seja útil no sentido da reflexão e da ação. A Talent tem como pilares a ética e o respeito às pessoas. Como agência parte do Publicis Groupe seguimos também os manuais corporativos que trazem orientações bem definidas sobre contrato de trabalho, assédio, violência e confidencialidade. A agência promove encontros periódicos para tratar de temas variados. Temos um encontro para tratar de temas ligados a compliance marcado para daqui 15 dias”, Talent Marcel (institucional)

 

 

WMcCann
“A IPG, holding da qual a McCann faz parte, tem uma política interna muito clara a respeito do assédio. Possui treinamentos obrigatórios regulares de todo o time, ampla divulgação de canais institucionais formais nos quais denúncias, identificadas ou anônimas, podem ser feitas por qualquer funcionário, de qualquer lugar do mundo, com a garantia de investigação por órgãos independentes. A agência promove treinamentos e informa constantemente sua equipe sobre esses e outros temas que impactam diretamente a capacidade produtiva e o ambiente de trabalho. Em nível regional, o McCann Worldgroup criou, em abril de 2017, o WLC – Women Leadership Council –, composto por oito mulheres líderes, representantes de diferentes mercados e disciplinas da rede na América Latina. No dia 8 de março será feito o lançamento oficial dessa iniciativa em cada um destes 15 mercados, envolvendo todos os 2.200 funcionários da rede no continente, englobando metas, orientações e KPIs a serem adotados por cada um dos escritórios. Entre as orientações estão guias de conduta e treinamentos dos líderes e gestores de equipes sobre como lidar com a questão do assédio, entre outros temas sensíveis à gestão de talentos.”, Débora Nitta, vice-presidente de planejamento da WMcCann

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