Comunicação

Publicis Groupe compra a plataforma de dados LiveRamp

Com negócio avaliado em US$ 2,2 bilhões, holding mira a liderança em capacidades de dados em meio à era da IA

i 18 de maio de 2026 - 9h34

O Publicis Groupe anunciou neste domingo, 17, a aquisição da LiveRamp, plataforma de colaboração de dados norte-americana, mirando a liderança em meio à era da inteligência artificial.

publicis e liveramp

Expectativa é que a aquisição contribua positivamente para o lucro por ação já a partir do primeiro ano de consolidação (Crédito: Arte M&M)

Em negócio avaliado em cerca de US$ 2,2 bilhões, o Publicis fará a aquisição integralmente em dinheiro e não troca de ações. A transação foi aprovada por unanimidade, tanto pelo Conselho de Administração do grupo, quanto da LiveRamp.

A holding francesa pagará US$ 38,50 por ação. Segundo comunicado, o grupo espera que a compra contribua positivamente para o lucro por ação já a partir do primeiro ano de consolidação.

Após o anúncio, as ações do Publicis Groupe subiram 4,2%.

Em vídeo, Arthur Sadoun, presidente e CEO do Publicis Groupe, aponta a intenção de potencializar agentes de IA aos clientes. Entre as vantagens, estão a geração de inteligência proprietária e o treinamento e alimentação contínuos de modelos de IA.

“A integração da LiveRamp ao Publicis Groupe é a mais recente demonstração do nosso compromisso em investir em novos talentos e inovação, antecipando as mudanças do mercado”, diz o CEO.

Atualmente, a norte-americana conta com 1.300 colaboradores e está presente em 14 mercados. A operação conecta mais de 25 mil domínios de publishers e tem mais de 500 parceiros em tecnologia.

Em janeiro deste ano, a francesa já havia firmado um acordo com a LiveRamp, integrando ferramentas de identificação, IA e colaboração de dados para facilitar para as marcas a utilização seus próprios insights de clientes, juntamente com dados de terceiros. Agora, ainda há a pretensão de combinar os ambientes colaborativos e inclusivos da nova parceira com a identidade da Epilson, adquirida em 2019.

O acordo depende da aprovação dos órgãos reguladores, bem como de acionistas da LiveRamp, com previsão de conclusão até o final deste ano. Após a aquisição, Scott Howe segue como CEO da empresa, reportando-se diretamente a Sadoun, e a LiveRamp deverá continuar como uma plataforma neutra.

Em postagem no LinkedIn, Justin Billingsley, CMO do Publicis Groupe, fez uma leitura acerca do movimento e as implicações para a concorrência de mercado. Ele chama a atenção para o fato de a transação ser realizada em dinheiro: a nível de contexto, escreveu, a WPP gerou aproximadamente um décimo desse valor em caixa ao longo do último ano.

“Isso não é apenas uma lacuna de estratégia. Nem apenas um abismo de visão. É uma lacuna na realidade de recursos tão grande que deixou de ser uma corrida competitiva e se tornou algo mais próximo de dois esportes diferentes”, aponta. “A LiveRamp funciona porque não pertence a ninguém em particular. A partir de hoje, pertence à Publicis. E isso desafia justamente o que a tornava valiosa para todos os outros”.

Segundo o CMO, o valor da LiveRamp reside, justamente, à neutralidade, que não sobrevive à posse de um concorrente. “A vantagem estrutural é ainda mais real: a Publicis apostou que os seus concorrentes não conseguirão construir algo em torno do que acabaram de perder. E, quase certamente, os seus cálculos estão corretos”.

Confira a postagem na íntegra: