Quais tensões devem mover o futuro da mobilidade?
Martin Zanlungo, da General Motors América do Sul, descreve a conexão entre humano e tecnologia
Quando o assunto é o futuro da mobilidade, a tecnologia pode ser a primeira aposta como vetor de transformação. Mas, para Martin Zanlungo, diretor de performance de marketing da General Motors América do Sul, é preciso lembrar da conexão direta entre as evoluções tecnológicas e as pessoas.

Martin Zanlungo no ProXXIma 2026 (Crédito: Máquina da Foto)
Isso porque é o interesse humano que dita a velocidade da evolução de uma tecnologia. “Nossas necessidades influenciam o desenvolvimento de novas tecnologias. Mas, as novas tecnologias também mudam as nossas necessidades”, provoca Zanlungo.
Nesse sentido, a GM tem acompanhado três tensões comportamentais que podem guiar o desenvolvimento da mobilidade. A primeira delas é a busca por eficiência. “Vivemos em uma era em que tudo é produtividade. Nós demandamos mais dos produtos que consumimos”, observou o diretor de performance de marketing da montadora.
Para a companhia, uma das respostas para essa necessidade é o avanço da eletrificação. O mercado de carros elétricos encerrou o último ano com recorde de emplacamentos no Brasil e no mundo. A GM tem acompanhado o movimento com seu portfólio, mas Zanlungo reconhece que existem desafios.
“A eletrificação também cria tensões. Hoje, entramos em um posto de combustível semiautomaticamente. Temos que criar um hábito”, descreve.
Imperfeição humana
A segunda tensão, para a empresa, está na imperfeição humana. “Somos imperfeitos e o interessante de ser imperfeito é que precisamos de ajuda”, aponta o diretor de performance e marketing. Isso se materializaria em dados como o fato de que quatro em cada 10 acidentes de trânsito são causados pela distração humana.
Pensando nisso, a GM criou o Chevrolet Intelligent Driving, um pacote de soluções de segurança que buscam garantir que o motorista dirija com maior proteção. O modelo já está presente no lançamento da montadora Chevrolet Sonic e envolve uma câmera posicionada na frente do carro que identifica possíveis ameaças e um sistema de frenagem de emergência.
A companhia também desenvolveu a solução OnStar que conecta os carros com uma central, que envia e recebe informações em tempo real. “Caso aconteça algum acidente, o OnStar é o primeiro a saber”, descreve o executivo. Para a companhia, essa seria uma maneira de usar a tecnologia para corrigir e proteger os humanos de suas imperfeições.
A crise do tempo
Para além da eficiência e da segurança, a montadora também está de olho na necessidade de tempo. “A cada dia temos menos tempo. Falta tempo para tudo. Tempo é a nossa crise”, descreveu o executivo.
Para essa necessidade, a companhia desenvolveu o Super Cruise, que permite que o motorista dirija sem as mãos no volante ou os olhos na via. A tecnologia proprietária ainda não está disponível no Brasil, mas pretende devolver tempo de qualidade para os motoristas que poderiam otimizar tarefas enquanto dirigem.
Nesse sentido, a companhia reconhece, mais uma vez, que tecnologia e comportamento humano terão que caminhar juntos. “Nosso DNA não está configurado para soltar o volante. Nós, pessoas, vamos ter que evoluir nosso comportamento para soltar o volante”, define Zanlungo.