Diversidade: uma via de mão dupla

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Diversidade: uma via de mão dupla

Tanto agências quanto os candidatos tem um papel importante na promoção da mudança multicultural


17 de fevereiro de 2016 - 10h39

(*) Por Jermaine Richards, do Ad Age

Muito já foi escrito sobre a falta de diversidade no mundo da publicidade. Eu gostaria de oferecer uma visão diferente: a perspectiva de um estudante universitário negro que vem afiando seus talentos no mundo da publicidade desde os 13 anos.

Eu fui apresentado à indústria da publicidade e à agência Deutsch, em 2008, por meio de uma parceria que eles fizeram com a High School for Innovation in Advertising and Media (iAM), no Brooklyn, em Nova York. Ao longo dos últimos sete anos, tenho trabalho em vários campos para a Deutsch, aprendendo diretamente com os veteranos da indústria, contribuindo em briefs criativos e participando de reuniões com os clientes – coisas a que poucos estudantes têm acesso. Assim como eu trago uma perspectiva valiosa para a Deutsch, eles estão investindo tempo e recurso no meu crescimento. Por isso, eu sou grato.

A falta de qualidades dos candidatos é levantada frequentemente quando se discute a falta de diversidade na indústria. No lugar de inventar desculpas, vamos reconhecer – como eu tenho feito na Deutsch – que essa é uma via de mão dupla e as agências e os candidatos precisam expressar um interesse mútuo para que as coisas mudem. Entre os estudantes multiculturais, da minha experiência, a propaganda não é uma carreira em discussão. Muitos deles não estão cientes de que essa é uma opção e então não têm conexões para começar. Alguns veem a propaganda como um risco para uma carreira.

Para as agências que estão procurando candidatos, fontes como o 4A’s MAIP (Programa de estágio de publicidade multicultural, na sigla em inglês), a ADCOLOR, a AAF’s MPMS (Estudantes multiculturais mais promissores, na sigla em inglês), o One Club e o Marcus Graham Project, apenas para nomear alguns, existem para conectar candidatos altamente qualificados com as agências. Como participante de muitos desses programas, eu posso dizer que esses outlets altamente seletivos pegam o “tipo certo” de juventude, ampliam seu awareness e identificam suas habilidades enquanto aproveitam e elevam seus talentos. Essas fontes são uma ótima maneira de superar a falta de conexões para dar um começo aos candidatos. Ao fazer isso, os estudantes devem se lembrar – isso não funciona se você não trabalhar. Então trabalhe e trabalhe duro.

Esses programas são cruciais porque as barreiras para a entrada dessas pessoas ainda existe. Em alguns lugares, há ainda muitos estigmas ligando específicas raças a respeito de sua ética de trabalho ou habilidade, trazidos à tona por trás de portas fechadas. Frequentemente, esses estigmas e estereótipos são falsos, mas perpetuados, enquanto a credibilidade de alguém é posta em dúvida por causa de onde ele veio ou das experiências que ele não teve.

Embora essa indústria tenha algumas das pessoas mais inteligentes que eu já conheci, a realidade é que muitos deles não são dos “melhores” lugares, escolas ou contextos. A inteligência pode ser encontrada em todos os lugares e de muitas formas, enquanto ela é cultivada pela experiência além de um mundo ideal. Ela requer uma mente aberta, e se as agências investirem tempo para trabalhar com programas de diversidade e derem apoio aos estudantes que eles produzem enquanto mantém a mente aberta, eles podem ser recompensados com candidatos habilidosos e também com insights além da imaginação.

Essa é uma indústria em que a ideia é venerada, e os conceitos são ampliados para criar uma visão que impacte o mundo. Então, por que nós fechamos as portas da nossa indústria para certo tipo de pessoa? A estética de um lugar é uma coisa – a implementação da experiência e do insight pe outra. As agências deviam ambicionar uma força de trabalho diversa por essa razão. A diversidade aqui significa a habilidade de incluir dentro das paredes para impactar o que está fora delas. Quem quer que possa fazer isso efetivamente vai prosperar, inegavelmente.

Aos 20 anos, eu posso dizer com orgulho que eu sou um artista visual inclusivo, um produtor criativo e o resultado desta indústria em que eu cresci. Eu a nutri, assim como ela me nutriu. Eu sou a prova de que é possível para o mundo das agências, como uma indústria, se conectar com os candidatos como eu, impactar o seu desenvolvimento e, em última análise, moldá-los na próxima geração do que será uma força de trabalho mais diversa em sua companhia. É um grande quadro, e eu te encorajo a fazer parte de sua pintura. É uma via de mão dupla, e uma ladeira a ser subida em direção ao um ideal mais cativante para o que nós chamamos de indústria da publicidade. 

*Traduzido por Odhara Caroline

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