Gabriela Onofre: das multinacionais para o mundo das startups

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Gabriela Onofre: das multinacionais para o mundo das startups

Ex-J&J e P&G, executiva explica o que motivou o desafio de estruturar a área de marketing da Acesso Digital

Roseani Rocha
5 de agosto de 2019 - 6h00

Gabriela Onofre, que começa na acesso oficialmente neste mês de agosto.

Em maio, num processo de reestruturação global promovido por Thibaut Mongon, presidente da Johnson & Johnson, a executiva brasileira Gabriela Onofre deixou a companhia, onde ocupava desde 2015 o cargo de diretora global de marketing para a marca Sempre Livre. Antes da J&J, Gabriela havia trabalhado por 17 anos e meio na P&G, onde passou por diferentes áreas, sendo a última posição a de diretora de marketing e comunicações.

A partir de agosto, Gabriela muda não apenas do universo das multinacionais, ao começar a trabalhar na startup brasileira Acesso Digital, como também ingressa, pela primeira vez, no mundo b2b. Fundada em 2007 por Diego Martins, Rui Jordão e Paulo Alencastro, com a atividade principal de digitalizar documentos, em 2012, a Acesso passou a integrar o time de empreendedores Endeavour, mas 2016 é o ano considerado um marco em suas atividades, pois foi quando após uma série de estudos de mercado feitos no Vale do Silício, China e Israel, a empresa passou a enxergar novos vetores de crescimento e ampliar os serviços, indo da gestão interna para a gestão de pessoas. Assim, além da digitalização de documentos e certificações, incluiu a biometria em seus serviços. Hoje, atende 400 clientes em todo o Brasil, incluindo empresas como Latam, Panvel, Pernambucanas, Vivo, Ingresso Rápido e Magazine Luiza.

Tendo como conselheiros Sergio Chaia (ex-presidente da Nextel) e Nelson Motta (ex-executivo do Google e da IBM), a Acesso Digital decidiu que o momento é de escalar o negócio, e é aí que entra a contribuição de Gabriela Onofre. Ela será responsável por criar na Acesso um departamento de marketing. No cargo de CMO, usará sua experiência também em áreas como comunicação, gestão de crise e trade marketing. Aceitar esse desafio, ela conta, não foi uma tarefa fácil embora, por outro lado, tivesse afinidade pessoal com as propostas da companhia. “Tenho 20 anos em empresas grandes, onde fui muito feliz e aprendi muito, mas o mundo está mudando muito pelo impacto da transformação digital e essa velocidade é difícil de acompanhar dentro de uma empresa grande. Do ponto de vista pessoal, eu queria acompanhar essa transformação e viver uma nova cultura de trabalho. O mercado de startups tem as duas coisas”, explica Gabriela.

Depois de um processo de coaching ao longo do ano passado, conversas com venture capitals e com pessoas que tinham feito mudança de carreira, ela afirma ter conseguido mentalizar de forma mais clara para onde queria ir. Ainda assim, revela que não foi uma escolha de um dia para o outro. Recusou uma proposta de outra grande empresa de bens de consumo após fazer uma avaliação meticulosa da Acesso, inclusive em questões como governança e análise do potencial futuro. Não apenas da empresa (que hoje diz crescer 10% ao mês), mas também de seu segmento de atuação – mercado fértil para um país como o Brasil, onde fraudes representam perdas de R$ 11 bilhões reais por ano, segundo a executiva.

“O processo foi muito rápido, porque houve uma empatia grande, minha em entender a visão da empresa, e deles entendendo como meu background podia ajudar”, diz Gabriela.

Da parte da Acesso Digital, teria sido ainda mais rápido. Em dez dias a empresa já tinha uma proposta, que foi analisada por ela durante dois meses. A parte financeira do acordo foi resolvida com um valor fixo mais uma parte variável (stock options), ou seja, ao fazer parte da construção e crescimento da empresa, ganhar mais ou não dependerá também de Gabriela.

Na J&J, sua equipe direta era de 14 pessoas, já bem menor que os 40 que tinha sob seu comando na P&G. Agora, a equipe na Acesso conta, por enquanto, somente com Mariana Marchi (também vinda da J&J), que assume dia 13 de agosto como diretora de branding e comunicação.  Gabriela Onofre tem, porém, carta branca para estruturar o departamento e afinidade para começar projetos do zero, o que pode fazer essa dupla virar uma equipe em breve.

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