Bom jornalismo: a solução para as revistas

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Bom jornalismo: a solução para as revistas

Durante o Fórum da Aner, palestrantes ressaltam a importância do investimento em equipes de jornalistas e na qualificação do conteúdo para o fortalecimento do meio

Bárbara Sacchitiello
11 de setembro de 2013 - 10h48

O jornalismo e a qualidade do conteúdo produzido pelos veículos foram apontados como elementos cruciais para que o mercado de revistas saia da maré negativa que atravessa há alguns meses. Durante a VII edição do Fórum da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), realizado nessa terça-feira, 10, em São Paulo, alguns dos palestrantes ressaltaram que, em um momento de travessia da era do papel para a digital, é a qualidade e relevância do conteúdo produzido que determinarão quem irá sobreviver.

“Nunca vi um meio que gosta tanto de falar mal de si mesmo quanto o da mídia impressa”, provocou Nizan Guanaes, chairman do grupo ABC e um dos palestrantes convidados. “Muitos dos problemas que afligem o mercado de revistas hoje foram criados por vocês (proprietários de editoras). Quem concorre com as revistas não são as plataformas digitais e os outros meios, mas sim as empresas de relações públicas que levam os seus jornalistas, que não conseguem ficar em suas publicações devido aos baixos salários que vocês pagam”, criticou Nizan. “Retenham seus talentos, invistam neles e quero ver se essa crise irá continuar”, provocou o executivo.

Apesar das críticas ao setor, o chairman do ABC reconhece o grande potencial do meio revista e descartou qualquer hipótese relativa à “morte” das publicações impressas. “O mercado já entrou em um momento de transição, o digital irá crescer muito, mas sempre haverá pessoas que querem ler revistas no papel. Não imagino, por exemplo, a Vogue existindo somente no tablet. Não podemos perder o bom senso e adotar essa visão pessimista”, pediu. Ele também declarou a importância de preservar as boas relações com os anunciantes e, com isso, convencê-los do potencial do meio impresso.

Jornalismo caviar
A ideia da priorização do trabalho jornalístico e da qualidade do que é impresso nas páginas (ou publicado nos sites) também foi fortemente defendida por Juan Giner, presidente e fundador do Innovation Media Group. Consultor experiente, com trabalhos realizados para grandes revistas e grupos de mídia de todo o mundo, ele trabalha com um prazo limite para os veículos que quiserem sobreviver nesse período de transformação. “Se uma empresa jornalística não tiver 50% de suas receitas vindo das plataformas digitais até o ano de 2018, ela terá poucas chances de continuar operando”, decretou.

Além da difusão de uma consciência multiplataforma, ele também apontou a necessidade de revisão dos objetivos. “A grande estratégia dos veículos não deve ser ‘roubar’ os leitores da concorrência, mas sim formar um novo grupo de leitores”, explicou.

E, para fazer com que pessoas que não tenham o hábito de ler – ou que não consumam determinado conteúdo – comecem a fazê-lo, ele usou um exemplo gastronômico. “Temos que produzir um jornalismo caviar: que seja nobre, raro e sofisticado. E, principalmente, que não seja encontrado em qualquer lugar. Não se compra caviar em qualquer feira. O mesmo vale para as noticias. Se eu posso encontrá-la em todos o sites, a qualquer momento, por que eu pagaria por ela?”, questiona. “Sempre haverá público disposto a pagar por conteúdo de qualidade. Mas 80% dos veículos de todo o mundo ainda não atingiu esse nível de sofisticação, exclusividade e relevância em seu noticiário. Precisamos produzir caviar”, provocou Giner.

Assim como Nizan, ele também reforçou a importância de investir em talentos, dando conselhos aos editores e publishers. “Reorganizem as redações de acordo com a sua audiência e com o conteúdo produzido. Rejuvenesçam o time de jornalistas, mantenham as pessoas talentosas, busquem profissionais com novas ideias, mas não encham as redações com mão-de-obra de baixo custo”, pediu.

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