Mídia

O fim do sinal analógico da TV aberta e o início da DTV+

Padrão funcionava há 75 anos e o desligamento marca início da TV 3.0 ou DTV+

i 8 de janeiro de 2026 - 6h03

O fim do sinal analógico da TV aberta e o início da DTV+: padrão funcionava há 75 anos, desde a primeira transmissão em setembro de 1950; desligamento marca operação 100% digital e início da preparação para a TV 3.0 ou DTV+ (Crédito: Beast01 Who is danny-Shutterstock)

O fim do sinal analógico da TV aberta e o início da DTV+: padrão funcionava há 75 anos, desde a primeira transmissão em setembro de 1950; desligamento marca operação 100% digital e início da preparação para a TV 3.0 ou DTV+ (Crédito: Beast01 Who is danny-Shutterstock)

No apagar das luzes do ano passado, também as luzes da TV analógica foram desligadas: o sinal analógico da TV brasileira, em operação há 75 anos, foi completamente desligado no País.

O analógico estava em operação desde a primeira transmissão oficial de TV no Brasil, em 18 de setembro de 1950, em São Paulo, com a inauguração da TV Tupi, sob Assis Chateaubriand.

De fato, em 30 de junho do ano passado, o sinal de transmissão de TV analógica já havia sido descontinuado em todo o Brasil, exceto por 74 cidades do Rio Grande do Sul que, por conta das enchentes de maio de 2024, as quais tiveram o processo adiado para 30 de dezembro de 2025, o que, agora, efetivamente aconteceu.

Assim, o desligamento marca a conclusão definitiva para o sinal digital.

E acontece 18 anos após a implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTVD), lançado em 2 de dezembro de 2007, com a primeira transmissão na cidade de São Paulo.

Menos de cinco anos depois, o SBTVD chegava a quase 50% de cobertura no País.

Processo longo

O processo de migração do analógico para o digital, portanto, foi bem longo.

De fato, inicialmente, o desligamento do sinal analógico deveria ocorrer no final de 2018.

De fato, era para começar em dezembro de 2015, mas foi adiado para fevereiro de 2016 com apenas uma localidade: Rio Verde, no Goiás.

Em janeiro de 2016, o prazo de desligamento do analógico foi, de novo, adiado para 2023. Em outubro do mesmo ano, finalmente, começou, com o desligamento do sinal analógico em Brasília e mais nove cidades do DF.

O anúncio do desligamento analógico foi feito pelo Ministério das Comunicações que destacou:

“A data é histórica e marca o fim de uma transição que perdurou por quase 20 anos (ou seja, desde a implantação da TV digital em 2007).

TV digital

O Minicom disse que o fim do sinal analógico é simbólico porque marca o início, também, de nova era da TV aberta: a TV 3.0.

Que, de fato, teve vários desdobramentos desde então:

Em julho de 2024, o Fórum Brasileiro de TV Digital finalizou as recomendações para a tecnologia

– Já em maio do ano passado, a Globo apresentou o projeto de teste piloto da já chamada DTV+

Em setembro do ano passado o governo publicou o decreto desse padrão

A DTV+ representa um salto tecnológico e vai mudar, definitivamente, a maneira que as pessoas assistem à televisão, com um sistema interativo, imersivo, com maior acessibilidade, e melhor qualidade de som e imagem, além de muitos outros recursos que vão melhorar a experiência do telespectador.

Considerações do Minicom

O secretário de radiodifusão do Ministério das Comunicações, Wilson Diniz Wellisch, afirmou que o período de transição demorou quase duas décadas porque o governo levou em consideração questões técnicas, econômicas, sociais e regionais.

“Procuramos garantir que ninguém saísse prejudicado. A TV foi e continua sendo o principal meio de comunicação do brasileiro e a intenção era garantir uma transição tranquila, para que nenhuma região do país ficasse sem cobertura ou desassistida”, afirmou.

Wellisch diz que a mesma coisa acontecerá com a TV 3.0, cuja implantação também será de forma gradativa, o que permitirá que todos continuem a acessar a TV aberta.

Ainda, mesmo quem não tiver acesso à TV 3.0 poderá continuar a assistir televisão por meio do sinal digital.

Funcionamento simultâneo

Os dois sistemas – a exemplo do que ocorreu com o sinal analógico – funcionarão simultaneamente.

“Agora, olhamos para o futuro, que é a TV 3.0: é imagem de cinema, som de cinema, infinitas possibilidades e integração com a internet.”

“É o telespectador no comando das suas ações. Ele terá muito mais opções de interagir com o canal que estiver assistindo. A TV 3.0 é a TV mais conectada, mais inteligente e imersiva”, afirmou.

TV 3.0

A TV 3.0 representa a maior evolução da televisão aberta desde a digitalização.

Dessa forma, o novo padrão integra radiodifusão e internet em ambiente cuja base são aplicativos, em substituição aos canais numéricos tradicionais.

Portanto, a implantação será gradual e começará pelas grandes capitais.

Assim, a tecnologia permitirá:

– Experiência interativa e personalizável, com acesso a conteúdo ao vivo e sob demanda;

– Serviços públicos digitais e novas funcionalidades de participação social;

– Melhorias significativas na qualidade da imagem, com transmissões em 4K e 8K, HDR e cores mais vivas;

– Som imersivo, o que amplia a sensação de presença;

– Recursos avançados de acessibilidade.