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Animação brasileira atrai reconhecimento mundial

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Animação brasileira atrai reconhecimento mundial

Ruvila Avelino
22 de fevereiro de 2016 - 2h10

A indicação de O Menino e o Mundo à melhor animação do Oscar coloca o mercado nacional em evidência, credenciando ainda mais a animação brasileira como um produto para exportação. Afinal, o filme concorre com gigantes como Pixar e Studio Ghibli, renomados internacionalmente. “O Brasil é muito reconhecido por premiações mundo afora, mas o Oscar traz o filme para o mainstream, o apresenta para a televisão e produtores internacionais, e isso valoriza o processo”, conta Ruben “Binho” Feffer, produtor musical do filme O Menino e o Mundo e sócio da Elo Company, empresa que realizou a distribuição do longa. “Essa indicação faz com que as pessoas olhem para tudo isso.” A cerimônia ocorre na noite de domingo, 29, com transmissão no Brasil pela Globo e TNT.

Estima-se que mais de um milhão de pessoas já tenham assistido ao filme em 90 países, como França, Itália, Dinamarca, Turquia e Espanha. Ainda este ano estreia no Japão, Holanda e Croácia. De acordo com Binho, a linguagem criada para o filme tem caráter universal e não há necessidade de adaptação para outros idiomas, o que torna a distribuição mais fácil.

À parte do Oscar, produções brasileiras já ganharam duas vezes o Cristal de longa- metragem do Festival de Animação de Annecy (França), considerada a premiação mais importante do mercado de animações. A primeira vez foi em 2013 com Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi. No ano passado foi a vez de Alê Abreu ganhar por O Menino e o Mundo, colocando mais um troféu na estante onde já despontavam outros prêmios, como um Annie Awards de filme independente.

Kiko Mistrorigo é fundador da TV PinGuim e um dos responsáveis por animações brasileiras famosas e intensamente exportadas, como Peixonauta e O Show da Luna — exibidos no canal Discovery Kids. “O setor funciona por meio de referências”, explica Kiko. “Ao comprar um produto, o investidor assume um risco. Ter uma referência como indicação ao Oscar torna a negociação mais fácil. É excelente para todos nós ter uma animação brasileira disputando.” Para ele, o fato de O Menino e o Mundo ser muito autoral e não seguir padrões estabelecidos a torna ainda mais interessante. “É um concorrente de verdade, que tem chances de ganhar”, aposta.

Kiko defende a Lei no 12.485/2011, que define cotas para produções nacionais e, segundo ele, proporcionou a entrada de independentes no mercado de distribuição mainstream. Ele é otimista a respeito de novas plataformas, como Netflix: “Todas as mídias digitais são oportunidades de negócio”, diz.

“Muitas forças estão se juntando para realizar produções e levantar o mercado”, diz Ana Paula Catarino, CEO e produtora executiva da Oca Animation, responsável pela série O Menino Maluquinho, inspirada no personagem de Ziraldo. “Uma animação para a TV com boa dublagem e histórias interessantes viaja muito.” A Oca também é ativa no mercado de publicidade, mas Ana aponta que no momento a demanda de conteúdo de entretenimento é maior que a de agências e anunciantes.

Premiações e a exportação de séries para TV transferem credibilidade global às empresas brasileiras, destaca Marcelo Moura, fundador da LightStar Studios, produtora responsável por animações como Uma História de Amor e Fúria e a série SOS Fada Manu, exibida no canal Gloob. Ressalta, porém, que as dificuldades econômicas do País são um grande desafio. “A crise pode trazer a redução de investimentos e incentivos. Quem vai se beneficiar neste momento são as empresas que podem prestar serviços fora do País”, explica. Ele aponta que as leis de incentivo ao audiovisual, fundos destinados a projetos e cotas de produção como alguns dos fatores que colaboram para o desenvolvimento do setor. Mas ainda há dificuldades devido aos altos custos de financiamento de produção e distribuição.

“O mercado brasileiro está crescendo tanto de tamanho quanto de qualidade”, afirma o humorista Felipe Xavier, criador da série Homem Cueca, exibida na Band em programetes de dois minutos, antes dos Simpsons. Seu personagem, criado e consolidado no rádio que ganhou espaço na televisão, é para Felipe um marco na história da animação, por ser destinada ao público adulto em horário nobre na TV aberta. A boa repercussão do Homem Cueca já garantiu um desenvolvimento do projeto, com episódios de meia hora na próxima fase. Mais uma prova de que a animação brasileira já não é só coisa de criança.
 

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