Trip: a viagem dos 30 anos da revista

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Trip: a viagem dos 30 anos da revista

Independente, matriz da editora deu vida a uma série de projetos de branded content e planejamento estratégico

Isabella Lessa
18 de outubro de 2016 - 15h23

trip antiga

Os sócios-fundadores Paulo Lima (centro), Carlos Sarli, o Califa (esquerda), diretor superintendente, com o fotógrafo Shoiti Hori (falecido em 1997, mas parte do expediente da Trip até hoje), na primeira redação da revista Trip, nos anos 1980. (Crédito: Arquivo pessoal/ Arquivo Trip Editora)

Há 30 anos circulava a primeira edição da Revista Trip, um desdobramento do programa de rádio Trip FM, iniciado dois anos antes. O bacharel em Direito Paulo Lima, então com 24 anos de idade e seu sócio Carlos Sarli (o Califa), resolveram levar para o impresso a essência do que a atração radialística, inicialmente batizada de Surf Report, estava se tornando: um espaço para discutir assuntos do cotidiano, comportamento e temas polêmicos.

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Primeira edição da Trip, publicada em 1986 (Crédito: Arquivo Trip Editora)

O surf, que aliás estampa a capa da primeira edição do título, funcionou como uma porta de entrada para os temas a serem tratados, do posicionamento sexual ao consumo de drogas, conta Lima. “Nos EUA, o surf serviu como um braço da contracultura na década de 1960 e teve um papel semelhante no Brasil. Representa esse lado libertador. A revista nunca foi exclusivamente sobre surf, apesar de ser um tema que continua a aparecer nas páginas”, afirma.

A Trip foi criada sem apoio de investidores em um período conturbado para a política e economia brasileira – o País estava saindo da ditadura militar. Então o caminho natural para viabilizar o produto foi recorrer às marcas. A partir de projetos para Jovem Pan e Daslu, ainda nos anos 1990, a Trip Editora começava a ganhar corpo com seus projetos customizados, que hoje representam 80% de sua receita. Há 14 anos, iniciou uma parceria para o entretenimento a bordo da Gol com a Revista Gol. Hoje, a Trip também é a responsável por toda a mídia a bordo das aeronaves da companhia aérea. “O conteúdo da Trip é sempre pertinente, inovador e compartilha muitos dos valores da Gol como aproximar pessoas e transformar experiências”, comenta Eduardo Bernardes, vice-presidente de vendas e marketing da Gol.

 

 

paulo olivetto

O publicitário Washington Olivetto (à direita), sendo entrevistado por Paulo Lima (esquerda), fundador da Trip Editora e o arquiteto Rafic Farah (Crédito: Ali Karakas)

Também fazem parte do portfólio da Trip a Audi Magazine, as revistas de Itaú Personnalité, Cidade Jardim e Faap, e a plataforma de branded content “Hoje Tem Frango”, da Seara. De acordo com Lima, os trabalhos da empresa junto aos anunciantes deu origem a mais um campo de atuação: pensamento estratégico para marcas e agências. “Nos tornamos um centro de comportamento humano, que estuda a relação das pessoas com os mercados, marcas e com o mundo em geral. Isso é o resultado de um trabalho de pessoas que atuam há mais de 30 anos nas ciências humanas”, conta o publisher. No momento, a companhia está fazendo um estudo para Smart Fit em parceria com a MullenLowe.

“O núcleo Trip, que tem as revistas, os eventos, os sites e plataformas de redes sociais, o Trip TV, alimenta muito o outro lado. Quando converso com algum cliente, ele sabe que estou próximo à população por meio da marca Trip. A grande mágica é justamente isso, de uma coisa fortalecer a outra. Senão ia ser mais um chegando para prestar serviços. É completamente outro approach. Não é só pela moral que isso dá, é conhecimento mesmo. Não consigo ver as duas coisas separadas”, comenta Lima.

Para saber mais sobre os projetos customizados da Trip e a trajetória da revista, leia a matéria publicada na edição 1732, em 17 de outubro, disponível para assinantes nas versões impressa a para tablets Android e iOS. A seguir, leia a entrevista que Paulo Lima concedeu à reportagem de Meio & Mensagem:

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Surf como suporte para a abordagem de temas como diversidade sexual (Crédito: Divulgação)

Trip FM
O rádio é a coisa mais maravilhosa do mundo. Estamos com 32 anos de rádio, toda semana. Basicamente, no talk show tenho a oportunidade de sentar com alguém interessante, que vai me dizer tudo de melhor que ele viu na vida. Isso é encantador. Estamos há 12 anos na Eldorado, onde há espaço para jornalismo desse tipo, sempre com essa pegada de entender o mundo através do humano. O rádio ainda é um meio subavaliado, mas existem programas de rádio com penetração brutal. Tenho o maior respeito pelo rádio, é uma ferramenta que te dá uma agilidade de raciocínio, é uma escola fantástica. Não é à toa que muito apresentador veio do rádio.

 

15 anos de TPM
Há 15 anos fizemos uma série de investimentos para falar o seguinte: não faz o menor sentido tratar a mulher como menor, ansiosa, incapaz de tomar decisões próprias, fácil de manipular, como uma espécie de incapaz. É exatamente assim que a mídia e a sociedade tratam a mulher até hoje. Falamos de aborto, de todos os temas tabus com um nível de provocação, leveza e humor. Eu acho ótimo que outros títulos femininos tenham finalmente, assim como algumas marcas, visto que não dava para ficar com aquela postura totalmente anacrônica, para não dizer estúpida. Não gosto da expressão de empoderamento, acho que está desgastada. Preferimos falar em igualdade de gênero.

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A atriz e cantora Thalma de Freitas foi uma das famosas que fez ensaios para a revista (Crédito: Divulgação)

Trip Girls
Faz quase 15 anos que temos o Trip Boy na TPM. O mesmo que fazemos na Trip, fazemos na TPM, às vezes até meio objetificados, para zoar. Acho que a Trip Girl veio justamente para quebrar a ideia de que foto sensual da mulher objetifica a mulher, é o olhar de alguém que ama a pessoa. O briefing do fotografo sempre foi: quero o olhar do namorado que foi passar o fim de semana junto, não o olhar do cara que quer transar e dispensar. Tanto é que uma das fotógrafas mais importantes das Trip girls é a Autumn Sonnichsen, uma mulher. Essas mulheres são entrevistadas, estão a fim de ser fotografadas e do ponto de vista do bom gosto é irretocável. Dificilmente alguém diria que é grosseiro, cafona. É um componente importante retratar uma mulher interessante, linda, que pode ter 80 anos, ser tetraplégica, obesa, magra demais ou não ter um braço, transexual. Tudo isso a gente já fez.

Canais digitais
Antigamente a revista era uma espécie de locomotiva. Quando muito conseguíamos colocar um programa de rádio, uma festinha. Hoje é como se fosse um disco voador cheio de compartimentos. O Facebook é um, o YouTube é outro, o Instagram idem. Para nós isso é maravilhoso, porque alguém que está fora dos grandes centros remove esses obstáculos físicos. Antes, para falar com 100 milhões de pessoas, você precisava ter cem caminhões, duas gráficas, uma fábrica de papel e uma televisão. Hoje, precisa somente de uma boa história. Temos uma equipe grande de BI para entender como as pessoas interagem. E o que descobrem é que o nível de engajamento é o que importa, mais do que a quantidade. E isso a Trip sempre teve. A proporção entre nosso nível de engajamento e nossa tiragem (em torno de 30 mil exemplares) é provavelmente maior do que a maioria das outras revistas. As ferramentas digitais, nosso conteúdo no YouTube e no Netflix, contribuem para isso.

Trip Transformadores
Há dez anos percebemos que não fazia sentido não falar em quem está enxergando o outro. As marcas não estavam pensando nisso. Hoje temos patrocinadores como Santander e O Boticário, é um evento consolidado que beneficiou os homenageados profundamente, em alguns casos mudam vidas.

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O lutador Anderson Silva na capa da Trip (Crédito: Divulgação)

Política
A Trip é uma marca bastante ativa politicamente, mas no sentido mais relevante e maior na ideia de política. Então, em geral, a gente vai para as causas das grandes questões e não para o debate menor. Hoje, estamos falando de aborto, da maconha, já teve edição inteira sobre educação. Não estamos vendo apenas a manifestação do dia tal, nosso negócio não é a lente pontual. Isso é função de outros veículos. O que está levando a essa polarização? Entrevistamos o Gregório Duviviver, depois outro cara que está mais à direita. Tivemos capa com o Lula, com o FHC, entrevistamos Fernando Gabeira, Mara Gabrilli, Jean Wyllys. A gente atua também com esses atores da política partidária convencional, mas nunca falaremos com eles sobre a pauta da semana. Nos posicionamos diante de questões sobre as quais estamos convencidos, como maconha, desarmamento. É uma atuação política permanente. Entrevistei Zé Miguel Wisnik, que é contra o impeachment, depois falamos com a Fafá de Belém, que é a favor. Com o Fernando Meirelles também, que tem uma visão interessante, muito focada no meio-ambiente. E aí vamos produzindo reflexões de alto nível.

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