Emicida lança marca de roupas na SPFW

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Emicida lança marca de roupas na SPFW

Evandro Fióti, irmão e sócio do rapper, conta sobre a trajetória da Lab, que agora pretende intensificar a troca entre a indústria da moda e as ruas


21 de outubro de 2016 - 14h45

Os irmãos e sócios da Lab Evandro Fióti e Emicida (Crédito: Eric Ruiz)

Desde que começou a fazer seus primeiros shows, em 2009, Emicida abriu uma gravadora própria e uma marca de roupas. As camisetas, que no início eram vendidas em barraquinhas nas apresentações do rapper, passaram a receber tanta procura que camelôs começaram a piratear as peças. O boom mesmo veio depois da participação do artista no Coachella, em 2011: a partir dali, famosos e pessoas de fora do universo do hip-hop também vestiam Lab. E, nesta segunda-feira, 24, a marca irá lançar uma coleção na São Paulo Fashion Week com direção de João Pimenta.

Mas Emicida nunca esteve sozinho nessa empreitada: seu irmão, Evandro Fióti, é seu empresário e comanda os negócios do selo Laboratório Fantasma, que abriga a Lab. Juntos, viram no merchandising uma oportunidade de gerar receita para o próprio empreendimento. “A gente nunca quis depender de outras marcas e de nenhuma força externa para poder discutir formatos e novos negócios”, conta Fióti. A dupla desenvolvia as modelagens com designers, mas desejavam adquirir um olhar mais profundo de conceito e estilo. Foi então que, em 2013, por meio de uma amiga, Fióti conseguiu o contato de Pimenta para fazer uma parceria.

O desfile contará com as parcerias de Reebok – o rapper Rael, que integra o portfólio de artistas do Laboratório Fantasma, é embaixador da marca no Brasil – e Natura, que será responsável pela maquiagem dos modelos e cujo projeto Natura Musical patrocinou Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, álbum mais recente do Emicida. Ainda na segunda, 24, a Lab irá lançar uma campanha de imagens que contam com a participação de Seu Jorge, Karol Conka, entre outras personalidades, para promover a coleção. No mês que vem, estreia o clipe de Mandume, com Emicida trajando peças da coleção. Algumas peças já estão em pré-venda no site e todas as peças chegam às lojas em 7 de novembro.

A princípio, a ideia era lançar a coleção na Casa de Criadores, evento que serve de vitrine para novos estilistas, mas uma conversa com o fundador e diretor da SPFW, Paulo Borges posicionou a marca de hip-hop entre as grandes grifes que que desfilarão ao longo da próxima semana, no Pavilhão da Bienal. A ligação entre moda e hip-hop é antiga, sobretudo nos EUA. No Brasil, porém, a representatividade de marcas que vieram genuinamente do movimento ainda é restrita. “Essa foi a coisa mais interessante e importante. Sempre vimos marcas que tentam se aproximar do segmento urbano mas não tinham propriedade para isso. Essa coisa da música, do estilo de vida está muito atrelada. Só consegue ter veracidade a marca que tem identificação direta com o público, e esse público não tem um ticket médio altíssimo. A gente quer trazer isso para a rua, fazer essa ponte. As marcas do nosso segmento têm muito a aprender com o mercado fashion, que acompanha tendências a nível mundial”, analisa.

Com peças de R$ 69 a R$ 360, a marca quer preservar o público que a popularizou. “As pessoas que usam nossa roupa sabem a história por trás. Sabem que viemos da periferia e, através do empreendedorismo conseguimos chegar a um evento como a SPFW. Quando compram nosso produto, compram nossa história”, comenta Fióti. Essa conexão com as ruas será reforçada com a presença da Lab na feira de negócios URB, voltada para o mercado streetwear, na quarta, 26, e na quinta, 27.

Inspiração criativa
Da ideia de fazer roupas confortáveis e que ao mesmo tempo emanassem ancestralidade, a coleção cruza referências entre Japão e África: peças largas, inspiradas no conforto do quimono, com detalhes africanos em preto, branco e vermelho, de modo a fugir da imagem caricata dos tecidos africanos ultra coloridos e manter a identidade urbana. O personagem que materializa a mistura e dá nome à coleção é Yasuke, um ex-guerreiro de Moçambique que foi para o Japão, superou preconceitos e tornou-se samurai. “Sabemos o quão difícil é resistir e sobreviver vindo da periferia em São Paulo. E a figura dele também tem a ver com a cidade, que tem muitos imigrantes negros e japoneses. O rap consegue fazer essa mistura”, afirma Fióti.

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