Vizcaya mira faturamento de R$ 500 milhões até 2030
Marca brasileira prevê retomar exportações em 2027, mira os EUA e destina 70% da mídia inicial ao digital

Vizcaya planeja voltar a exportar e reforça presença digital (Créditos: Divulgação)
A Vizcaya estabeleceu a meta de alcançar R$ 500 milhões em faturamento até 2030, considerando exclusivamente sua marca própria de produtos de beleza. O objetivo faz parte de uma nova fase de investimentos do Grupo Vizcaya, que também prevê a retomada das exportações no final de 2027, com os Estados Unidos entre os mercados de interesse.
Em entrevista ao Meio & Mensagem, Ana Paula Magri, CEO do Grupo Vizcaya, detalhou os planos de expansão e as estratégias para recuperar a relevância da marca brasileira, que passou por uma reformulação de seu portfólio e posicionamento. O movimento também prevê maior investimento em comunicação, com 70% da mídia inicial direcionada ao digital.
Internacionalização no horizonte
A retomada das exportações está prevista para o final de 2027. Segundo Magri, a empresa decidiu desacelerar temporariamente a operação internacional para concentrar esforços na reformulação da marca: “A gente está fazendo o rebranding de uma marca brasileira. Acho que se fala muito do K-Beauty agora, mas também existe um movimento da beleza brasileira, inclusive internacionalmente”.
O plano contempla a reativação de parcerias comerciais em países da América Latina, incluindo a Colômbia, além de uma expansão para os Estados Unidos. Para a executiva, a origem brasileira pode ser um diferencial competitivo no exterior: “Uma marca que tem esse DNA, que agora tem essa embalagem, que é todo um chamariz, e que, principalmente, tem um conteúdo feito para o cabelo da brasileira, possui algo que é distintivo, é a brasilidade”.
Retomada dos investimentos na marca própria
A nova fase representa uma mudança de prioridades dentro do Grupo Vizcaya, que também atua na distribuição de fragrâncias internacionais de luxo, com marcas como Hermès, Montblanc, Jimmy Choo, Coach e Moncler.
De acordo com Magri, as gestões anteriores concentraram maior atenção nessa divisão, que registrou crescimento expressivo durante a pandemia. Como consequência, a marca própria de produtos capilares acabou ficando em segundo plano, apesar de já existir a percepção de que precisava passar por uma renovação.
A executiva, que assumiu a liderança do grupo após uma trajetória nos segmentos comercial e de beleza, foi contratada para conduzir essa transformação. Segundo ela, o reposicionamento encontrou uma oportunidade na memória afetiva das consumidoras, que continuavam procurando produtos da Vizcaya: “Vimos um saudosismo muito grande entre elas, que estavam se perguntando onde estava a marca, e percebemos que não havia nenhum recall negativo. Entre os clientes, também existia uma vontade de continuar trabalhando com a marca, de saber o que vinha de inovador. Acho que a gente abraçou isso”.

Ana Paula Magri, CEO do Grupo Vizcaya (Créditos: Divulgação)
A retomada também representa uma tentativa de recuperar a presença que a marca já teve na publicidade brasileira, quando investia em campanhas com celebridades, televisão e mídia impressa. “A gente tinha um veleiro, levava grandes atrizes para a Ilha de Caras. Foi a marca Vizcaya que começou esse tipo de movimento.”
Magri não considera o aporte atual inédito na história da Vizcaya, mas o classifica como um grande investimento em comparação aos últimos anos. Para ela, o desafio agora é recuperar essa força em um ambiente de comunicação diferente, com uma estratégia mais alinhada aos hábitos atuais de consumo de mídia.
Digital concentra 70% da estratégia de mídia
A comunicação será um dos pilares dessa nova etapa. Segundo Magri, a marca pretende concentrar seus esforços iniciais no ambiente digital, especialmente em ações com criadoras de conteúdo: “Agora o plano é começar primeiro a conversar com as consumidoras de uma forma mais próxima, criar uma comunidade. E 70% da nossa verba para divulgação vai para a mídia digital”.
O planejamento também contempla iniciativas de mídia out-of-home (OOH), embora a companhia ainda avalie propostas e não tenha detalhado os formatos ou o orçamento destinados ao canal.
A estratégia de influência representa uma mudança em relação à atuação anterior da Vizcaya, historicamente associada a campanhas com grandes celebridades. Neste primeiro momento, a marca pretende priorizar perfis com diferentes tipos de cabelo e sem depender de pessoas famosas para ampliar seu reconhecimento.
“A gente não tem intenção de falar por meio de grandes nomes para criar awareness, porque acho que esse awareness a gente já vai gerando. Estamos no grupo Raia/Drogasil, que tem grandes vendedores de produtos para cabelo. Então, a consumidora vai poder escutar, lembrar daquela memória, e a gente vai construindo isso com calma”, explica Magri. Segundo a executiva, a proposta é desenvolver uma comunidade em torno da marca e construir um relacionamento de longo prazo com o público.
As primeiras ativações com influenciadoras estão previstas para 27 de outubro, com foco inicial na linha AMINOrepair e em conteúdos que apresentem rotinas de cuidado capilar. Posteriormente, a comunicação será ampliada para os diferentes perfis atendidos pelo portfólio.

As quatro novas linhas da Vizcaya após o rebranding (Créditos: Divulgação)
Portfólio renovado e expansão no varejo
O reposicionamento foi acompanhado pelo lançamento de quatro linhas de tratamento capilar: AMINOrepair, NUTRIoil, VITAMINOforce e CURLnutrition, voltadas a diferentes necessidades dos fios. Os produtos incorporam a tecnologia Nano.K, baseada em Bio.Keratina Nanomolecular, e têm preços sugeridos entre R$ 59,90 e R$ 99,90.
A distribuição inclui a RD Saúde, por meio das redes Raia e Drogasil, a Drogaria Venâncio, no Rio de Janeiro, e a Beleza na Web, além do comércio eletrônico próprio. Segundo Magri, os primeiros resultados de vendas têm sido positivos, mesmo antes da instalação de todos os materiais planejados para os pontos de venda.
Para 2027, a Vizcaya também prepara novos lançamentos e a retomada de produtos antigos solicitados pelas consumidoras. A executiva afirma que o interesse por essas linhas surpreendeu a companhia: “Pensávamos que por a marca estar um pouco fora há alguns anos, sem fazer mídia que não teria essa saudade da performance, esse recall. Então a gente vai, sim, responder às consumidoras, nem que seja vendendo apenas no nosso site ou sentindo, junto com os parceiros de varejo, essa demanda”.
A intenção é combinar a recuperação da memória da marca com a ampliação de sua atuação no mercado brasileiro e no exterior. “Acho que a gente tem uma história de longo prazo e quer construir mais 30 anos dela”, conclui Magri.
