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“Times Square” de SP dará dignidade ao Centro, diz Prefeitura

Em apresentação de pesquisa da Central de Outdoor, presidente da CPPU, Regina Monteiro, defende publicidade para revitalizar região

i 13 de agosto de 2026 - 17h57

Simulação do Boulevard São João, em São Paulo, com telões de LED (Créditos: Divulgação)

Simulação do Boulevard São João, em São Paulo, com telões de LED (Créditos: Divulgação)

Nesta quinta-feira, 13, a Central de Outdoor, associação de mídia Out of Home (OOH), em parceria com o Instituto QualiBest, apresentou a pesquisa de opinião pública “Mídia Regenerativa na Cidade de São Paulo 2026”, durante evento que reuniu representantes do setor e da Prefeitura de São Paulo para discutir o papel da publicidade na revitalização urbana.

O estudo é apresentado em meio à defesa do Boulevard São João, projeto-piloto de três anos da Prefeitura de São Paulo para testar a aplicação da mídia regenerativa no Centro Antigo da cidade.

Estruturada pela Fábrica de Bares, empresa proprietária do Bar Brahma e de outros estabelecimentos da região, a iniciativa prevê a instalação de painéis de LED vinculada a contrapartidas de zeladoria, manutenção e preservação do patrimônio, além de R$ 6 milhões em investimentos da iniciativa privada, sem utilização de recursos públicos.

Pesquisa aponta áreas verdes como destaque e poluição como problema

A Central de Outdoor define a mídia regenerativa como um modelo em que a publicidade funciona como meio para financiar melhorias permanentes na cidade, associando a exploração comercial dos espaços a contrapartidas como recuperação de patrimônios, qualificação da paisagem e melhorias no espaço público.

A pesquisa buscou, então, entender como a população percebe o ambiente urbano da capital e quais elementos são associados à qualidade ou à degradação desses espaços.

As imagens apresentadas aos entrevistados, porém, não correspondem às estruturas previstas para o Boulevard São João.

No estudo, áreas verdes, parques e praças aparecem como os elementos mais valorizados da cidade, citados por 57% dos entrevistados online e 58% dos presenciais como os aspectos mais bonitos e agradáveis do ambiente urbano.

Ainda entre os itens positivos, arquitetura e características dos edifícios foram citadas por 18% do público online e 33% do offline, seguidas por lugares antigos e históricos (7% online e 21% offline); beleza da cidade (7% online e 13% offline), limpeza e preservação (7% online e 11% offline), comércios bem estruturados (7% em ambos), espaços/eventos culturais (6% online e 5% offline) e observação do movimento/pessoas (5% em ambos). No grupo offline, também foram citados bares e restaurantes (5%).

Os principais fatores apontados espontaneamente como prejudiciais ao ambiente urbano foram a poluição/fumaça de veículos (39% online e 30% offline) e o lixo jogado no chão/ruas (25% online e 56% offline).

Outros itens incluem excesso de veículos/trânsito (10% online e 14% offline), falta de educação da população/cuidado com a cidade (9% online e 11% offline), excesso de prédios/construções (6% online) e pichações (5% online e 7% offline). No recorte offline, também foram mencionados moradores de rua (13%) e falta de reformas/manutenção das edificações (4%).

“Não se trata apenas de onde a publicidade está, mas do que ela viabiliza. Quando a comunicação ajuda a restaurar patrimônios, recuperar áreas degradadas e qualificar a paisagem, ela deixa de ser percebida como interferência e passa a ser vista como contribuição para a cidade”, disse Halisson Pontarolla, presidente da Central de Outdoor. 

“O problema não é a tecnologia”

Já Regina Monteiro, presidente da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) e superintendente de Paisagem Urbana da SP Urbanismo, reforçou, durante a apresentação da pesquisa, que o projeto do Boulevard São João não busca reproduzir o modelo da Times Square, famosa área comercial e de entretenimento de Manhattan, em Nova York, como passou a ser associado à iniciativa.

Segundo ela, a proposta é regrada e proporcional, sem repetir o cenário de poluição visual associado ao passado.

“A prioridade de São Paulo é recuperar o Centro Antigo, que é a nossa história. Não é possível que a gente vá para a Itália, França ou Marrocos ver os centros históricos e não tenha coragem de cuidar do nosso. Se nós não recuperarmos a nossa história e a nossa dignidade, a cidade não vai para a frente. O objetivo é pegar trechos do Centro para fazer esse trabalho de estruturação e resgate”, afirmou.

Para a representante do governo municipal, o período de três anos também permitirá à Prefeitura acompanhar os resultados e fazer os ajustes necessários. Caso a iniciativa não apresente os resultados esperados, poderá ser retirada.

“Se nós conseguirmos definir bem os territórios e como essa mídia regenerativa pode atuar com a identidade de cada local, isso vai ser um exemplo para o País e para o mundo. O projeto-piloto serve para mostrar na prática o benefício real para a população, criar um modelo seguro de governança e, a partir daí, podermos aprimorar e levar essa lógica para outras regiões”, afirmou Regina.

Qual é a proposta do Boulevard São João?

A iniciativa prevê a instalação de quatro grandes painéis de LED nas fachadas dos edifícios Cine Paris República, Herculano de Almeida, Galeria Sampa e New York, além de projeção mapeada no Edifício Independência.

Os equipamentos exibiriam mensagens publicitárias e conteúdos de utilidade pública, enquanto as marcas patrocinadoras assumiriam os custos de manutenção e ações de zeladoria na região. O espaço também abrigaria eventos abertos ao público.

Em abril, o Governo do Estado de São Paulo também declarou apoio à proposta e afirmou que colaboraria com a Prefeitura para a instalação dos painéis como parte das ações de revitalização da região central.

Porém, a iniciativa está suspensa pela Justiça desde 27 de maio. Na ocasião, a 4ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) atendeu a uma ação popular movida contra a Prefeitura, que apontava possíveis impactos na região e eventuais danos à população.

A Prefeitura recorreu da decisão, mas o primeiro recurso foi negado pelo Tribunal de Justiça. Em julho, a Procuradoria Geral do Município (PGM/SP) informou à reportagem que havia apresentado novo recurso e aguardava o andamento do processo, ainda sem data definida para o julgamento.

Porém, conforme apuração do Meio&Mensagem, a administração municipal espera obter uma decisão favorável até o fim deste ano.

Antes da suspensão, a proposta havia sido aprovada por unanimidade pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), após análise técnica dos órgãos competentes, e também pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU).

Como a pesquisa foi feita?

O estudo da Central de Outdoor foi realizado entre os dias 22 e 27 de fevereiro de 2026 e ouviu 1.025 pessoas com 18 anos ou mais, de todas as classes econômicas, sendo 875 por meio de painel online e 150 em entrevistas presenciais realizadas com a população circulante da Avenida Paulista, Praça da República e Vale do Anhangabaú.

O perfil demográfico da amostragem online registrou 52% de mulheres e 48% de homens, com média de idade de 42 anos, renda familiar média de R$ 6.918,80 e tempo médio de residência na cidade de 16 anos.

A divisão por classe social nesse grupo foi de 13% na Classe A, 22% na B1, 44% na B2 e 1% na Classe C, sendo 86% moradores da Capital e 14% da Região Metropolitana.

Já a amostragem offline apresentou 54% de mulheres e 46% de homens, com média de idade de 38 anos e tempo médio de residência de 15 anos.

A distribuição por classe social ficou em 7% na Classe A, 14% na B1, 29% na B2 e 49% na Classe C, sendo 78% residentes na Capital e 22% na Região Metropolitana.