MWC 2026 apresenta o 6G como espinha dorsal da IA e conectividade imersiva
Esses sistemas geram tráfego contínuo, sensível à latência, e dependem de uma arquitetura de computação híbrida que abrange dispositivos, borda (edge) e nuvem
No ambiente do Mobile World Congress 2026 (MWC), em que inovações em conectividade e tecnologia se encontram, o 6G tem sido tema recorrente de conversas, apontando para a próxima geração de redes móveis. As discussões e os avanços apresentados no evento reforçam a visão de que a conectividade será a base da inteligência.
O estudo “6G: The Network for the Future of AI and Immersive Connectivity”, elaborado pelo BCG em parceria com a Qualcomm, estima que as aplicações habilitadas pelo 5G já geraram mais de US$ 1 trilhão em impacto econômico global, mas a maior onda de criação de valor ainda está por vir. À medida que a adoção se amplia e os casos de uso se expandem, a pesquisa projeta que seu valor cumulativo ultrapassará os US$ 6 trilhões até 2030 e se aproximará de US$ 18 trilhões até 2035.
O levantamento mostra ainda que, com quase 3 bilhões de pessoas usando serviços 5G atualmente, houve um aumento explosivo no consumo de dados. Somente nos EUA, as pessoas usaram um recorde de 132 trilhões de megabytes (MB) de dados em 2024, um aumento de 32 trilhões de MB em 2023, marcando o maior salto anual da história dos EUA.
Agora, com o avanço da Inteligência Artificial (IA), os limites das redes existentes estão sendo testados. Ferramentas isoladas na nuvem estão mudando para agentes multimodais que operam em telefones, veículos, wearables e dispositivos de realidade aumentada (AR) e realidade estendida (XR). Consequentemente, o tráfego de rede, antes predominantemente de downlink (download), está se tornando, cada vez mais, de uplink (upload).
Esses sistemas geram tráfego contínuo, sensível à latência, e dependem de uma arquitetura de computação híbrida que abrange dispositivos, borda (edge) e nuvem. O 6G se propõe a resolver isso com capacidade de uplink superior, baixa latência previsível, sensoriamento integrado e cobertura multicamadas que combina redes terrestres e não terrestres, criando a base para a inteligência agêntica consciente do contexto em todos os lugares.
Diferenciais do 6G
Essa nova rede permitirá a coleta contínua de dados do mundo real e a implantação de IA física (drones, robôs, veículos conectados) que poderá gerar novos fluxos de dados. Esses, por sua vez, serão críticos para o treinamento e aprimoramento de modelos, e sustentarão o desempenho, a diferenciação e a competitividade da IA. Ao mesmo tempo, o 6G permitirá novos modelos de negócios empresariais, aplicações imersivas e sistemas de IA em larga escala que operam em ambientes físicos, desbloqueando novas fontes de valor econômico e social nas décadas de 2030 e posteriores.
Porém, apesar dos benefícios, o 6G ainda precisa superar desafios para sua plena introdução. Isso inclui o desenvolvimento de cobertura e densidade que garantam conectividade ininterrupta em qualquer lugar; segurança e privacidade robustas, nativas da IA, para proteger um ecossistema conectado; e a integração de inteligência nativa na própria rede, permitindo que ela se autoconfigure e otimize dinamicamente.
O sucesso da 6G dependerá não apenas de avanços tecnológicos, mas de um arcabouço político global coeso formado por quatro pilares centrais:
• Alocação de espectro adequado e em tempo hábil;
• Desenvolvimento de padrões abertos e baseados em mérito que promovam a interoperabilidade;
• Forte investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de longo prazo;
• Formação de talentos especializados em IA e conectividade.
Em última análise, a transição para o 6G não é meramente uma evolução do 5G, mas uma reinvenção da infraestrutura de rede, impulsionada pelas exigências sem precedentes da IA.