Comunicação

Ranking GPTW aponta alta participação feminina e rotatividade

Nova edição do Great Place To Work reúne 109 agências também aponta menor tempo de permanência dos times

i 2 de fevereiro de 2026 - 15h20

Levantamento do GPTW aponta maior participação feminina e equipes mais jovens nas agências premiadas em 2025 (Créditos: Ardea Studio/Shutterstock)

Levantamento do GPTW aponta maior participação feminina e equipes mais jovens nas agências premiadas em 2025 (Créditos: Ardea Studio/Shutterstock)

A 13ª edição do Ranking das Melhores Empresas para Trabalhar – Agências de Publicidade, do Great Place To Work (GPTW), revela mudanças no perfil das agências brasileiras, com crescimento da participação feminina, aumento no número de empresas participantes e maior rotatividade entre os profissionais do setor.

Na edição de 2025, 109 agências participaram do processo de avaliação, frente a 71 em 2024 e 62 em 2023, representando um universo de 7.116 colaboradores. Ao final do processo, 20 empresas foram reconhecidas, sendo dez de pequeno porte e dez de médio porte.

Segundo Daniela Diniz, diretora de comunicação e relações institucionais do GPTW Brasil, um dos principais pontos de atenção identificados nesta edição é a relação de confiança entre profissionais e empresas.

“O índice de confiança, medido pelo Trust Index, caiu de 89 em 2023 para 86 em 2025”, afirma. O indicador avalia a percepção dos colaboradores sobre credibilidade, respeito, imparcialidade, orgulho e camaradagem no ambiente de trabalho.

Outro aspecto destacado pela pesquisa é o tempo de permanência nas organizações. Em 2025, 60% dos profissionais das agências premiadas tinham até dois anos de casa, percentual superior à média de outros segmentos analisados pelo GPTW, o que indica uma rotatividade mais elevada no setor.

Para Daniela, esse movimento está diretamente relacionado ao perfil das equipes e às expectativas dos profissionais.

“Observamos hoje uma expectativa mais de curto prazo com a empresa, especialmente quando comparamos com outros setores. Temos uma população bastante jovem nessas organizações, que tende a ter maior apetite por mudanças, além de um forte assédio do mercado por profissionais de comunicação”, explica.

A pesquisa também identificou uma valorização crescente de fatores financeiros. Remuneração, benefícios e estabilidade ganharam relevância como motivos para permanência, acompanhando uma tendência observada em outros segmentos.

Ainda assim, a ordem dos principais fatores se mantém: oportunidades de crescimento, qualidade de vida e alinhamento de valores seguem liderando, seguidos por remuneração, benefícios e estabilidade.

Confiança e liderança explicam o desempenho das agências premiadas

No Índice de Inovação (IVR), a diferença entre agências premiadas e não premiadas permanece expressiva. As empresas reconhecidas apresentam uma distância de 29 pontos percentuais no estágio avançado de inovação, além de menor presença em estágios de atrito. Para o GPTW, os dados reforçam a relação entre ambientes de trabalho baseados em confiança e desempenho organizacional.

“Mapeamos há 30 anos a relação dos profissionais com suas organizações e lideranças, o que nos permite identificar mudanças e transformações ao longo do tempo”, afirma Daniela.

Segundo ela, as agências melhor posicionadas no ranking apresentam padrões semelhantes de gestão de pessoas, com investimento em diálogo, feedbacks e escuta ativa, além de lideranças focadas na construção de relações de confiança e melhores experiências para os profissionais.

Lista das melhores empresas para trabalhar – Médias
Posição Empresa
1ª  Conversion
2ª  Binder Comunicação Ltda
3ª  MRM Brasil
4ª  Ampla Serviços de Propaganda e Publicidade LTDA
5ª  Urbmídia Digital LTDA
6ª  Agência liveSEO
7ª  RPMA Comunicação
8ª  Grupo OM Comunicação Integrada
9ª  Cadastra
10ª  NEOOH

Fonte: Ranking 2026 Great Places to Work

Lista das melhores empresas para trabalhar – Pequenas
Posição Empresa
1ª  Conecta Ads Ltda
2ª  AdSeleto
3ª  Barões Digital Publishing
4ª  DP6
5ª  Bistrô
6ª  Critério I Resultado em Opinião Pública
7ª  Wicomm
8ª  Art&c/Maxmeio
9ª  Raizhe Projetos Digitais
10ª  CDI Comunicação

Fonte: Ranking 2026 Great Places to Work

Perfil jovem e concentração regional

Ao todo, 71% da força de trabalho das agências premiadas está concentrada nas faixas etárias iniciais. Profissionais com até 25 anos passaram a representar 28% do total em 2025, avanço de três pontos percentuais em relação ao ano anterior. Já a faixa entre 26 e 34 anos, embora ainda majoritária, apresentou retração no período.

Do ponto de vista geográfico, as agências reconhecidas estão distribuídas por oito estados brasileiros. São Paulo lidera, com oito empresas premiadas, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul, com três cada, e Rio de Janeiro, com duas.

Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Santa Catarina aparecem com uma agência premiada cada, indicando a disseminação de práticas de gestão para além do eixo tradicional do setor.

Participação feminina e liderança

As mulheres representam 55% dos colaboradores das empresas reconhecidas, percentual superior ao observado em outros rankings setoriais do GPTW. Na alta liderança, houve avanço em 2025, com mulheres ocupando 40% dos cargos, frente a 34% no ano anterior.

Apesar desse crescimento, a pesquisa aponta desafios na média liderança e em outras posições de gestão, onde a participação feminina apresentou retração nos últimos anos, indicando a necessidade de avanços mais consistentes em todos os níveis hierárquicos.

Por que grandes agências ficam fora do ranking?

Segundo o GPTW, a ausência de grandes agências no ranking está relacionada ao próprio processo de avaliação. As empresas precisam optar por participar da pesquisa, buscar a certificação e submeter suas práticas culturais à análise.

“Há dois motivos principais para uma empresa não figurar no ranking: não atingir a nota mínima ou não participar do processo”, explica Daniela.

Entre os desafios enfrentados pelas empresas, especialmente as de maior porte, o GPTW destaca a gestão de pessoas em contextos complexos. Para Daniela, o ponto central continua sendo a construção de relações de confiança, sustentadas por lideranças capazes de manter diálogos transparentes, desenvolver equipes e criar experiências significativas no dia a dia.

Metodologia e critérios do ranking

O ranking voltado ao setor de comunicação é composto por duas etapas. A primeira é a pesquisa quantitativa, na qual a empresa precisa atingir a amostra mínima de funcionários e obter nota igual ou superior a 70%, condição necessária para a certificação GPTW.

A segunda etapa é a avaliação qualitativa, chamada Pilares For All, que analisa as práticas culturais da organização. A soma das duas fases resulta na nota final e define a classificação no ranking.