Cancelando o cancelamento
O tribunal da internet e o papel das marcas

Inaiara Florêncio (Crédito: Divulgação)
Há um tempo que a cultura do cancelamento tem sido colocada em pauta. Mas ela ganhou ainda mais ênfase durante o período de isolamento social e com a edição de 2021 do Big Brother Brasil. O linchamento virtual que acompanhamos nas últimas semanas diferencia-se de iniciativas de conscientização e de debates sobre assuntos importantes para a sociedade, como racismo, homofobia, machismo, etc.
Muitas marcas aproveitaram o buzz do momento para surfar a onda dos trending topics do programa e algumas, inclusive, tiveram contratos cancelados com a cantora Karol Conká, holofote de cancelamentos durante sua participação no programa.
Mais do que questionar o tribunal da internet aqui, eu quero trazer uma reflexão mais profunda sobre qual o papel das marcas e se vale tudo mesmo no momento de hackear conversas relevantes para o público, gerar buzz e likes.
Se a publicidade não só reflete a sociedade (como diria Samantha Almeida), mas a valida, reforça e cria, qual o papel que as marcas têm exercido nesses debates e como agregam para a sociedade? Sem deixar de lado seu propósito, narrativas e objetivos de negócio, e mais que isso, sendo realmente relevantes.
Nos tempos de hoje não é possível as marcas viverem em cima do muro e nas sombras. Eis o momento de dialogar, responder e saber como agregar nas questões pertinentes para as pessoas.
Acredito que quanto mais profissionais e empresas ajudarem a construir uma nova visão de como a publicidade e conversação das marcas pode ser, mais chances teremos de fazer uma mudança efetiva na indústria.
E então, trago de novo o questionamento: será que enquanto marcas estamos tirando o melhor proveito desses comportamentos?
* Inaiara Florêncio é partner & Creative Director da Adventures