As 10 tendências sobre IA, segundo a MIT Technology Review
Niall Firth, editor-executivo, compartilha perspectivas e desafios sobre o futuro da tecnologia
Ao fazer a curadoria para a sua anual e conceituada lista das 10 tecnologias inovadoras para o ano de 2026, o volume de tendências relacionadas à inteligência artificial tornou o trabalho maior e árduo. A solução foi criar uma nova lista, mas focada nas tendências e desafios envolvendo o tema. No ProXXIma 2026, Niall Firth, editor-executivo da MIT Technology Review, dividiu perspectivas sobre cada tópico da lista.

Niall Firth, editor do MIT Tecnology Review, apresentou avanços da tecnologia e ameaças à segurança pública (Crédito: Eduardo Lopes/Máquina da Foto)
Dados humanóides
Com a ascenção das plataformas de inteligência artificial generativa e os modelos de linguagem, o público criou a expectativa de que a próxima disrupção seria a criação de robôs humanoides. No entanto, o desenvolvimento dessa tecnologia é limitado pela falta de dados úteis.
Conforme o editor, robôs necessitam de mais dados do que LLMs. Os dados sobre comportamento físico humano é limitado e de difícil acesso. Essa dificuldade criou uma nova economia, sobretudo em países como Nigéria e China. Empresas começaram a pagar pessoas para se gravarem executando tarefas e suas rotinas para que robôs consigam aprender a replicar comportamentos.
LLMs+
Ao contrário dos robôs humanoides, o próximo passo da IA é a complexificação dos modelos de linguagem já existentes. Essas IAs devem aprender a fazer pesquisas com maior profundidade. Os agentes devem trabalhar melhor sem supervisão. A memória dos sistemas de IA também deve melhorar, apontou.
No entanto, atualmente o custo dessa autonomia e profundidade é elevado. “Um jeito de fazer reduzir é quebrar os sistemas e tarefas em partes ao invés de ligar o sistema inteiro”, disse.
Esquemas superpotentes
Ao mesmo tempo que o avanço da IA trás benefícios, os malefícios aumentam. Firth relatou que a quantidade de fraudes golpes usando IA deve crescer. Mais da metade dos emails escritos já são obra da inteligência artificial, disse. Golpistas se aproveitam da expansão das capacidades da IA na reprodução de voz e imagem para subtrair dinheiro dos alvos.
A IA pode ajudar a resolver isso se atuar na detecção de ameaças e barrar o contato de golpistas com o público-geral, afirmou o editor.
World models
O conhecimento da IA sobre o mundo físico, incluindo navegação, física, gravidade e outros fatores que envolvem a interação do humano com ambiente é limitado. Ao ver uma imagem de uma garrafa próxima a borda de uma mesa, a IA não consegue prever que se alguém bater na garrafa, ela deve cair da mesa, exemplificou. Isso acontece pois seu conhecimento é baseado na compreensão semântica e textual da imagem.
Empresas trabalham para desenvolver modelos baseados no mundo real. Por exemplo, a desenvolvedora do Pokemon Go cria um modelo do tipo a partir das imagens dos jogadores. Segundo Firth, esses modelos, chamados de world model, conseguem prever consequências de ações. No entanto, o produto final deve demorar para ser lançado.
A nova sala de guerra
Firth alertou sobre o uso da inteligência artificial nas estratégias do exército em conflitos armamentistas. Conforme o jornalista, a marinha dos Estados Unidos utiliza a tecnologia para mapear comentários políticos em jornais, blogs e redes sociais para compreender o sentimento político da população. Já o exército recorre a insights da IA para saber como e onde atacar alvos.
Essas IAs são alimentadas por dados confienciais. “É boa ideia sabendo de alucinações? Como ter certeza que humanos estarão sempre envolvidos? Não é só uma questão de tecnologia, mas ética também”, questionou.
Deepfake como arma
A maior fidelidade da imagem e aúdio criado por IA é usado, também, para humilhar e enganar pessoas, como na criação de imagens pornográficas com o rosto de pessoas sem autorização. Esse emprego da tecnologia provoca consequências na relação de confiança com instituições e com o social. Possivelmente, haverá consequências para o pensamento crítico, disse.
Orquestração de agentes
Outra tendência que já acontece de forma embrionária, mas deve se consolidar no próximo ano é a orquestração de agentes para ganho de efetividade. Empresas como Nvidia e Tencent desenvolvem bots seguros e avançados para que agentes executem tarefas sem supervisão humana.
“Essas tecnologias vão se tornar mais valiosa conforme a capacidade deles aumenta. Futuramente, vamos poder delegar parte de nossa vida para agentes fazerem coisas e sobra tempo para outras coisas”, colocou.
A aposta open source da China
Segundo Firth, a China avança na criação de modelos de IA cuja cobrança é menor do que os adotados nos Estados Unidos. Em 2025, o DeepSeek causou surpresa no mercado de ações, pois demonstrou que a China possuía modelos capazes de igualar os americanos por uma fração do custo.
O modelo de negócio das big techs nos EUA se baseia em cobrança pelo uso da API. Empresas chinesas lançam os modelos como pacotes para download. Isso permite que desenvolvedores adaptem os modelos e os executem em hardware próprio sem depender comercialmente de empresas americana. Esta estratégia é uma forma de contornar os controles de exportação de chips avançados, apontou.
Cientistas artificiais
Uma das apostas das big techs está no desenvolvimento de produtos direcionados aos cientistas. O objetivo dos produtos é auxiliar o público-alvo a acessar todas as pesquisas disponíveis sobre os temas aos quais se dedicam a fim de retornarem sobre quais ideias são ruins, permitir que eles expandam as possibilidades de abordagens, economizem tempo e permitam que se dediquem a testar hipóteses e buscar novos resultados.
Resistência em relação à IA
Por fim, Firth falou que há um movimento crescente de resistência em relação à adoção da inteligência artificial. Há movimentações em diferentes níveis. De modo geral, o público teme que a IA tome seus trabalhos, estão cansados do envolvimento político no tema, se preocupam com a educação de seus filhos.
Karen Ha, ex-reporter do MIT Tecnology Review e autora do livro The Empire of AI, lançou a The AI Resist List, que documenta movimentos de resistências e compartilha dicas sobre como enfrentar a difusão da IA.
Conforme Firth, os dados não revelam ainda substituição significativa de trabalhadores por IA. No entanto, há organizações realizando protestos contra as big techs, pedindo limites para o desenvolvimento de IA, entre outros. Em alguns estados dos Estados Unidos, pais realizam petições para barrar o emprego da IA na educação dos filhos.