Globo: “DTV+ é a verdadeira transformação da TV aberta”
Emissora vai estrear a TV 3.0 durante os jogos da Copa do Mundo, a partir do dia 11 de junho
A Globo vai estrear a DTV+, novo padrão da TV aberta, que unifica a transmissão broadcasting à internet banda larga, a partir do dia 11 de junho, durante as transmissões da Copa do Mundo Fifa. Nas palavras de Raymundo Barros, diretor de tecnologia da companhia, a chegada da TV 3.0, como também é chamada, representa “a verdadeira transformação digital da transmissão aberta e gratuita.

Raymundo Barros, diretor de tecnologia da Globo, falou sobre a DTV+ no palco do ProXXIma (Crédito: Edu Lopes/Máquina da Foto)
Isso porque, em 2007, quando houve a virada do analógico para o digital, conforme Barros, a grande mudança foi a qualidade da experiência do consumidor. No geral, os atributos do meio, voltados a alcance (topo de funil), se mantiveram os mesmos em termos de mídia, com monetização baseada em mídia avulsa, patrocínio e branded content.
Agora, a TV 3.0 abre espaço para os modelos de publicidade que operam no ecossistema digital, tornando a relação com o consumidor personalizada. “Com a DTV+, todo o consumo de TV pode ser logado, o que gera métricas em real time, como nas demais plataformas digitais”, ressalta.
O salto em termos de distribuição, como explica o executivo, será de extrema relevância. Se, na realidade atual do streaming, existe uma limitação de número de pessoas conectadas simultaneamente no mesmo conteúdo, devido à infraestrutura da internet, o novo modelo de transmissão aberta promete manter o padrão atual. “O que virá da internet ou da antena se integrará de forma fluída em uma única experiência”.
Já na perspectiva do espectador, a dinâmica também mudará, uma vez que a transmissão aberta, que representa 60% do consumo total de vídeo, se tornará plataforma de mídia interativa. Ou seja, será possível customizar e interagir com o conteúdo, a exemplo do que já ocorre nas plataformas de streaming.
Publicidade diferente
Sobre a forma de fazer publicidade para o meio, o diretor de tecnologia da Globo afirma que o mais importante é saber que o gerenciamento de uma campanha se amplia. Além das ofertas tradicionais de topo de funil, a marca poderá atingir perfis específicos dentro de uma audiência, que, no caso da emissora, chega a 70 milhões de pessoas por dia.
“Se existe um subconjunto de audiência que tenho dispersão, caso eu fique na oferta de topo de funil, na DTV+, eu posso chegar nesse subset em um intervalo, por exemplo. Somente aquele target pode receber determinada publicidade, porque o consumo é logado”, reforça.
Além disso, existem as ofertas de t-commerce, com experiências em que o consumidor pode, via controle remoto, ter acesso a produtos, de forma contextualizada. A Globo realizou testes, com Magalu, na última Black Friday, durante o Domingão do Hulk, em que era possível montar um carrinho de compras durante o programa e finalizar a compra no marketplace da varejista. “Vamos evoluir esse modelo, sem precisar de QR Code”, antecipa.
Outro ponto que também tende a evoluir com a nova TV aberta é a possibilidade de segmentação geográfica dentro da mesma cidade, com testes também em andamento por parte da emissora. Com isso, segundo Barros, abre-se oportunidades para marcas regionais anunciarem com foco em suas respectivas comunidades.
Desafios estruturais
Diferente da jornada de 2007, em que houve a necessidade de substituição da chamada TV de tubo por uma digital, Barros acredita que a implementação da DTV+ ocorrerá de forma mais fluída e acelerada. Naquele contexto, o conversor não era um dispositivo interessante, justamente por conta dos modelos de aparelhos de televisão.
Hoje, afirma o executivo, existem mais de 25 milhões de televisores 4K no País e 100 milhões com tecnologia full HD. Logo, a compra de um conversor frente aos ganhos por parte do consumidor se apresenta como algo mais simples e atrativa, além de haver a expectativa da adaptação ser vendida a um preço mais baixo em comparação a 2007.