Juliette: “Não acredito em fórmulas prontas e milagres”
Prestes a lançar marca própria, influenciadora recapitula sua história e reforça a importância da preparação e profissionalização
Depois de ter sido consagrada como vencedora da 21° edição do Big Brother Brasil, Juliette foi coroada também pelas marcas. No ano em que deixou o reality show, a influenciadora trabalhou junto a 16 anunciantes, escolhidos por categoria e conexão com sua história e verdade, priorizando a melhor narrativa para o momento que vivia e garantindo a sustentabilidade de suas estratégias a longo prazo.

Juliette se prepara para lançar, ainda este ano, sua marca de maquiagens (Crédito: Eduardo Lopes/Máquina da Foto)
Ao alcançar o estrelato, ela conheceu o poder da comunidade junto aos cactos, como são chamados os integrantes de seu fã clube. A partir daí, entendeu a necessidade de criar vínculos mais sólidos e fortes com um público diverso, dadas as características da audiência de um reality show de alcance nacional.
“Sempre tive muita consciência de que nós, como seres humanos, temos ânsia por pertencer e sermos amados. É uma força muito grande que nos move para tudo, mas com os cactos entendi o poder disso”, afirma. Hoje, Juliette reúne uma base fiel de 28,2 milhões de seguidores apenas no Instagram — audiência valiosa para os anunciantes.
Apesar da popularidade entre o mercado publicitário, Juliette apontou que já enfrentou resistência sobre suas ideias — o que a calejou para ter a coragem, ao longo do tempo, de negar determinadas ofertas.
E a maturidade e a fidelidade à sua narrativa a deram o poder de ir além. Ao lado da Mondial, a influenciadora desenvolveu do zero uma linha de produtos voltados para a cuidados pessoais, muito de acordo com as dores que presenciou, durante a infância, no salão de beleza da mãe e na oficina mecânica do pai. Os resultados comprovam o sucesso da estratégia: antes do lançamento, a marca não era líder da categoria.
“Por várias vezes, deixei de trabalhar com marcas pensando na construção e credibilidade para hoje estar lançando a minha marca. Eu trabalho uma marcas por setor e não faço concorrência. Isso já faz perder muita grana”, detalhou Juliette.
A Juliette empreendedora
Ainda esse ano, seu currículo de influenciadora e apresentadora de TV receberá um novo título: o de empresária. Juliette se prepara para lançar, ainda este ano, uma marca própria de beleza como sócia majoritária. Questionada sobre a escolha do segmento, bastante concorrido, ela reconhece a existência de desafios em qualquer setor, e justifica a identificação com sua história e valores como autoestima e empoderamento.
Durante o processo, viu a profissionalização e a gestão de equipe como principais desafios. Foi por essas razões que, justamente, ela levou quase seis anos para estruturar um negócio proprietário: requer tempo, processo e estudo de mercado — o que, infelizmente, “não costuma acontecer nas marcas de muitos influenciadores”, criticou.
Neste meio tempo, lembra, chegou a receber inúmeras propostas para parcerias, mas nas quais não necessariamente teria autonomia ou participação direta. “Eu vivo sob pressão desde sempre”, confessou. “Ganhei experiência, confiança, preparo, formei equipe. E quando a marca vier, ela será minha. Mas a pressão é diária.”
Ainda acrescentou: “A minha vida sempre foi o processo. Eu sempre cresci na preparação e trajetória. Não acredito em fórmulas prontas e milagres — apesar de ter acontecido comigo no BBB — mas minhas batalhas sempre foram no silêncio. Daqui 10 anos, quero ter muito orgulho da trajetória que construí”.
E, se no início da jornada de elaboração de uma marca própria a busca era por um sócio, Juliette foca agora no desenvolvimento de produto e na tradução em um marketing de impacto. Para isso, defende a combinação de sua história pessoal, escuta de comunidade e mercado.
“Em um primeiro momento, a influência pura e simples é o suficiente, mas, em um segundo momento, não se sustenta. O produto tem que dar resultado. É preciso que haja reciprocidade”, apontou. “A marca vai ser uma persona que tem o meu DNA, mas que, ainda assim, tem vida própria.”
