Austin não é uma cidade, é uma pergunta
Mais que festival, o SXSW é um laboratório onde ideias, histórias e negócios se encontram
Toda vez que desço do avião em Austin, sinto a mesma coisa: a cidade não me recebe. Ela me interroga.
O calor seco, as ruas ainda com cheiro de show da noite anterior, os crachás pendurados no pescoço de gente que veio de Seul, de São Paulo, de Lagos, de Berlim — tudo aqui parece dizer: e você, o que trouxe?
O South by Southwest completou 40 anos. Quatro décadas sendo o lugar onde o mundo vai para mostrar o que inventou, ou pelo menos para fingir que inventou antes de todo mundo. Nasceu como festival de música independente e virou o maior laboratório a céu aberto de cultura, tecnologia e negócios do planeta. Não é pouca coisa para uma cidade que ainda toca violão nas calçadas.
Mas o que me fascina no SXSW não é o que está no palco. É o que acontece no corredor.
É a conversa que começa numa fila de café e termina num contrato. É o founder que explica sua startup para um jornalista achando que está perdendo tempo — e o jornalista escreve a matéria que muda tudo. É a agência brasileira que ninguém conhecia que sai daqui com um cliente global, porque teve a coragem de aparecer.
O Brasil sempre soube fazer isso. Aparecer.
Somos, talvez, o único país do mundo capaz de exportar alegria como estratégia de negócio. O StorySelling que pratico há anos — a arte de vender através de histórias que emocionam antes de convencer — tem DNA profundamente brasileiro. A gente não fecha negócio. A gente cria cumplicidade.
E é exatamente isso que Austin vai cobrar de cada um de nós nos próximos dias.
Não o PowerPoint mais bonito. Não a demo mais tecnológica. Não o estande mais iluminado.
Vai cobrar a resposta para a pergunta que a cidade faz desde o momento em que você pousa:
O que você tem a dizer que vale a pena ser ouvido?
Nos próximos dias, estarei aqui registrando o que vejo, o que ouço e o que sinto. Não como repórter. Como um publicitário que nunca parou de aprender — e que ainda acredita, depois de décadas, que a melhor tecnologia que existe continua sendo uma boa história bem contada.
Austin não é uma cidade. É uma pergunta.
E eu vim para responder.