Conexão Austin

Austin não é uma cidade, é uma pergunta

Mais que festival, o SXSW é um laboratório onde ideias, histórias e negócios se encontram

Fernando Figueiredo

Sócio e CEO da Bullet 9 de março de 2026 - 11h47

Toda vez que desço do avião em Austin, sinto a mesma coisa: a cidade não me recebe. Ela me interroga.

O calor seco, as ruas ainda com cheiro de show da noite anterior, os crachás pendurados no pescoço de gente que veio de Seul, de São Paulo, de Lagos, de Berlim — tudo aqui parece dizer: e você, o que trouxe?

O South by Southwest completou 40 anos. Quatro décadas sendo o lugar onde o mundo vai para mostrar o que inventou, ou pelo menos para fingir que inventou antes de todo mundo. Nasceu como festival de música independente e virou o maior laboratório a céu aberto de cultura, tecnologia e negócios do planeta. Não é pouca coisa para uma cidade que ainda toca violão nas calçadas.

Mas o que me fascina no SXSW não é o que está no palco. É o que acontece no corredor.

É a conversa que começa numa fila de café e termina num contrato. É o founder que explica sua startup para um jornalista achando que está perdendo tempo — e o jornalista escreve a matéria que muda tudo. É a agência brasileira que ninguém conhecia que sai daqui com um cliente global, porque teve a coragem de aparecer.

O Brasil sempre soube fazer isso. Aparecer.

Somos, talvez, o único país do mundo capaz de exportar alegria como estratégia de negócio. O StorySelling que pratico há anos — a arte de vender através de histórias que emocionam antes de convencer — tem DNA profundamente brasileiro. A gente não fecha negócio. A gente cria cumplicidade.

E é exatamente isso que Austin vai cobrar de cada um de nós nos próximos dias.

Não o PowerPoint mais bonito. Não a demo mais tecnológica. Não o estande mais iluminado.

Vai cobrar a resposta para a pergunta que a cidade faz desde o momento em que você pousa:

O que você tem a dizer que vale a pena ser ouvido?

Nos próximos dias, estarei aqui registrando o que vejo, o que ouço e o que sinto. Não como repórter. Como um publicitário que nunca parou de aprender — e que ainda acredita, depois de décadas, que a melhor tecnologia que existe continua sendo uma boa história bem contada.

Austin não é uma cidade. É uma pergunta.

E eu vim para responder.