Da coexistência à convergência
Em 2026, o fascínio pela IA dá lugar à responsabilidade sobre suas consequências reais e integrações afetivas
No SXSW 2025, a IA generativa foi celebrada como protagonista de uma nova era criativa. Ferramentas simbolizavam um futuro de expansão: mais criação, mais colaboração, mais possibilidades. O discurso era marcado por um otimismo claro — a tecnologia como meio de amplificar o humano. Falava-se de conexão, empatia e saúde social. Era um momento de coexistência, em que humanos e máquinas pareciam evoluir lado a lado, em harmonia.
No SXSW 2026, essa lógica muda. A pergunta central deixa de ser “o que dá pra fazer?” e passa a ser “o que isso está causando?”. A IA deixa de ser novidade e passa a ser infraestrutura. O foco migra para consequências concretas: impacto no trabalho, concentração de poder, necessidade de regulação e aumento da ansiedade social. O tom já não é de fascínio, mas de responsabilidade.
Essa virada marca a transição de coexistência para convergência. Não estamos mais ao lado da tecnologia — estamos integrados a ela, sendo reconfigurados por seus efeitos.
Esse movimento se conecta diretamente à ideia de destruição criativa, popularizada por Joseph Schumpeter e atualizada nas leituras de Amy Webb: o maior risco não é a disrupção em si, mas a incapacidade de se reinventar diante dela. Em 2025, explorávamos a criação. Em 2026, começamos a encarar o custo dessa criação.
Um dos sinais mais claros dessa mudança é o avanço das transferências afetivas para IA. A relação deixa de ser apenas funcional e passa a ser emocional. Sistemas deixam de ser ferramentas e começam a ocupar espaços de companhia, aconselhamento e mediação subjetiva — tensionando limites entre uso, dependência e identidade.
Em síntese:
2025 foi sobre potencial.
2026 é sobre consequência.
Saímos do encantamento com o que a tecnologia pode fazer e entramos na responsabilidade sobre o que ela passa a produzir.