Inovação para quem?
Para cada evento de inovação que participarmos, vamos testar, no mínimo, uma ideia em nossas organizações?

(Crédito: Shutterstock)
Ao longo do ano, somos bombardeados por eventos grandiosos sobre inovação, como o SXSW, em Austin, e o Web Summit, que migrou de Portugal para o Brasil.
Todo grande evento busca catalisar a audiência ao incluir uma trilha de inovação em sua programação. Nessas ocasiões, palcos glamourosos exibem ideias revolucionárias, com a presença de artistas, celebridades, empresários e empreendedores notáveis.
Mas há um lado B raramente discutido: o que acontece depois que essas inovações são apresentadas? Quem, de fato, tem coragem de apostar, comprar e financiar essas propostas disruptivas?
A verdade é que, no discurso, a inovação é fascinante. Porém, quando chega a hora de aplicá-la no mundo real, medos e receios de possíveis falhas paralisam as estruturas.
Grandes organizações preferem observar à distância, esperando que outros experimentem antes delas. O capital, por sua natureza, é conservador: ele arrisca pouco, não pode perder nunca. Porém o paradoxo é que, mesmo no pior cenário, a inovação traz aprendizados que aceleram novas soluções.
Essa hesitação em inovar é um reflexo de um comportamento sistêmico do mercado, e não apenas de indivíduos. É compreensível que ferramentas, soluções e ideias novas enfrentem resistência — afinal, elas não têm um histórico de sucesso e desafiam padrões estabelecidos.
No entanto, se quisermos nos manter lucrativos, competitivos e eficientes, enquanto enfrentamos desafios urgentes como mudanças climáticas, desigualdades sociais, crises diplomáticas e um cenário de escassez crescente, é fundamental superar essa inércia e adotar a inovação como uma prática constante.
As objeções recorrentes, como questões de compliance, validações internas ou aprovação de matrizes internacionais, acabam funcionando como desculpas para não agir. Quando o projeto envolve governos ou grandes corporações, os obstáculos são ainda maiores. Isso explica por que tantas startups promissoras não sobrevivem.
Segundo dados da Fundação Dom Cabral, 50% das startups brasileiras fecham as portas antes de completar quatro anos. Mais alarmante ainda, 25% delas não chegam ao segundo ano. Por trás dessas estatísticas está a ausência de capital disposto a arriscar, aliado a uma cultura empresarial que valoriza mais o “arroz com feijão” seguro do que a ousadia de testar o novo.
Diante disso, uma provocação se faz necessária: estamos nos aproximando de 2025 e revisando orçamentos e agendas. Será que vale a pena continuar investindo tanto em viagens internacionais para eventos, em inscrições caríssimas e horas assistindo a apresentações brilhantes, se, no final, continuamos presos às mesmas práticas de sempre?
Isso se estende para gestores e empresas, e profissionais que planejam participar de conferências e feiras para renovar seu repertório. E qual é o impacto concreto dessas experiências no dia a dia?
Precisamos transformar discursos bonitos em ações práticas. A verdadeira inovação só começa onde termina o medo. É hora de assumirmos riscos.
Uma agenda positiva para 2025
Proponho aqui ainda um pacto: para cada evento de inovação que participarmos, vamos testar, no mínimo, uma ideia em nossas organizações. Somente experimentando novas soluções poderemos avançar.
A inovação que propomos para 2025 não é sobre modismos, é sobre coragem para transformar o status quo. Este é o caminho para soluções mais rápidas, impactantes, inclusivas e verdadeiras.