“Existe uma geração que não vê mais TV”

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“Existe uma geração que não vê mais TV”

Diretor da minissérie “Treze Dias Longe do Sol”, Luciano Moura, da O2, fala sobre as coproduções e a importância da distribuição de conteúdo multiplataforma

Bárbara Sacchitiello
8 de novembro de 2017 - 9h39

 

Luciano Moura observa as cenas da série (Crédito: Divulgação/ Ramón Vasconcelos/Globo)

Desde a semana passada, os usuários da plataforma GloboPlay passaram a ter acesso a mais uma produção inédita da emissora antes dos espectadores do canal linear. Coproduzida com a O2 Filmes, “Treze Dias Longe do Sol”, que conta com direção de Luciano Moura – também responsável pela criação e roteiro, ao lado de Elena Soárez – é mais uma aposta da Globo na consolidação da produção multiplataforma, uma vez que a minissérie deve ser lançada na TV apenas em janeiro de 2018.

Dividindo a produção e direção da obra com a O2, a Globo deixou o comando de “Treze Dias Longe do Sol” nas mãos de um veterano da indústria da publicidade. Moura tem mais de 500 comerciais no currículo e acredita que as barreiras que separavam a área do entretenimento da produção publicitária são cada vez menores. “Hoje, a troca de experiências ficou mais fácil porque as barreiras entre publicidade, cinema e TV, para as equipes que trabalham em filmagem, estão diluídas”, analisa.

“Treze Dias Longe do Sol” não é a primeira experiência do diretor com a Globo. Moura também dirigiu alguns episódios de séries já exibidas pela emissora, como “Felizes para Sempre” e Antonia. Na opinião do diretor, a estratégia de liberar a produção na plataforma online antes da TV aberta parece ser uma tendência que vem apresentando resultados. “Existe toda uma geração que não vê mais TV e só tem acesso a conteúdo pela internet. Ainda é tudo muito novo e esta plataforma, na teoria, pega um público que não veria a TV aberta de qualquer forma”, diz.

Em entrevista ao Meio & Mensagem, Luciano Moura conta sobre a temática da série, que conta com os atores Selton Mello e Carolina Dieckmann como protagonistas, e comenta sobre a abertura dos veículos de TV para as coproduções e parcerias na criação de conteúdo. Confira:

Meio & Mensagem: Como é a história de “Treze Dias Longe do Sol” e de que maneira você procurou imprimir sua marca como diretor neste trabalho?

Luciano Moura: Fomos atraídos pela ideia de contar uma história a partir de um grande evento: um prédio (centro médico) que cai e como os personagens expostos às consequências dessa catástrofe reagem. Diante de um grande trauma, vemos o melhor e o pior de cada um aflorar. Nosso personagem personagem principal, Saulo (Selton Mello) com uma trajetória brilhante ate então, cruza uma perigosa linha que divide o certo do errado e resolve dar um ‘jeito’ de obter um lucro maior. Baseado em fatos reais – como a queda do Palace 2 e o prédio ao lado do teatro municipal do Rio, bem como o buraco do Metrô em São Paulo e tantos outros que desabaram por erros humanos – estruturamos a história e criamos a trajetória deste herói errado. Minha direção tentou contar visualmente esse descompasso entre a catástrofe física e o limite do homem. Enquadramentos assimétricos, sempre enfatizando o tamanho das estruturas em oposição aos personagens retratados, pequenos e frágeis; luz e cenário, principalmente os subterrâneos, dificultando e asfixiando as vida dos sobreviventes e a direção de ator, sempre procurando tirar a verdade de cada personagem, como eles reagem à privação, a possibilidade da morte, à ganância, à quebra dos planos, à culpa.

O ator Lima Duarte conversa com Luciano Moura durante as gravações da minissérie (Crédito: Divulgação/ Ramón Vasconcelos/Globo)

M&M: Você possui uma longa experiência com trabalhos na área da publicidade. O que você leva de bagagem dessa indústria para a realização de trabalhos na área do entretenimento?

Moura: A publicidade, por ter um nível de exigência técnica muito forte, faz com que estejamos sempre ligados nas melhores possibilidades técnicas/narrativas para contar uma estória. Assim eu estou, permanentemente, conhecendo novos equipamentos, e principalmente, trocando experiências com os melhores profissionais da área. Hoje, a troca de experiências, ficou mais fácil porque as barreiras entre publicidade, cinema e TV, para as equipes que trabalham em filmagem, estão diluídas. No meu primeiro longa, “A Busca”, trabalhei majoritariamente com uma turma que áa colabora comigo ha muito tempo em publicidade e que faz TV, bem como cinema. Isso facilita a troca de experiência e enriquece tecnicamente as outra áreas.

M&M: Esse novo projeto, com a Globo, é mais um produto realizado em esquema de coprodução. Que vantagens você vê nesse modelo, tanto para as produtoras como para os canais televisivos?

Moura: Com essa nova demanda por séries, se abrem novas oportunidades de trabalho. Por sermos uma produtora de fora, chegamos com um outro olhar, uma forma de fazer diferente. Talvez esse seja um dos pontos de interesse do canais de televisão nestas coproduções. Gerar conteúdo hoje em dia é uma necessidade, inclusive da publicidade. Para nos é uma oportunidade de desenvolver autores, criadores de conteúdo e claro, ter a visibilidade de um canal de televisão como a Globo. Você consegue atingir um numero enorme de pessoas, que hoje em dia no cinema, por exemplo, é inimaginável.

M&M: A série estreou somente no GloboPlay. A Globo vem, já há algum tempo, reservando à plataforma a exibição inicial de muitos de seus trabalhos. Como vê essa estratégia?

Moura: Acho interessante, pois existe toda uma geração que não vê mais TV e só tem acesso a conteúdo pela internet. Ainda é tudo muito novo. Mas a teoria é que esta plataforma pega um publico que não veria a TV aberta de qualquer forma. Por outro lado, é também um publico formador de opinião, que gera um assunto antes de a série ir para o ar. É uma aposta que parece estar dando resultado.

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