Cortes e ajustes pressionam plataformas digitais de conteúdo

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Cortes e ajustes pressionam plataformas digitais de conteúdo

Demissões no BuzzFeed e HuffPost e novas estratégias de Vice e Vox apontam para o desafio das empresas aliarem receita a bom conteúdo

Luiz Gustavo Pacete
29 de janeiro de 2019 - 6h00

 

Cerca de 250 profissionais do BuzzFeed serão demitidos em todo o mundo (Crédito: Reprodução Ilustração AdAge)

Plataformas de conteúdo digital – como o BuzzFeed, HuffPost, Vice e Vox – ganharam, nos últimos anos, as atenções do público jovem e marcas dispostas a desenvolverem ações diferentes do que já era oferecido pelos portais. Essas empresas, no entanto, vivem um momento de rediscussão de seus respectivos modelos. No final da semana passada, o fundador e executivo-chefe do BuzzFeed, Jonah Peretti, afirmou que a plataforma reduzirá em até 15% seu quadro de profissionais, algo em torno de 250 pessoas. Além disso, o BuzzFeed encerrou suas operações na Espanha.

Em carta aos funcionários, Peretti alegou que o objetivo dos ajustes é reequilibrar as receitas da empresa já que, mesmo fechando em azul no ano de 2017, não foi “suficiente para ter sucesso em longo prazo”. Reduzindo os custos, segundo ele, “podemos prosperar e controlar nosso próprio destino, sem precisar levantar fundos novamente”. Também na semana passada, a Verizon disse que cortaria 7% dos funcionários de sua unidade de mídia que inclui HuffPost, Yahoo e AOL. Cerca de 800 profissionais foram atingidos.

Em todos os casos, os analistas apontam que a concorrência com as duas principais plataformas em atrações de receitas de publicidade – Google e Facebook – tem relação com os cortes. A estimativa do eMarketer é de que metade dos investimentos feitos em publicidade digital até 2020 seja do Google e Facebook.

Uma das estratégias de algumas plataformas, diante da concorrência em publicidade digital, é encontrar novas fontes de receita como vem fazendo a Vice, em parceria com a HBO, e o BuzzFeed, com a Netflix. “As empresas jornalísticas nativo-digitais nasceram com o fôlego de não carregar o peso das mídias tradicionais, estruturas gigantescas, modelos ultrapassados de mídias analógicas. Isso foi uma vantagem competitiva para os novos. Mas houve um erro estratégico em boa parte dessas startups: o modelo de negócios baseado em clique-fácil”, observa Eduardo Tessler, jornalista, consultor e colunista de Meio & Mensagem.

Tessler reforça que está nascendo uma nova categoria de redações que mescla conteúdo e negócio. “Até há pouco era quase uma condição nas redações que jornalistas tratam de conteúdo e o resto que se preocupe em pagar a conta. Hoje, com a tecnologia que ajuda a se conhecer em tempo real o comportamento da audiência, a sobrevivência do negócio também compete aos jornalistas. O fundamental, agora, é não deixar que o peoplemeter dos novos tempos contamine (no mal sentido) a qualidade da informação”, alerta.

Bob Wollheim, CEO da The B Network, explica que as decisões de reduzir pessoal mostram que as redes sociais – e a dependência de muitas plataformas para com elas – embolaram o jogo. “Não é questão de valer ou não valer. De notícias isentas e bem apuradas ou não. É óbvio que isso vale, mas estamos falando aqui do desafio de sustentabilidade das empresas de conteúdo em qualquer lugar do mundo. É difícil identificar caminhos para resolver esses grandes problemas. É óbvio que Guardian e Times transformam a reputação conquistada em um novo modelo. Mas são poucas as empresas no mundo que tem essa mesma dinâmica. ”

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