WPP Production inaugura hub em São Paulo
Projeto propõe maior integração entre produção, criação e inteligência artificial para atender novas demandas em agilidade e orçamento
O WPP Campus, na Vila Leopoldina, em São Paulo, passa a abrigar o novo estúdio integrado da WPP Production para atender clientes do grupo em toda a América Latina.
O espaço foi intencionalmente desenhado para manter a proximidade entre os times da pré à pós-produção em tempo real, integrando a criação do início ao fim do projeto para não apenas garantir a preservação do craft, mas também conferir maior agilidade aos processos.

Hub reúne estúdio, ilhas de edição e salas de finalização modulares para adaptação de acordo com as necessidades de cada projeto (Crédito: Leonardo Flaiban)
Compõem o projeto dez salas dispostas quase que em formato de circuito, distribuídas ao longo de um único corredor. Os 182,6 m² contemplam sets de captação de áudio e imagem, além de salas de finalização projetadas pela TruePhonic e pela Harmonia em conformidade com os padrões globais da holding.
Ainda que a estrutura se dedique a categorias de alta demanda no mercado latino-americano, sobretudo saúde e beleza e alimentos e bebidas, os espaços são flexíveis para atender às necessidades específicas dos clientes e das produções.
O WPP Production aposta na tecnologia de ponta como diferencial. Todas as etapas são conectadas ao WPP Open, plataforma de marketing agêntico do WPP. A inteligência artificial (IA) permeia um pipeline híbrido de produção, aplicada à construção do storyboard, desenvolvimento de cenários digitais, ampliação de peças no print e desdobramento de conteúdos em escala, por exemplo.
A iniciativa representa mais um passo da operação brasileira em meio ao Elevate28, plano que prevê a retomada do crescimento orgânico do WPP até 2027. Como parte da reestruturação, a holding centralizou toda sua produção criativa em uma única plataforma global, a WPP Production, aposentando a Hogarth globalmente.
O hub de São Paulo segue premissa semelhante à da principal instalação do WPP voltada à produção, o Devon’s Point. Localizado em Londres, na Inglaterra, o espaço industrial tem mais de 3 mil m², reunindo tecnologia avançada de produção virtual impulsionada por IA, ambientes modulares e recurso de pós-produção.

Salas foram projetadas por fornecedores locais selecionados pelo WPP para garantir conformidade com os padrões globais do grupo (Crédito: Divulgação)
De acordo com Luiza Pagliarini, head de produção integrada da WPP Production Brasil, o estúdio é uma resposta às demandas dos anunciantes, que exigem volumes maiores de conteúdo para diversos canais em orçamentos cada vez mais enxutos. A IA, segundo ela, potencializou a criatividade e trouxe rapidez para muitas partes do processo, mas ainda não dispensa a necessidade de reuniões de alinhamento em pré-produção.
“Entendemos e conseguimos mostrar para os clientes que ainda precisamos de um time senior supervisionando tudo”, diz Pagliarini. “Temos todas essas etapas de aprovação. Quando vemos um filme montado no off-line, é igual a uma filmagem. Não voltamos para reproduzir novas imagens, porque já passamos dessa etapa no pipeline de produção. Senão, ficaria algo ilimitado sem regras. Temos custos envolvidos, dos tokens, por exemplo, da nossa plataforma proprietária”.
O estúdio conta com uma equipe fixa de mais de 60 profissionais em especialidades distintas, de produção executiva, à motion design e tratamento de imagem, habilitados para operar junto à tecnologia. “Não temos ninguém no time que não seja um profissional híbrido e não consiga jogar, pelo menos, em duas posições para completar essa cadeia da forma mais eficiente possível”, explica a head sobre a formação de talentos na era da IA.
Além das boas práticas que englobam a governança do uso das ferramentas generativas, o hub segue as premissas de sustentabilidade do WPP por meio da compensação de carbono das produções, através da plataforma Ad Green, e segue diretrizes para sets mais sustentáveis.
Produção internalizada
Nos últimos anos, a indústria vem assistindo a um movimento da internalização de unidades de produção por parte de grandes holdings. Em fevereiro, o Publicis renomeou o PXP para Publicis Production, sob o posicionamento de empresa de conteúdo que conecta craft a dados de audiência impulsionados pela IA. Mais tarde, em maio, a Galeria.Holding cresceu seu portfólio com a aquisição da produtora de IA The Future Studios.
Questionada sobre os caminhos para o equilíbrio da competitividade no mercado diante de uma tendência de centralização, Pagliarini defende a coexistência com demais players. Isso inclui a contratação de profissionais freelancers e troca constante com produtoras de diversos portes.
“Não conseguimos ter todos os especialistas dentro de casa. Já trabalhamos com pequenas, médias e grandes produtoras, justamente, para montar essa estrutura de forma eficiente, tendo os talentos adequados e entregando o melhor ao cliente”, detalha.
