Publicidade ainda carece de representatividade

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Publicidade ainda carece de representatividade

Levantamento da Elifegroup em parceria com a SA365 mostra que o aumento de pessoas pretas e pardas em anúncios digitais foi de apenas 4% em 2020


19 de novembro de 2021 - 18h17

Negros e pardos na propaganda ainda sofrem com estereotipagem (Crédito: Nadia Snopek/shutterstock)

A representatividade na publicidade já é pauta há um bom tempo, contudo ainda faltam ações que coloquem a discussão na prática. Segundo pesquisa da Elifegroup com a SA365, a virada de ano de 2019 para 2020 representou um aumento de 4% na inclusão de pessoas pretas e pardas na publicidade brasileira. Além disso, as empresas identificaram, por meio da análise de 1902 posts das 50 marcas dos 20 maiores anunciantes do País, que a inclusão desse grupo não aumentou em novembro — mês em que é celebrado o Dia da Consciência Negra. 

A análise foi feita entre os meses de janeiro e dezembro do ano passado no Instagram e Facebook. O mês de abril contou com 95 publicações e maio com 98. Segundo as companhias, o aumento pouco significativo continua sendo mais relevante do que a queda do número de pessoas pretas e pardas na publicidade em novembro, que registrou queda. O contraste com a representação de pessoas brancas no ambiente digital por parte das marcas é alto, com 74% dos posts representando essa amostra. 

Um dado que chama a atenção é a estereotipagem da figura da pessoa negra em propagandas. No período do Carnaval, é possível identificar um aumento dessa representatividade em campanhas que mostram imagens de mulheres negras durante as festividades. Além disso, mesmo que 48% dos posts do setor financeiro tenham representação, boa parte deles se destina à temática do auxílio emergencial, indicando que a população é vista sob o escopo da vulnerabilidade social e econômica. 

Segundo Aline Araújo, gerente de projetos da Elife, o estudo da presença de pessoas negras na comunicação passa por dois problemas: o da subrepresentação e a falta de protagonismo. “Certamente a imagem da marca é um reflexo da companhia e dos seus tomadores de decisões, por isso é tão importante trazer o debate sobre o assunto diretamente associado à representatividade dentro das empresas, sobretudo nos cargos de liderança”, declarou a executiva em comunicado. 

Contudo, também é possível notar avanços. O setor de higiene pessoal e beleza, sobretudo na publicidade de maquiagens e produtos para cabelo, inclui mulheres negras em suas postagens. As marcas do segmento têm voltado olhares para cabelos crespos, enrolados e ondulados, além de produtos destinados para a pele negra.

*Crédito da imagem do topo: Lyonstock/shutterstock

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