The Youth: “Obsessão brasileira pelo craft faz diferença”
Produtora ficou em terceiro lugar entre as mais premiadas de 2025, segundo ranking do Meio & Mensagem
A The Youth, criada pelo trio Eduardo Lubiazi, João Machado e Yuri Maranhão, se tornou independente no mercado brasileiro em 2024, deixando de ser representada por outras empresas no País. A empresa curitibana conquistou o terceiro lugar no ranking das produtoras de filme mais premiadas no ano passado, construído a partir de premiações nacionais e internacionais.

Quebrar o preconceito e a desconfiança em relação à produção e à entrega é, segundo Eduardo Lubiazi, principal desafio fora do País (Crédito: Divulgação)
A operação da The Youth é baseada na capital do Paraná, onde possui a maior parte dos colaboradores, mas atua de forma remota com produção executiva em São Paulo, além de parcerias na Cidade do México e em Los Angeles. Ao todo, são 18 pessoas, com áreas mescladas com a Colossal, estúdio de animação fundado em 2022.
Segundo Lubiazi, sócio e produtor executivo, o desempenho nos festivais é conectado diretamente com o posicionamento adotado pelo negócio: ser um grupo de pessoas que tenta fazer algo novo. Os cases mais premiados do último ano foram “Ashe Versus”, da TBWA\Health Collective de Nova Iorque para Moderna, e “Impossible Journey”, da Area 23 para Aster.
Estruturalmente, Lubiazi afirma que o desenvolvimento da carreira dos talentos é o foco central da estratégia. “Investimos em ideias e condições para que os talentos possam criar projetos que chamem a atenção do mercado e mantenham em alto nível o nosso portfólio”, diz.
Abaixo, na entrevista, o sócio da The Youth fala sobre os negócios da produtora dentro e fora do Brasil, além de abrir os planos para o futuro.
Meio & Mensagem – O que ajuda a explicar o desempenho da produtora neste ciclo de premiações?
Eduardo Lubiazi – O desempenho em premiações é conectado diretamente com o posicionamento da produtora. Sempre fomos um grupo de pessoas que desde os primeiros dias tentou, mesmo com muitas limitações financeiras e de acesso a fornecedores, fazer algo novo. Para nós, as próprias dificuldades geraram uma linguagem que refletiu no mercado como uma nova opção para buscar formas frescas de executar ideias do dia a dia e aquelas especiais que exigem uma forma de produzir e cocriar diferente. Uma coisa levou a outra e acho que conseguimos colher bastante resultado com essa forma de pensar tanto no Brasil quanto no exterior.
M&M – A The Youth tem forte atuação fora do Brasil. Quais mercados são mais relevantes hoje?
Lubiazi – A The Youth sempre teve uma ótima entrada nos mercados dos Estados Unidos e México. Nos últimos dois anos, decidimos focar com bastante energia no mercado brasileiro novamente. No último ano, por exemplo, tivemos 70% do nosso faturamento no Brasil e 30% vindo de outros países.
M&M – Como foi o desempenho da produtora em 2025 nos negócios?
Lubiazi – O ano de 2024 foi um ano recorde em faturamento e quantidade de projetos, além de ter sido o ano mais premiado da história da produtora. Sabíamos que o desafio era complexo para manter em 2025. Porém, mesmo com uma certa instabilidade em alguns períodos do ano, principalmente, devido ao último trimestre, conseguimos alcançar 2024 e ter outro ótimo ano em desempenho financeiro.
M&M – Na sua opinião, qual é o maior diferencial competitivo da produção brasileira em outros mercados?
Lubiazi – Acredito na soma de um custo mais acessível visualizando uma entrega que, muitas vezes, se iguala na qualidade de entrega dos outros países. A obsessão brasileira pelo craft no processo faz muita diferença em dias que tempo é dinheiro.
M&M – E quais os desafios?
Lubiazi – O desafio é sempre o mesmo: quebrar o preconceito e a desconfiança em relação à produção e à entrega. É algo cultural principalmente do mercado estadunidense questionar muitas vezes a sua capacidade de entrega e burocratizar ao máximo o processo, mesmo que os rankings e as premiações, ano após ano, provem o contrário.
M&M – Por fim, quais são os planos da produtora para o futuro?
Lubiazi – Os planos são os mesmos desde a nossa fundação. Queremos ser uma produtora reconhecida pela criatividade. Essa é a nossa meta de relevância, muito além de formato, tecnologia ou de qual mercado que estamos atendendo: sermos visto como um grupo de pessoas criativas e corajosas.