Comunicação

Bumblebeat: “Tecnologia muda rápido. Craft permanece”

Produtora de Lucas Sfair e Henrique Tanji foi a mais premiada de 2025 no som, aponta ranking de produção

i 18 de março de 2026 - 11h05

Em seu ano de estreia, a Bumblebleat ficou em primeiro lugar entre as produtoras de som mais premiadas de 2025, com 2 Grand Prix, 8 Ouros, 11 Pratas e 14 Bronzes, segundo ranking do Meio & Mensagem. Fundada em setembro de 2024, a empresa paulista nasceu como um estúdio de creative áudio, com foco em craft.

Lucas Sfair e Henrique Tanji, fundadores da Bumblebeat - produtora de som

Lucas Sfair e Henrique Tanji, fundadores da Bumblebeat, acreditam no olhar para o craft como diferencial (Crédito: Divulgação)

Para Lucas Sfair, sócio-fundador da Bumblebeat, o “som é invisível, mas, quando o craft é real, ele aparece nos resultados”. Além dele, a liderança da produtora é compartilhada com o maestro e pianista Henrique Tanji, fundador da Ritmika.

A estrutura é enxuta, com um núcleo criativo central e uma rede internacional de músicos, sound designers e engenheiros de áudio. “Isso nos permite trabalhar em projetos globais mantendo algo que consideramos essencial: proximidade real com cada peça que produzimos. Preferimos crescer em impacto, não em organograma”, diz Sfair, ex-diretor criativo e cofundador da Canja.

Grande parte do trabalho da produtora acontece em colaboração direta com agências internacionais, tendo no portfólio campanhas para Nike, McDonald’s, Google, Coca-Cola e BMW. Os projetos globais, inclusive, são os responsáveis centrais pelo crescimento acelerado, mas, segundo Tanji, existe um equilíbrio saudável com as demandas totalmente brasileiras.

“Quando o trabalho começa a circular fora do País, as fronteiras criativas desaparecem rapidamente”, diz Tanji. Entre os cases importantes de 2025 estão “The Snowball”, da FCB Health Nova Iorque para Safe Project; “Gavião Kyikatejê”, da Area 23 para Givião Kyikatejê FC; e “In transit”, também da Area 23 para Callen-Lorde.

Na entrevista a seguir, Sfair e Tanji falam sobre os desafios internacionais enfrentados pelas produtoras brasileiras, além de comentarem as estratégias para driblar essas questões.

Meio & Mensagem – Quais são os pilares de investimento da Bumblebeat?
Lucas Sfair – Nosso principal investimento não é equipamento, é gente. A Bumblebeat funciona como uma plataforma criativa que conecta compositores, sound designers e engenheiros de áudio em diferentes partes do mundo. Também temos investido bastante em formatos de áudio imersivo, produção musical híbrida e novas formas de integração entre música original, voz e design sonoro. No fim das contas, tecnologia muda rápido. Craft permanece.

M&M – Como a produção brasileira se diferencia em projetos internacionais?
Sfair – O Brasil sempre teve uma cultura muito forte de craft em publicidade, especialmente em música. Existe uma tradição de tratar trilha sonora não apenas como fundo, mas como parte narrativa da peça. Lá fora, isso é percebido como um diferencial criativo real. Hoje, o fator decisivo não é custo competitivo, mas é repertório cultural, sensibilidade musical e capacidade de resolver problemas criativos com rapidez.

M&M – Para vocês, quais os maiores desafios para o crescimento internacional das produtoras brasileiras?
Henrique Tanji – O principal desafio ainda é visibilidade. Existe talento suficiente no Brasil para competir globalmente, mas, muitas vezes, as produtoras ainda não fazem parte do radar inicial das grandes agências internacionais. Os festivais acabam funcionando como um atalho para isso. Quando o trabalho aparece, as conversas começam.

M&M – Quais são os próximos passos da produtora?
Tanji – Nosso plano é simples. Queremos continuar aumentando o impacto do trabalho, expandir ainda mais a presença em campanhas globais, explorar projetos culturais e desenvolver experiências sonoras que vão além da publicidade tradicional. A prioridade continua sendo a mesma desde o primeiro dia: manter um padrão alto de craft. No final, som é invisível, mas, quando é bem-feito, todo mundo percebe.