Marketing

Com TikTok Shop e marketplaces, Magic Beauty prepara salto

Marca focada em produtos capilares, fundada por Amanda Piquet (ex-L’Oréal), surgiu aliando “nível internacional” às especificidades das brasileiras e cresce com diversificação de canais e comunicação digital

i 24 de fevereiro de 2026 - 6h00

Magic Beauty campanha Curly Club

Campanha da linha Curly Club, que se tornou líder de vendas meses após o lançamento (Crédito: divulgação)

 

Após uma década trabalhando no Grupo L’Oréal, onde cuidou de marcas como L’Oréal Professionel, Kérastase e Garnier, Amanda Piquet trocou uma carreira promissora, “que tinha desenhos para o futuro” para iniciar uma jornada própria.

O que a motivou a deixar o cargo de head de marketing de Kérastase para empreender foi o que via como uma lacuna de mercado: desenvolver um produto que tivesse nível internacional em qualidade e performance, mas conhecesse a fundo o cabelo das brasileiras e tivesse um preço “um pouco mais competitivo” que o de marcas do segmento. Assim nasceu, em 2019, a Magic Beauty.

O nome foi idealizado pela fundadora, assim como todo o conceito por trás da marca: “Sempre fui da área de marketing, sempre gostei muito de branding, rapidamente toda essa ideia veio na minha cabeça e confesso que não foi uma escolha tão difícil, porque para mim magia e beleza são conceitos que se conectam o tempo todo. Ambos falam de fascinação, de encantamento. E a vida é muito mais bonita quando as pessoas encontram magia nas pequenas coisas.”

Expertise aplicada

Apesar do susto de fundar uma marca e logo em seguida enfrentar as turbulências da pandemia de Covid-19, Amanda avalia a decisão como “a melhor” da sua vida.

Todos os produtos são testados exaustivamente no Brasil, segundo ela, em diferentes tipos de cabelo, até que cheguem a um patamar considerado de excelência. “Não valido nenhum produto aqui que eu mesma não usaria no meu cabelo e eu sou bastante exigente. Até pela oportunidade de ter vivido com marcas de alto padrão, na minha carreira”, explica.

Com nove linhas de produto e 59 SKUs no portfólio, hoje, a linhasmais recente da marca é a Curly Club, para cabelos cacheados, lançada mesmo após a onda de retrocesso de algumas marcas na agenda DEI.

“Falar de cachos nesse mercado de cabelos não deveria ser visto como falar de inclusão, deveria ser visto como falar de protagonismo, porque as mulheres cacheadas são protagonistas”, pontua Amanda, acrescentando a informação de que o País é o maior consumidor de produtos para cachos do mundo.

Magic Beauty - Curly Club - Produto

Qualidade dos ingredientes e cuidado com apresentação dos produtos foram pontos de atenção no desenvolvimento (Crédito: divulgação)

A linha Curly Club levou quase dois anos para ser desenvolvida, contando com a participação de cerca de 250 consumidoras, além das próprias cacheadas da equipe da Magic Beauty. Entre os principais insights vieram o desejo por ver tecnologia e inovação também aplicadas a cabelos cacheados, fugindo de um lugar comum de desenvolver produtos que iam mais na linha de “receitinhas caseiras”. E o investimento na apresentação dos produtos com design de embalagem mais sofisticado. Outro ponto relevante era descomplicar rituais.

Isso tudo faz Amanda resumir em três palavras os objetivos que guiaram o desenvolvimento de Curly Club: praticidade, sofisticação e performance. E o resultado é que a linha se tornou a mais vendida, poucos meses após chegar ao mercado.

Planos de expansão

Desde o lançamento da Magic Beauty, a marca e suas linhas têm sido comunicadas predominantemente no digital, buscando um relacionamento direto com a comunidade em torno da qual o negócio tem se expandido. “É o que faz o nosso branding reverberar e a nossa percepção de valor ser compartilhada”, diz Amanda.

Como reforço, a empresa – atendida pela Prosa, agência de influência especializada em beleza e pela AdWorks, de mídia digital, especialista em tráfego pago – trouxe a influenciadora Duda Reis como embaixadora, escolha explicada pelo fato de se tratar de uma grande comunicadora, com milhões de seguidores e que ajudou a trazer awareness à empresa, personificando seus valores. O contrato com Duda foi, inclusive, renovado até o final deste ano.

Amanda Piquet - fundadora da Magci Beauty

Amanda Piquet, fundadora da Magic Beauty: de uma carreira promissora em multinacional à crença em um projeto empreendedor (Crédito: divulgação) 

Em 2026, a meta é maximizar essa força no digital, mas também no off-line, especialmente em salões de beleza que são um ponto de contato importante para a categoria de hair care. Por isso, o plano é fortalecer a comunicação em loja de forma bastante estratégica.

Hoje, os salões, ao lado de perfumarias e do e-commerce próprio, são os principais canais de distribuição dos produtos, mas o que mais cresceu de forma orgânica em 2025. Outras portas que se abrirão para 2026 são o TikTok Shop e a expansão para marketplaces, que começam a ser explorados a partir de março.

Sem abrir números absolutos, Amanda afirma que desde o lançamento, a Magic Beauty tem crescido em duplo digito anualmente – de 2024 para 2025, o previsto era um salto de 50%. E este ano o objetivo é dobrar o faturamento, com base, de um lado, num plano de expansão off-line ambicioso, com ingresso em novas redes de perfumaria e salões e, de outro, expandindo as vendas online nos citados TikTok Shop e marketplaces, assim como fortalecendo o e-commerce próprio.

“Diria que a gente ainda tem um espaço grande para caminhar no haircare, um compromisso muito grande e muito sério com excelência no que fazemos e um caminho muito promissor para seguir”, responde Amanda ao ser questionada sobre o futuro em novas categorias de produtos.

Mas não esconde que, quando isso vier a acontecer, sem o risco de fragilizar o negócio principal, uma primeira categoria relevante no mercado local é de skincare, que pare ela não está nem “na metade do potencial” no País. Além disso, é uma seara na qual poucas marcas nacionais arriscam a entrar em alto nível.

“As que fazem, fazem um excelente trabalho, mas vejo como uma grande oportunidade diante de mercados como o asiático e o europeu, muito mais evoluídos do que o Brasil. Então, olhando para o futuro, como oportunidade e lacuna de oferta de produto, acho que isso teria um match muito grande com a marca, com o nosso portfólio”, analisa.