HQs chegam ao mundo do streaming

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Mídia

HQs chegam ao mundo do streaming

Recém-criadas, as plataformas Cosmic e Social Comics querem revolucionar a forma como os brasileiros lêem histórias em quadrinhos

Luiz Gustavo Pacete
8 de setembro de 2015 - 2h14

Quem já tentou começar a acompanhar histórias em quadrinhos e buscou certa linearidade para organizar a leitura percebeu que no mundo das HQs a iniciação não é fácil. A diversidade de histórias, coleções, ilustradores e roteiristas faz da indústria dos quadrinhos um desafio aos leitores de primeira viagem. Pensando nesta demanda e também naqueles que já são fãs, mas precisam recorrer às plataformas estrangeiras, duas iniciativas se propõem a oferecer HQs no formato streaming, assim como o Netflix para séries e filmes e Spotify para a música.

Lançada em julho, a Cosmic quer ser o Netflix dos quadrinhos. A plataforma oferece um acervo de HQs que pode ser acessado via PC, tablet ou celular por uma mensalidade de R$ 15,90. “O impresso serviu de base para os quadrinhos se desenvolverem, mas queremos explorar outras possibilidades dessa linguagem. Criamos um suporte que abrigue os quadrinhos no digital, entenda suas necessidades e entregue as obras ao leitor com muita comodidade”, afirma Ramon Cavalcante, co-idealizador do Cosmic.

Na semana passada, foi anunciada a criação de outra plataforma para o mesmo público, a Social Comics. Essa, por sua vez, se propõe a ser o Spotify dos quadrinhos. Por um valor mensal de R$ 19,90, quem se inscreve no aplicativo Social Comics pode acessar as mais de 800 histórias em quadrinhos no formato digital para ler no PC ou mobile.

Com gratuidade de 14 dias para novos inscritos, o Social Comics já nasce com obras antigas e inéditas de autores independentes, além de exemplares das maiores editoras do gênero do país, como a Devir, a JBC, a Mythos e a HQM. “Além de criar um serviço de assinatura de quadrinhos, a grande sacada do Social Comics está na habilidade do trabalho realizado junto aos artistas, às empresas do ramo e, principalmente, aos fãs de HQs. Essa expertise é o que nos distingue”, ressalta João Paulo Sette, CEO do Social Comics e COO da CCXP – Comic Con Experience, o maior evento de cultura pop da América Latina. 

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Uma opção à pirataria

George Pedrosa, co-fundador do Comics, explica as necessidades da demanda em potencial da indústria dos quadrinhos:

Meio & Mensagem – Qual o tipo de demanda que o Comics pretende atender?
George Pedrosa –
Nós queremos alcançar um público que é sedento por quadrinhos mas não se sente contemplado pelas opções de venda atuais. Quadrinhos, principalmente em sua forma impressa, são uma mídia cara e nem todas as pessoas podem pagar pelo volume de quadrinhos que desejam ler. Esse público, infelizmente, muitas vezes acaba migrando para a pirataria. Oferecendo uma plataforma acessível e barata, queremos alcançar essas pessoas e oferecer uma alternativa para remunerar seus autores e editoras preferidos. Além disso, queremos expandir o público consumidor de HQs e conquistar pessoas que normalmente não têm acesso a essa mídia.

M&M – O mercado de quadrinhos dificulta a entrada de novos consumidores? Por que ele parece tão confuso para alguém que quer começar a ler?
Pedrosa –
Por sua grande diversidade de gêneros, estilos e autores. O gênero que durante muito tempo foi o mais popular, o de super-heróis, é marcado por narrativas serializadas que duram décadas. Isso acaba gerando uma cronologia rebuscada que intimida muitos potenciais leitores. Porém, os quadrinhos também têm muitas narrativas fechadas de alta qualidade, com começo, meio e fim bem delimitados, que podem ser usadas para introduzir novos leitores a essa mídia. A recente popularização das séries de televisão também tem demonstrado que há público para narrativas serializadas duradouras e uma das metas do Cosmic é organizar e facilitar o acesso a essas narrativas pelos usuários.

M&M – Vocês se inspiraram em quais projetos internacionais?
Pedrosa –
Nossa principal inspiração são os serviços de streaming de outras mídias, como Netflix, Spotify e Deezer. Nos inspiramos no modelo de assinatura e na disponibilização de um acervo vasto de obras, mas também adotamos uma série de mudanças para potencializar o mercado dos quadrinhos, os autores e o seu público alvo, como a distribuição de 70% dos valores das assinaturas para os autores e editoras cadastrados na plataforma e a opção de usar nosso aplicativo como um leitor gratuito para os quadrinhos que o usuário já tem no computador.

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