YouTube Music no Brasil acirra a corrida das playlists

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YouTube Music no Brasil acirra a corrida das playlists

Google anuncia a chegada do serviço ao mercado brasileiro uma semana após a Vivo informar parceria com a Tidal e em meio ao crescimento de Spotify, Deezer e Apple Music

Luiz Gustavo Pacete
26 de setembro de 2018 - 8h00

Chegou ao Brasil, nesta terça-feira, 25, a versão em português do YouTube Music, streaming de música do YouTube. Com uma assinatura mensal de R$ 17, o Music concorre diretamente com players como Spotify, Apple Music e Deezer. Disponível em 21 países, o serviço terá no Brasil até sete mil playlists.

De acordo com Sandra Jimenez, head of music do YouTube, o serviço de streaming é feito para ouvir música, mas com o adicional de remixes, performances ao vivo, covers e vídeos musicais. “Nosso objetivo é oferecer uma experiência fácil de usar que conhece seu gosto musical, hábitos e lhe serve música para ouvir, o que faz o que você está fazendo melhor. Para fazer isso, nos baseamos no que aprendemos com o Google Play Música, incluindo os investimentos do Google em aprendizado de máquina e no entendimento de seu contexto”, explica Sandra.

Além da chegada do Music ao Brasil, na semana passada a Vivo já havia anunciado uma parceria com o streaming Tidal para trazer ao país o show da cantora Nicki Minaj, nesta quarta-feira, 26, em São Paulo. O Tidal foi criado pelo rapper e produtor Jay-Z. A operadora oferece assinatura de R$ 4,99 por semana, com a semana inicial gratuita para teste, ou R$ 15,99 por mês, com direito a um mês grátis.

Fátima Pissarra, diretora-geral da Music2, empresa que até abril de 2018 gerenciava a Vevo Brasil, explica que o Tidal precisava entrar forte no mercado e que a parceria com a Vivo é estratégica neste sentido. Assim como a Tim já havia feito com a Deezer. “Um parceiro global ajuda demais na estratégia e também no catálogo, mas não devemos esquecer que o mercado de música do Brasil é de cantores brasileiros, então também é necessário olhar com profundidade para os aspectos locais”, afirma Fátima.

Em relação ao YouTube, Fátima reforça que era questão de tempo para que a plataforma investisse desta maneira em música. “Essa movimentação no mercado da música está em uma evolução constante. Tivemos conversas e reuniões com marcas que chegamos a ideias e projetos muito interessantes, mas muitas delas ainda não estão preparadas, um alerta, por exemplo, é que a marca precisa respeitar a questão autoral, não dá para querer lançar um clipe primeiro em seu canal e não no canal do artista”, afirma.

Também nesta semana, o Spotify liberou um novo recurso, em teste nos Estados Unidos, que permite aos artistas e selos independentes realizar o próprio upload de música na plataforma. O recurso permitirá maior agilidade no processo de lançamento de música sem a necessidade de os artistas terem contrato com uma gravadora.

Lucas Patrício, diretor e cofundador da agência GMD, explica que Spotify, Deezer, Tidal e Apple Music definiram as regras e, de alguma forma, forçaram o Google a ser mais agressivo neste segmento. “A resposta do Google reúne o que a empresa tem de melhor, incluindo a marca YouTube – que há anos já é usada para escutar música, mesmo que não sendo realmente adequada para isso. O YouTube Music substitui o Google Play Music, mas carrega o legado e aprendizados do Google. Principalmente a enorme penetração da aplicação nos celulares com Android”, afirma.

Segundo Lucas, o YouTube Music se aproveita da capacidade de machine learning do Google para oferecer um serviço para quem espera receber boas sugestões de músicas e artistas usando todo o ecossistema do Google. “O desafio é atrair usuários que já estão acostumados a consumir o serviço em outras plataformas. Mesmo em meio a um concorrido e já estabelecido mercado, ainda existem diversas oportunidades a serem exploradas”, afirma.

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