Simpsons, 30 anos: fábrica de risos e de marcas

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Simpsons, 30 anos: fábrica de risos e de marcas

Animação recorde de tempo na TV tornou-se famosa também por inspirar produtos reais como Buzz Cola, Tomacco, Radioactive Man e Duff Beer

Amanda Schnaider
29 de maio de 2019 - 16h59

No ar desde 1989, Os Simpsons se tornou a série animada mais longa da história já no ano passado, com a exibição de sua 29ª temporada, batendo Gunsmoke, clássico faroeste exibido entre 1955 e 1975. Nesta quinta-feira, 30, a série estreia sua nova temporada no Fox Channel, assumindo de vez a dianteira desse recorde.

Em seus 30 anos de história, os roteiristas da série fizerem Homer, Marge, Bart, Lisa, Maggie e tantos outros personagens cruzarem com personificações animadas de pessoas reais, fossem artistas, celebridades, políticos, não raro subvertendo acontecimentos pela ótica de seu humor irônico e anárquico. Uma vez que os Simpsons zombaram da realidade, marcas e produtos não poderiam ficar de fora. Dessa forma, a animação tornou-se fonte de diversos casos de reverse product placement: quando um produto da ficção sai das telas e vai para a vida real.

Loja Kwik-E-Marts localizada em Seattle, durante a promoção de “Os Simpsons: O filme” (crédito: flicker/rdr07)

Kwik-E-Mart
Em 2007, para promover Os Simpsons: O Filme, a 7-Eleven transformou uma dúzia de suas lojas em Kwik-E-Marts, mercadinho gerenciado pela personagem Apu, na série animada. De acordo com a Fox News, as 12 lojas da franquia da América do Norte venderam itens que até então só existiam na ficção, como Buzz Cola, produzido pela Cott Corporation, empresa que fabrica o RC Cola; cereal KrustyO’s, produzido pela Malt-O-Meal Co e Squishees, imitação de Slurpees, bebida gaseificada congelada, vendida nas 7-Elevens.

As lojas transformadas em Kwik-E-Marts estavam localizadas em Nova York, Chicago, Dallas, Denver, Burbank, Los Angeles, Henderson, Orlando, Mountain View, Seattle e Bladensburg, além de uma no Canadá.

A ideia da ativação surgiu de conversas entre a Fox e a FreshWorks, agência de propaganda da 7-Eleven, do Omnicom Group. “Queríamos garantir que o filme se destacasse como um verdadeiro evento cultural neste verão”, disse Lisa Licht, vice-presidente de marketing da Fox, à época. “Tem que se destacar de outros filmes de verão e programas de TV.”

Squishees, imitação de Slurpees, bebida gaseificada congelada, vendida nas 7-Eleven (crédito: flicker/rdr07)

A executiva de marketing da 7-Eleven disse à Fox News que a Duff Beer, marca de cerveja fictícia da série, não seria vendida na loja, pois a classificação do filme era de 13 anos e não seria adequado. “Essa foi uma decisão difícil, mas queremos ter certeza que tenha sido boa e responsável”, reforçou.

Esta ação durou somente um mês, mas em 2018 – para a alegria dos fãs da série –, o Kwik-E-Mart ganhou uma versão permanente na cidade turística de Myrtle Beach, Carolina do Sul, Estados Unidos, segundo informações do Estadão. Além de o estabelecimento ter uma fachada que imita a do desenho, o local também conta com produtos que aparecem na série, como Duff Beer, Buzz Cola, Lard Lad Donuts, Squishee, e itens oficiais como pelúcias, ímãs e roupas. O mercadinho funciona junto ao Aztec Theater, também presente na série animada, com experiência 4D dos Simpsons.

Radioactive Man lançado pela Bongo Comics Group (crédito: Reprodução/Amazon)

Radioactive Man
Em 1991, Matt Groening criou, junto aos amigos de infância Steve e Cindy Vance, a revista Ilustrada dos Simpsons, que continha histórias em quadrinhos escritas e ilustradas por eles e Bill Morrison. Já em 1993, a mesma equipe produziu as histórias em quadrinhos dos Simpsons Comics & Stories, que fez com que Matt criasse a própria empresa de quadrinhos, a Bongo Comics Group.

A companhia lançou uma série de quadrinhos, como Itchy e Scratchy Comics, Bartman, Simpsons Comics e, em especial, Radioactive Man, inspirada no super-herói favorito de Bart Simpson. A edição 711 do quadrinho, que contava com 32 páginas, foi vendida nos 7-Elevens transformados em Kwik-E-Marts, durante a promoção do filme da série animada.

Tomacco
Outro produto inspirado na série animada e lançado na vida real foi o Tomacco, uma combinação entre a planta do tabaco e do tomate. Segundo a Wired, Rob Baur, analista de operações de uma estação municipal de tratamento de águas residuais, de Oregon, tinha o desejo de dar vida ao seu episódio favorito “E-I-E-I-(Annoyed Grunt)”, de 1999, em que Homer cultiva o “tomacco” que, apesar de ter gosto ruim e ser pegajoso, se torna viciante, deixando-o rico.

De acordo com o veículo, Baur enxertou uma planta de tomate em raízes de tabaco para dar origem a combinação, que chegou a dar frutos, embora seu criador acreditasse que o tomacco fosse venenoso por conter uma quantidade letal de nicotina. A Wired conta que a junção é possível, pois as duas plantas vêm da mesma família, da qual também pertencem a berinjela e a beladona.

Para atestar sua invenção, Baur pediu que Roy Grimsbo, cientista forense e diretor da Intermountain Forensic Laboratories, realizasse testes na constituição da planta, que constataram que as folhas da planta continham, de fato, nicotina. O criador, contou a Wired, que sua inspiração veio de um estudo de 1959 que leu em uma aula de química na Western Washington University, no qual pesquisadores cruzavam um tomateiro com tabaco.

Cerveja Duff na área temática dos Simpsons no parque Universal Studios Florida (Crédito: Ricky Brigante/Inside the Magic/Creative Commons)

Duff Beer
Um dos produtos mais famosos dos Simpsons – que não poderia estar de fora desta lista – é a Duff Beer. Conhecida na série por ser uma paródia da típica cerveja popular americana: barata, de baixa qualidade e produzida em massa, a Duff é a marca preferida de Homer Simpson. Por ser tão conhecida, existe uma lista de empresas, não filiadas à 21st Century Fox – produtora da série –, que usaram o nome Duff Beer, sem autorização.

De acordo com a Veja, a Fox nunca autorizou qualquer cervejaria a usar o nome da cerveja fictícia, mas uma brecha legal permitiu que a marca fosse registrada fora dos Estados Unidos. Foi assim que, em 2007, Rodrigo Contreras, empresário mexicano, lançou a Duff na Espanha, em parceria com a cervejaria belga Haacht Brewery. A marca veio para a América do Sul em 2009, com a criação da Duff Sudamérica, sediada na Colômbia. Em território nacional, os direitos de produção foram adquiridos pela Duff do Brasil, sendo fabricada pela cervejaria SaintBier (mesma produtora da Coruja), embora ela tenha descontinuado a marca há alguns anos.

Em 2013, uma versão oficial da Duff Beer começou a ser vendida na Universal Studios Florida, em uma réplica da Taverna do Moe e na Duff Brewery. Já em 2015, segundo informações do The Wall Street Journal, a 21st Century Fox começou a vender cerveja licenciada Duff no Chile, com o objetivo de eliminar o brandjacking – termo que define quando alguém ou alguma empresa adquire ou assume a identidade de outra marca. Por fim, em 2016, a Duff Beer foi eleita umas das 18 empresas fictícias mais influentes de todos os tempos, pela revista Times.

 

 

*Crédito da imagem no topo: flicker/rdr07

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