Em novo estilo, programas de variedades voltam à TV

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Em novo estilo, programas de variedades voltam à TV

Retorno de Conversa com Bial, da Globo, e de atrações do SBT marcam um redesenho das atrações de auditório ao contexto da pandemia

Taís Farias
15 de maio de 2020 - 6h00

Pedro Bial: “Queremos ser um momento de alívio, mas também de reflexão mais aprofundada sobre o que estamos passando e para onde estamos apontando” (Crédito: Globo/ Divulgação)

Ainda em março, quando as medidas de combate ao coronavírus começaram a ser tomadas e o governo decretou o fechamento do comércio não essencial, as emissoras de televisão acataram as normas de segurança e deram início a um movimento nunca antes visto. Gravações foram suspensas, campeonatos esportivos postergados e o jornalismo ganhou mais tempo na grade. Agora, programas de variedades, que antes contavam com auditório, começam a ser redesenhados para voltar à rotina dos canais.

Na Globo, a primeira atração a testar um novo formato foi o Encontro com Fátima Bernardes. O programa voltou ao ar em 20 de abril, com a apresentadora sozinha no estúdio e participações de convidados por videoconferência. A atração recebeu reforço de Ana Maria Braga, com receitas de sucesso já exibidas no matinal.

A volta dos programas de variedades é uma tentativa de mesclar a abordagem informativa, com entretenimento para o público da TV. “Nesses tempos de pandemia, nossos programas estão conseguindo divertir, informar e ajudar as pessoas a se adaptar às novas rotinas. O sucesso da volta de Fátima e Ana Maria Braga, em um formato diferente, sinaliza que estamos atingindo o objetivo de sermos cada dia mais relevantes para o público, ao mesmo tempo em que, oferecemos novas oportunidades para os nossos anunciantes”, explica Mariano Boni, diretor de variedades da Rede Globo.

Ratinho volta ao ar sem plateia (Crédito: divulgação)

O SBT também planeja a retomada das atrações. “Naturalmente todas as emissoras reforçaram suas pautas na cobertura da pandemia, mas, aos poucos, o entretenimento começa a ter muito valor para quem está isolado, e precisamos responder a isso também”, conta José Roberto Maciel, CEO do SBT. Na emissora, o plano de retomada das atrações passa por um planejamento aberto com análise dos programas de maior ou menor dependência da interação de um auditório e a estratégia de cada estado para a retomada das atividades.

Duas das atrações da emissora já estão com a volta agendada. O Programa do Ratinho volta a ser exibido a partir desta segunda-feira, 18, sem a plateia e com a equipe de produção reduzida. O mesmo acontece com o talk show The Noite, com Danilo Gentili, que deve voltar a exibir suas entrevistas inéditas a partir do próximo dia 25. De acordo com o site Notícias da TV, o Domingo Legal irá experimentar um novo formato de plateia. A atração de Celso Portiolli mostrará, nesse domingo, 17, uma plateia virtual, com pessoas ‘assistindo’ ao programa através de telões.

Conversa de volta
A Globo desenhou um Protocolo de Segurança para uma futura retomada das atividades, com recomendações que vão de cuidados na pré-produção até a logística de alimentação e transporte dos envolvidos. Na próxima segunda-feira, 18, é a vez do Conversa com Bial voltar à programação. Em novo formato, o programa será gravado da casa do apresentador, que conversa com os entrevistados por videoconferência, em programas de 30 minutos. Em entrevista, Pedro Bial falou sobre a experiência de produzir a atração de maneira remota e o legado da pandemia para a comunicação:

M&M – Como tem sido a experiência de desenvolver um programa de entrevistas gravado por videoconferência? Qual a expectativa? 

Pedro Bial – É uma experiência muito desafiadora, mas, ao mesmo tempo, muito inspiradora. Combinar e ver o tamanho da intersecção possível, a partir do diálogo entre a linguagem da Internet, quando encontra a linguagem da televisão, e entender o que a gente pode tirar disso, está sendo uma experiência exploratória. Eu acredito que vai ser uma daquelas coisas que permanecem. Ao fim da pandemia podemos ter algumas transformações da linguagem audiovisual, na TV e na Internet, por causa dessa combinação que está rolando em todo o jornalismo mundial e nos programas de televisão, não só de auditório.

A minha expectativa é que a gente tenha agilidade e faça um trabalho direito para que o programa se torne uma espécie de ponto de encontro dos confinados. Todo mundo em sua casa, mas que seja um lugar onde a gente possa se encontrar, se sentir acolhido para pensar, refletir e até lidar com notícias e informações, mas não de uma maneira áspera. Queremos ser um momento de alívio, mas também de reflexão mais aprofundada sobre o que estamos passando e para onde estamos apontando.

M&M -Em sua opinião, que legado esse contexto de pandemia deve deixar para a comunicação?

Pedro Bial – Eu creio que todas as perguntas sobre legado, previsões e projeções são uma necessidade que todos temos de pensar que teremos um depois, um futuro e que vamos passar por isso. O que a gente já tem, e eu acho que isso não pode ser perdido, é a reafirmação dos meios de comunicação, com o seu papel crucial e central nas relações e na sociedade. A televisão se reafirma, principalmente a TV aberta, como uma base para a nação se espelhar e se inspirar. E o jornalismo também, docemente vingado de tantos ataques que vinha sofrendo e que ainda sofre, mas que estão cada vez mais desmoralizados, já que todos, até aqueles que o acusam, giram em torno do que a indústria jornalística produz, dos fatos organizados de maneira hierárquica, clara e rápida.

*Crédito da foto no topo: Reprodução 

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