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Como o Lollapalooza se reinventa ano após ano

Edição de 2026 terá público rejuvenescido, com música no centro das estratégias para marcas parceiras

i 19 de janeiro de 2026 - 14h13

Neste ano, o Lollapalooza acontece nos dias 20, 21 e 22 de março, no Autódromo de Interlagos, e terá um público rejuvenescido.

Dados da organização do festival mostram que, na edição de 2026, 81% da audiência tem até 34 anos, e o destaque vai para a faixa de 25 a 34 anos. No ano passado, a presença dos participantes era distribuída até os 44 anos.

Lollapalooza

(Crédito: Divulgação/Ariel Martini)

A mudança é atribuída a um line-up mais jovem e conectado à geração Z: subirão ao palco nomes como Sabrina Carpenter e Chappell Roan, além do grupo sul-coreano RIIZE, este no pré-evento do festival, no dia 19 de março.

Ainda que o público de até 34 anos já seja, historicamente, maioria no festival, alguns anos contam com uma safra de artistas mais forte junto a essa faixa etária que outros, aponta Marcelo Beraldo, diretor artístico do Lollapalooza Brasil, que salienta a música como ponto focal da curadoria de artistas, parcerias e outras iniciativas voltadas para a audiência.

O hall de marcas conta com Fiat, Budweiser e Flying Fish, ambas da Ambev, como patrocinadores master, enquanto Bradesco é o meio de pagamento oficial. Nas demais cotas estão Vivo, Coca-Cola, McDonald’s e Sadia. Já os apoiadores são Olla, Risqué, Pague Menos, Airbnb e Cielo, além de outros parceiros e mídia, conteúdo, mobilidade e telecomunicações.

Uma das novidades deste ano foi o Lolla Lovers, programa de fidelidade que combina preço competitivo com benefícios em parcelamento, descontos e isenção de taxas. Também prevê entrada preferencial no evento e um pôster comemorativo do Lollapalooza Brasil 2026. A organização ainda promete mais novidades para a comunidade no ano que vem.

Na entrevista abaixo, o diretor artístico do Lolla comenta inovações no festival, estratégias voltadas para comunidades e a importância da música na construção de experiência.

Meio & Mensagem – Como avalia a evolução dos formatos que aliam conteúdo, serviço, entretenimento e relacionamento? Quais os destaques em inovações que devemos ver no festival deste ano, nesse sentido?

Marcelo Beraldo – De certo modo, o uso de novas tecnologias e formatos já quase que virou algo corriqueiro, então acho que as maiores inovações mesmo servirão ao propósito de voltar às origens e à própria razão de ser da música ao vivo em si. A cada ano as ativações, por exemplo, se destacam e criam novas formas originais de intersecção com o público, mas, do nosso lado, nós preferimos e pedimos às marcas que toda e qualquer ativação seja, de fato, focada nos elementos centrais do que estamos fazendo aqui – a música e os fãs. Reconhecimento facial, mapas de calor e fluxo de gente, interações real time via celular, realidades aumentadas etc –. tudo já foi, e será cada vez mais, adotado pelos artistas, produtores e fãs, mas enfatizamos que o que dá sentido a tudo isso é quando essas ferramentas têm a música como âncora e objetivo central.

M&M – Quais são os principais atributos trabalhados em espaços como um festival de música, quando o assunto é aumentar tempo de permanência, engajamento e memória afetiva?

Beraldo – O principal mesmo é a música, tudo gira ao redor dela. Se houver um line-up representativo do que o público quer ver ao vivo, muitas vezes pela primeira vez, o resto são complementos vitais para tornar a experiência inesquecível. Banheiros sem fila, transporte de qualidade, facilidade para se alimentar e se hidratar, informação fácil, interação com pessoas que têm gostos e objetivos semelhantes, tudo isso ajuda a compor o cenário ideal para que a magia da música ao vivo aconteça.

M&M – Para 2026, o público de até 34 anos será maioria na audiência. A mudança do line-up foi planejada para atrair a geração Z?

Beraldo – Não necessariamente, o público até 34 anos sempre foi a maioria no Lolla, apesar da faixa acima disso ser bastante representativa também. Não acho que houve uma mudança tão grande na verdade. O Lolla sempre foi o Lolla, mas em alguns anos temos uma safra de artistas mais forte do que em outros.

M&M – Quais são as demais estratégias não apenas para atrair este público, mas manter o relacionamento?

Beraldo – Sem querer ser repetitivo, mas sendo, o nosso foco principal é a música. Além dela, criamos uma espécie de plano de incentivos para aqueles muitos que não necessariamente são fãs de uma ou outra banda, mas que são os verdadeiros fãs do festival – o LollaLovers. Essa comunidade, daqueles que, antes de tudo, amam a experiência do festival, independente de quem toca, merece tudo que possamos fazer por eles e por sua assiduidade, não apenas porque são fundamentais para o negócio, mas também porque nós mesmos, que trabalhamos no Lolla, também somos o que chamamos de festivaleiros. Eu, por exemplo, sempre fui a festivais, mesmo antes de imaginar um dia trabalhar com isto. Somos uma comunidade real e legítima.

M&M – E o que essa mudança significa para as marcas patrocinadoras e apoiadoras do festival? De alguma forma altera as estratégias de cocriação em relação a anos anteriores?

Beraldo – Sim, nós tentamos fazer com que as marcas também embarquem no mesmo propósito que a gente – unir as pessoas para celebrar a vida, através da música ao vivo. Quanto mais conseguirmos convencer as marcas a serem nossas aliadas de verdade, e se imbuírem desse mesmo objetivo, mais queridas essas marcas serão.

M&M – O entretenimento e a música ganham nova tônica em um ano como 2026, com mais distrações devido a eventos como Copa do Mundo e eleições, por exemplo?

Beraldo – As pessoas sempre continuarão ávidas por entretenimento ao vivo e música ao vivo. No máximo, um ano com calendário repleto, gera mais competição pelo dinheiro e atenção das marcas e fãs, mas sempre haverá anos assim. A longevidade do negócio não dependerá de um calendário “vazio”.