E-commerce brasileiro fatura R$ 208,4 bilhões no 1º semestre
Pedidos avançam 34,8%, enquanto tíquete médio recua 13,3%; setor projeta R$ 462,5 bilhões em 2026

E-commerce: Saúde liderou o crescimento no semestre, enquanto a Copa impulsionou as vendas de televisores e vestuário esportivo (Créditos: Shutterstock)
O e-commerce brasileiro faturou R$ 208,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 16,9% em comparação com o mesmo período do ano passado. Entre janeiro e junho, foram realizados 756,7 milhões de pedidos, alta de 34,8%.
O avanço das vendas, porém, foi acompanhado pela redução do valor das compras. O tíquete médio caiu 13,3%, para R$ 275,50, enquanto a quantidade média de itens por pedido passou de 2,25 para 1,97, recuo de 12,4%.
Os dados integram o estudo “Da Compra à Confiança – Panorama do e-commerce brasileiro no primeiro semestre de 2026”, elaborado pela Confi, por meio da Neotrust e da Aftersale, em parceria com o E-commerce Brasil. Divulgado na última terça-feira, 28, durante o Fórum E-commerce Brasil, o levantamento considera transações de mais de sete mil lojas e informações sobre as compras e o perfil de mais de 85 milhões de consumidores digitais.
Mais recorrência e pressão sobre a operação do e-commerce
Segundo o estudo, a diferença entre o crescimento do número de pedidos e a queda do tíquete médio indica que a expansão do setor foi sustentada principalmente pelo aumento da frequência de compra, e não pela formação de carrinhos maiores.
“O avanço no faturamento do e-commerce foi sustentado principalmente pelo aumento da frequência de compras. Os consumidores passaram a fazer mais pedidos, com menos produtos por transação e menor tíquete médio, indicando uma migração para compras mais recorrentes e planejadas ao longo do semestre”, afirma Pedro Chiamulera, CEO da Confi.
Para Léo Bicalho, head da Neotrust, esse comportamento também aumenta a complexidade das operações. A maior recorrência exige mais processos de separação, embalagem, entrega, atendimento e gestão de trocas, ampliando a pressão sobre a cadeia logística.
Saúde lidera crescimento por categoria
Moda e Acessórios permaneceu como a categoria de maior faturamento, com R$ 19,3 bilhões, seguida de perto por Eletrodomésticos, com R$ 19,2 bilhões. Saúde movimentou R$ 15,5 bilhões, enquanto Eletrônicos e Telefonia registraram R$ 14,4 bilhões e R$ 14 bilhões, respectivamente.
Saúde, por sua vez, apresentou o maior crescimento do semestre, de 45,8%. O resultado foi impulsionado pelas canetas emagrecedoras, que movimentaram R$ 6,1 bilhões e tiveram alta de 213%. Casa e Construção cresceu 26,9%; Moda e Acessórios, 23,1%; e Esporte e Lazer, 20,9%.
Maio foi o mês de melhor desempenho, com faturamento de R$ 38 bilhões. O principal pico diário ocorreu em 5 de maio, quando as promoções da data dupla, combinadas à proximidade do Dia das Mães, resultaram na venda de 12,2 milhões de itens e em uma receita de R$ 1,88 bilhão.
Copa impulsiona TVs e vestuário esportivo
A Copa do Mundo também influenciou as compras realizadas no período. O faturamento da subcategoria de televisores chegou a R$ 9,2 bilhões, crescimento de 28,9%, com aumento da procura por telas entre 50 e 59 polegadas.
As vendas de aparelhos com mais de 70 polegadas avançaram 165,1%, ao mesmo tempo que modelos de até 32 polegadas perderam participação. No vestuário esportivo, o faturamento cresceu 139,3%, para R$ 1,9 bilhão.
Somente as camisas esportivas movimentaram R$ 1 bilhão, alta de 73,7%. Após o lançamento do uniforme oficial, a participação da camisa da seleção brasileira nas vendas da categoria passou de 5,1% para 48,7%.
O evento também movimentou o mercado de colecionáveis. Mais de 82 mil álbuns e 720 mil pacotes de figurinhas foram comercializados no semestre.
Setor projeta R$ 254 bilhões no segundo semestre
Para o segundo semestre, a estimativa é que o comércio eletrônico movimente R$ 254 bilhões, resultado 20% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Caso a projeção se confirme, o faturamento anual do setor chegará a R$ 462,5 bilhões, com crescimento de 18,6%.
Na avaliação de Bruno Pati, CEO do E-commerce Brasil, a capacidade de atrair consumidores deixa de ser suficiente diante do aumento da recorrência e da complexidade operacional. “A vantagem competitiva deixa de estar apenas na aquisição de clientes e passa a depender da capacidade das empresas de executar bem toda a jornada, da experiência de compra ao pós-venda”, afirma.