O planejamento ainda não caiu na rede

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Ponto de vista

O planejamento ainda não caiu na rede


28 de abril de 2011 - 10h33

Nos últimos anos tem crescido entre empresas e agências a consciência de que é preciso estar na web e ter atuação expressiva nas redes sociais. Essa consciência tem provocado uma corrida maluca. Infelizmente com muitos acidentes de percurso, derrapadas nas curvas e acidentes com vítimas.
 
O raciocínio de estar nas redes sociais suplanta a pergunta dos motivos que levariam as empresas a isso. Todos dizem que a web é uma ferramenta. O que temos visto, na enorme maioria dos casos, é que estão vendendo ferramentas e não seus benefícios.

Ter uma estratégia para a web é antes de tudo ter uma estratégia. Isso significa ter um planejamento. Pasmem. Acham que o planejamento mudou com a chegada das redes sociais como se elas eliminassem a existência das pessoas. Uma ferramenta não muda o planejamento. Pode mudar o comportamento das pessoas e isso sim muda o planejamento.

Por isso a primeira necessidade básica dos está mantida: entender o que motiva e move as pessoas. O que move não é a ferramenta mas sim o que ela provoca. Por isso é preciso acabar com esta história de vender uma solução tecnológica e compra-la por ser avançada. A questão continua sendo como ela se encaixa na demanda estratégica apresentada.

Existem máximas que são ditas como definitivas. Sua empresa tem que estar no twitter. Tem que enviar muitas mensagens diariamente pois frequência é fundamental. Verdade. Mas dizendo o que? Fale sobre sua empresa.

Eu proponho amarrar as mãos do twitteiro de uma empresa que faça isso pois ninguém quer saber o que uma empresa está fazendo em 200 mensagens em um mês. O problema não é ter a ferramenta. É saber o que dizer para gerar interesse, relacionamento e compartilhamento.

Outra febre são os blogs. Temos blogs de empresas falando de tudo. Especialmente empresas falando de si. É uma coisa sensacional. No meu tempo (que coisa, cheguei à idade de falar no meu tempo!!!) se um garoto chegasse em uma menina e ficasse falando de si o tempo todo seria um chato. Os tempos mudaram? Não creio.

O exercício de egocentrismo de falar de si o tempo todo interessa a quem? A quem escreve e a seu psicanalista. Se tanto. Blogs são instrumentos que devem partir (novamente) do nível de interesse do público. Parece evidente. Mas não tem sido.

Vamos adiante. Os e mails com ofertas. Por um acaso do destino eu cai no mailing de duas redes de varejo. Uma americana e outra francesa. Senta que lá vem oferta. Recebo ofertas de tudo. Máquina de lavar, notebooks, geladeiras, mesinhas e jogo de chá. A única decisão que tomei foi a de nunca mais comprar em nenhuma das duas redes pois pedi a retirada de meu nome da lista, telefonei depois pedindo isso e parece que meu nome tem uma atração terrível para ambos.
 
Continuo recebendo os e mails de quem não faz ideia de meu perfil e o que poderia comprar. Enviar 10 milhões de e mails pode vender bem. Mas, creiam, o estrago será maior. Não é possível converter um ateu com um carro de som na porta da casa deste esbravejando a palavra de deus. Talvez por isso eu continue ateu. E sem comprar nas duas redes.

O planejamento não morreu. Conhecer o público continua sendo fundamental. Fazer as perguntas básicas sobre imagem, identidade de marca, estratégias e táticas de trade, análise da concorrência. É preciso planejar e utilizar para isso não os especialistas em web. Mas os especialistas em gente. Incorpore no grupo os profissionais de tecnologia e os criativos de web. Mas planeje se perguntando sempre o perfil, as metas, as motivações, o que se quer com está ação.

Na semana que vem vamos falar um pouco mais sobre estratégias de marketing na web. Com alguns casos de sucesso dirigidos para quem pouco acessa a web.

Até lá.

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