Bolha a vista

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Ponto de vista

Bolha a vista


2 de maio de 2011 - 3h18

Olá, pessoal!

Meu nome é Andiara, tenho 32 anos, sou gaúcha que mora no Rio e trabalha em São Paulo, e apaixonada por digital e empreendedorismo. Mas acima de tudo uma completa aficionada por entender as mulheres. Essas três grandes paixões juntas viraram primeiro o Grupo Bolsa de Mulher e mais recentemente a vertical digital feminina do Grupo RBS. E é sobre essas três grandes paixões – digital, empreendedorismo e público feminino – que gostaria de conversar com vocês aqui no blog ao longo desses próximos meses.

Hoje o assunto é a questão que não sai da pauta do jornalismo especializado em digital e das discussões entre investidores e empreendedores: estamos diante de uma nova bolha de internet?

Quem se lembra da euforia e da altíssima valorização das empresas de internet lá em 2001, e viu grandes marcas e muito dinheiro virarem pó, pode suspeitar que o atual momento de aquecimento do mercado é sinal de que estamos diante de uma nova bolha. Mas isso não é verdade.

Vamos comparar?

2001 – Valorizações ou, como a gente gosta de falar, valuation: eram baseadas principalmente POTENCIAL de receita, com múltiplos malucos e ppts que valiam milhões.

2011 – Apesar de estarmos num momento de grandes múltiplos, eles levam em conta a receita, margem, lucro e, claro, no potencial de crescimento do negócio. Se ele for mobile, social, local ou “gamificado”, então… Os múltiplos ficam ainda melhores. Hoje também é crucial na valuation a importância dos gestores dos negócios e das suas capacidades.

2001 – O burn-rate, ou sua capacidade de gastar a maior quantidade possível de dinheiro no menor tempo possível, era louvado.

2011 – A austeridade financeira e a gestão orientada para ROI e margem são consideras indispensáveis.

2001 – As estrelas da festa eram de marketing, conteúdo e vendas – sem nenhum demérito nisso, por favor! – mas nenhum foco em inovação, tecnologia e escala.

2011 – É a era dos engenheiros, das plataformas, das linguagens e frameworks, do BI e das milhões de tecnologias altamente escaláveis. A maior parte dos investimentos vai para desenvolvimento. Tudo bem. Superimportante. Mas também é hora de voltar a investir mais em marketing, conteúdo e vendas.

2001 – O grande modelo de receita era a publicidade digital, que mal tinha nascido.

2011 – Hoje a aposta, além do crescimento do bolo publicitário para o digital, é a receita transacional. Foco em serviços e produtos para o usuário final.

2001 – Para as pontocom, a grande estratégia de saída do negócio era o IPO. Ponto.

2011 – IPO continua sendo uma ótima opção – vide Demand Media e os outros IPOs que devem acontecer este ano como Groupon e Glam – mas a visão de grande parte dos investidores é que é possível e rentável continuar desenvolvendo os negócios por mais tempo.

2001 – Uma idéia na cabeça e um disquete com um ppt na mão. Isso era suficiente para convencer investidores e o mercado de que a iniciativa valia milhões.

2011 – Mais do que uma idéia mirabolante e uma apresentação multimídia no iPad, agora é crucial a capacidade do empreendedor-gestor executar com maestria o plano. Visão sim, mas com capacidade de execução.

Muitas dessas comparações foram levantadas pelo Michael Arrington, do TechCrunch, nesse último mês. E fica bem claro que estamos diante de um momento de grande entusiasmo com o mundo digital. Não é para menos: vimos surgir num piscar de olhos nos últimos anos o Facebook, o Twitter, a Zynga, o Groupon, a Zappos, a Demand Media e outras empresas fascinantes e grandiosas.

Não tem bolha se mantivermos a visão clara e o pé no chão.

Até a próxima.

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