Gameficação – entrando no joro

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Ponto de vista

Gameficação – entrando no joro


23 de maio de 2011 - 11h14

Jogos são uma das formas mais básicas de interação social do mundo, e existe inclusive uma frase clássica que diz que você conhece mais sobre um pessoa em uma hora de jogo do que em um ano de conversação. Quem falou isso foi Platão, um dos principais filósofos da Grécia antiga alguns séculos antes de cristo. Mais do que em um estudo sociológico, essa constatação provavelmente deve ter vindo da observação de que ao jogarem, as pessoas se tornam mais motivadas a interagir e consequentemente evidenciam as suas reais opiniões, reações e conceitos. 

De  volta ao nosso século XX, com o advento da Mídia Social, o que os anunciantes começam a reconhecer é que essa tal de interatividade não é apenas mais um jeito de se relacionar com os seus clientes, mas sim um padrão de comunicação cada vez mais dominante na indústria de comunicação, padrão este essencial para qualquer marca que pretenda se destacar em um mercado globalizado e com a penetração cada vez maior de plataformas digitais sociais.

É lógico que ainda existe muito receio de se arriscar e apostar, e é muito mais seguro usar a internet apenas como um meio extra para se veicular comunicação do jeito que se fazia no século passado, mas como em toda a evolução os que pensam adiante e tem agilidade cedo ou tarde serão seguidos pelos que ainda não se aventuram nas perigosas águas da inovação. Digo perigosas porque os riscos são muitos, exigem saída da área de conforto, necessidade de desenvolvimento de novos fornecedores, capacitação da equipe, instauração de novas práticas e tantos outros ajustes operacionais que tendem a, senão darem errado, provarem ser um grande desafio ao modelo da comunicação atual.

Mas inovar tem seus benefícios, e um deles é conseguir perceber e implementar tendências antes da concorrência, e é justamente em um desses momentos que alguns profissionais de marketing estão descobrindo que Platão tinha uma certa razão em suas observações, e que uma pessoa realmente tem uma tendência muito maior a interagir com uma plataforma de comunicação quando ela não é uma via de mão única e apresenta elementos onde ele pode participar ativamente da experiência e ser recompensada por isso. Faz sentido. Se determinado consumidor conhece seu produto a fundo, divulga ele para amigos e as vezes até faz sugestão para melhorá-lo é certo tratá-lo como um visitante que está entrando pela primeiro vez no seu site/fan Page/plataforma? Eu acho que não, mas é isso que a grande maioria dos anunciantes fazem.

Uma vez que experiências começaram a ser feitas e provaram com sucesso que tudo isso faz sentido, um novo problema surgiu: Como desenvolver essas profundas interações com o cliente de maneira sólida, consistente e perene? A resposta não poderia ser mais óbvia e o que começou a se fazer foi buscar profissionais da maior indústria de entretenimento digital do planeta e que sabiam como ninguém elaborar plataformas de interação com um afiado sistema de objetivos/esforço/recompensa: os desenvolvedores de games. E devido a isso que esse processo como um todo passou a ser chamado de “gamificação”.

Desde então, centenas de anunciantes, agências e produtores de conteúdo (de todos os tamanhos) já entenderam que se querem que um usuário navegue em sua fan Page e conheça seu produto, melhor do que criar um botão no meio da tela com o tradicional “CONHEÇA O PRODUTO X” é promover um sistema de badges que o usuário tenha benefícios de status e financeiros quanto mais ele conhece seu produto. Ou ainda, para que os visitantes do seu site viralizem seu conteúdo, talvez seja melhor engajar o usuário em uma campanha com um propósito central no qual volume de participantes é essencial ao invés de simplesmente colocar um botão “curtir” no final da tela achando que isso vai multiplicar seus acessos.

Cases de sucesso não faltam, e qualquer busca por gamification no Google retorna centenas de milhares de resultados para os que se interessarem.

É lógico que meio aos entusiastas deste novo conceito existem também seus detratores, mas eu, pessoalmente, concordo com Platão, e acho que mais do que falar, nada melhor do que jogar com o consumidor para criar uma relação mais interessante para ambas as partes.

*Mitikazu Koga Lisboa é CEO da Hive Digital Media – @mitikazu / @hivedigital
 

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