Freud explica?

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Ponto de vista

Freud explica?


8 de junho de 2011 - 10h39

Algumas semanas atrás, fui a um debate/lançamento de dois livros da coleção “Para ler Freud”. Deixo claro que sou uma completa analfabeta em Freud, e fui até lá na tentativa de reverter este quadro ou pelo menos iniciar o processo.

A discussão sobre o livro “O Mal-Estar na Civilização” me chamou muito a atenção. Através da discussão do texto de Freud, segundo quem a evolução na civilização/cultura depende da renúncia ao prazer imediato e aos impulsos agressivos individuais, “fomos” discutindo a nossa sociedade atual.

A conversa levou à afirmação de que estamos na Era da “Ditadura da Felicidade”: nossa sociedade não aceitaria a depressão, tristeza ou contrariedades. Visto que agora tudo é sempre muito rápido, o tempo do luto não é respeitado, não existe. E as soluções imediatas são utilizadas.

As famílias e escolas não podem mais frustrar, gerando pequenos grandes seres que nunca ouviram um “não”. O desagradável está proibido. Fala-se muito em direitos humanos, nada em deveres humanos.

O que isto significa para nós? O que isto significa para nós, como profissionais?
Reproduzo abaixo um vídeo que alguns amigos postaram em seus FBs. Será que serão assim nossos novos consumidores? Este vídeo foi criado para uma conferência de marketing para estimular discussão.

A minha reação não foi legal. Concordei com algumas tendências levantadas, como: conteúdos curtos, customização, interatividade, informações periféricas, atenção ao mass block ( minha “noiva neurótica”) etc, mas tive problemas com a postura das crianças.

Concordei imediatamente com um post da Brenda Fucuta, aqui no Meio & Mensagem, para quem a geração Y será de deprimidos: “Querem a presidência, mas sem perder um dia de diversão”.

Mas, e aí? Este é o nosso futuro consumidor ou é apenas um vídeo? Como profissionais, vamos seguir as tendências. E como seres desta sociedade?

Uma solução bem humorada veio em uma versão do próprio vídeo:

Uma sugestão sempre boa está no post do Adilson Xavier, que ao transcrever um texto do rabino Nilton Bonder, fala da importância da pausa.

No momento, eu estou em dúvida se volto para a terapia; importar-me com a “postura” das crianças me criou uma crise da meia idade.

Novos tempos. Freud explica?

P.S.: A “não bibliografia” deste post:
Coleção “Para Ler Freud”: “O Mal-Estar na Civilização: A Obrigação do Desejo na Era da Globalização”, de Nina Saroldi.

*Cecilia Araújo é sócia da Duma Comunicação

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