O consumo single

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Ponto de vista

O consumo single


3 de junho de 2011 - 7h32

Um interessante estudo realizado pelo instituto Market Analysis, de Florianópolis, revela que os single, pessoas que moram sozinhas, tem uma renda potencial cerca de 4,5 vezes maior do que as pessoas que vivem acompanhadas. O estudo, interessante em uma série de aspectos, merece uma reflexão. O número de pessoas vivendo sozinhas aumentou 74% nos últimos 10 anos e hoje representa cerca de 7 milhões ou aproximadamente 12,2% do total de residências. Projeções apontam que este número deve chegar a 18 milhões em 2020.
Outros dados interessantes:
– São lares com predomínio de mulheres e com moradores mais velhos (8 anos e meio de diferença com a média de idade dos que moram acompanhados).
– Existe uma parcela significativa de aposentados.
– Possuem mais cartões de crédito ou de lojas do que os que moram acompanhados (80% contra 65%).
– Têm mais preocupação ambiental do que comparados com a população total (31% contra 24%).
– Sua alimentação é regida por produtos considerados saudáveis (64% contra 55%), com ingestão mais frequente de alimentos funcionais (51% vs. 39%) ou suplementos, homeopáticos e vitaminas (23% contra 14%).
– Eles mantêm um critério de compra muito sensível ao preço do que compram (72% contra 57%). Isso não significa que sacrificam qualidade por preço e, sim, que não estão dispostos a pagar mais por atributos que não valorizam.

Quando se fala em consumidores single existe uma tendência a pensar especificamente no jovem solteiro. O desenvolvimento econômico promove uma categoria de pessoas com mais acesso a saúde e com mais longevidade. Também sabemos existem mais viúvas do que viúvos. Homens morrem antes de maneira geral. Por isso temos uma predominância de mulheres sozinhas. Antes, estas estariam alocadas em casas de familiares. Hoje, depois de mais inseridas no mercado de trabalho, demonstram uma tendência a maior independência. Possuem mais renda.
Quando o recorte tem relação com despesas é preciso pensar que o single tem critérios de compra distintos. Sem a pressão da estrutura familiar, sem parceiros e filhos, a compra fica mais racional no ambiente interno podendo ser mais emocional em outros itens. Ele tem que suprir mais a demanda de posição social do que a do papel dentro da estrutura familiar. Racionaliza na compra pensando em si. Olha o preço e busca o benefício direto nas compras para o lar. Potencialmente sobra mais para investir, no caso dos jovens, por exemplo, no consumo de bens voltados para o reposicionamento social. Mais investimento em roupas, lazer, viagens e outros.
Aprofundando a relação que existe é preciso começar a pensar no desenho futuro. A tendência de aumento de pessoas morando só encontra a outra face da moeda que são jovens vivendo mais na casa de seus pais, problema que pode se aprofundar mais com o estouro do mercado imobiliário que dificulta a compra de imóveis. Também aponta uma tendência de estruturar famílias mais tarde. Cada vez mais parece que o single terá mais de 30 anos no futuro. Talvez até mesmo 40 em alguns casos. E com a tendência de construir uma nova elite bem diferente daquela que mira nos valores familiares. Tai uma mudança que vamos ver. Sozinhos ou acompanhados. Você escolhe.

* Adalberto Viviani é presidente da Concept

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