Steve Jobs admite (um pouco) que estava errado

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Steve Jobs admite (um pouco) que estava errado

Depois de constatar que as pessoas realmente continuam a ler, a Apple decide tratar melhor os publishers (*)


21 de junho de 2011 - 12h20

Me dói dizer isso, mas… Aos diabos! A quem quero enganar? Realmente me agrada salientar que Steve Jobs estava errado sobre algo muito grande. E embora ele não seja o tipo de pessoa que admita publicamente estar equivocado, ultimamente tem reconhecido os erros de seus rumos por meio das ações da Apple.

Vamos retomar a vida antes do iPad. Há pouco mais de três anos, Jobs disse ao The New York Times que o Kindle, da Amazon, estava condenado. “Não importa quão bom ou ruim é o produto”, afirmou. “O fato é que as pessoas não leem mais. Quarenta por cento das pessoas nos Estados Unidos leram um livro ou menos no ano passado. Toda concepção (do projeto Kindle) é falha porque as pessoas não leem mais”.

Na época, escrevi: “Se você não devora a literatura ‘séria’, tecnicamente você não lê? Você é, de fato, analfabeto? Claramente, Jobs acha que sim. Como explicar então sua colocação de que ‘ninguém lê’ em uma cultura em que mais pessoas parecem estar obsessivamente empenhadas em produzir e consumir palavras do que, possivelmente, mais do que nunca em toda a história humana?”.

Mas, mesmo que você torça o nariz para blogs e sites nativos da web de revistas e jornais, o Facebook, o Twitter e assim por diante, Jobs estava apenas metade certo sobre o Kindle como um dispositivo de leitura de livros desejável. Em dezembro passado, “Harry Potter e as Relíquias da Morte” no Kindle se tornou o produto mais vendido da Amazon. No mês passado, a Amazon anunciou que os títulos eletrônicos no Kindle ultrapassaram os livros impressos. E um analista do Citi estimou, recentemente, que a Amazon venderá 17,5 milhões de Kindles este ano e 26 milhões no ano que vem. Como um baque!

Depois do anúncio de Jobs de que a leitura está morta, a Apple lançou o iPhone. A empresa, visivelmente, minimizou o papel do iPhone como um dispositivo de consumo de texto através de um spot televisivo que enfatizava as apps (aplicações), com imagens gráficas em movimento, inclusive com uma versão “mágica” interativa de “Alice no País das Maravilhas”, que é mais um cartoon do que um livro. Em um mundo supostamente pós-alfabetizado, não é surpreendente que a Apple enfatize o uso do iPad como um simples e-reader.

Livro no iPad

Mas, no mês passado, o Business Insider conduziu uma pesquisa com 855 usuários de iPad e mais de 70% afirmaram que leem livros em seus tablets. Além disso, a primeira coisa que os usuários fazem no dispositivo – e no qual gastam 35% do tempo total – é navegar na internet. Outros 12% assistem a vídeos e mais 12% usam o iPad para games. E lembre-se que o navegador do iPad (Safari) é o famoso trava-Flash, para o qual a navegação na internet é massivamente de texto, invariavelmente, mais do que para outras plataformas.

E, adivinhe! A próxima versão do sistema operacional do iPad, o iOS 5, finalmente, terá uma home que unificará todas as assinaturas de jornais e revistas do iPad, um projeto chamado Newsstand (a omissão de algo totalmente básico como o Newsstand durante todo esse tempo sugere que a Apple realmente tinha que ser arrastada, chutando e gritando, em direção à percepção de que não apenas as pessoas continuam a ler, mas, especificamente, ainda leem periódicos).

E, como Jordan Golson, do blog MacRumors, relatou recentemente, a Apple voltou atrás em sua exigência anterior de que qualquer publisher que vende conteúdo app fora do sistema da Apple também deveria vendê-lo dentro do sistema, pelo qual a empresa recebe uma fatia de 30%. Agora, jornais, revistas e outros que vendem conteúdo app em seus próprios sites, num sistema pelo qual não têm que pagar 30% para a Apple, não serão forçados a vender, necessariamente, dentro da App Store. Por conta disso, uma grande quantidade de publishers não queria participar do pesado jogo financeiro da Apple. Finalmente, Steve Jobs e cia. parecem chegar à conclusão que é melhor para os interesses da Apple estar no caminho dos usuários que querem ter um iPad. Em uma palavra: palavras (ou texto).

Concedo que, provavelmente, nunca realmente ouviremos Jobs declarar: “Eu estava errado sobre as pessoas não lerem mais e, ironicamente, o iPad me mostrou que eu estava errado”. Mas, como membro orgulhoso da indústria de mídia, vou demorar para fazer concessões à sutil campanha pró-leitura da Apple.

(*) Por Simon Dumenco, do Advertising Age.
 

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