Boninho: TV aberta mais resistente
Afirmação do diretor da TV Globo foi feita nesta quarta-feira, 24, durante o primeiro dia do RioContentMarket, evento que está acontecendo no Rio de Janeiro
A televisão está se expandindo e a TV aberta ficará cada vez mais resistente. É nisto que acredita José Bonifácio de Oliveira, o Boninho, diretor executivo de variedades da TV Globo. Ele foi um dos participantes do painel “Criação e Adaptação de Formatos Modelo TV Globo”, realizado durante o primeiro dia do RioContentMarket. O evento, que é realizado pela Associação de Produtoras Independentes de Televisão (ABPITV), acontece até sexta-feira, 27, no Rio de Janeiro, reunindo players dos mais diversos segmentos do mercado audiovisual.
No debate que contou ainda com a participação de Pedro Bial, Tiago Leifert e Creso Eduardo, todos da Globo, Boninho defendeu que o que está mudando é o caminho para o acesso a programação, que hoje pode acontecer nos mais diversos devices. “O local onde o telespectador assistirá a TV será flutuante mas ele continuará assistindo à TV aberta. O maior desafio será como falar com a audiência em todos estes devices que estão aparecendo. Provavelmente, a figura do programador irá desaparecer”, opinou. Para o executivo, o público passará a ocupar esta função, decidindo o que e quando ver. “No futuro teremos que ver como brincar com todas estas tecnologias que estão em volta para a ajudar a fazer uma TV melhor, mais divertida”, concluiu.
O primeiro dia do RioContentMarket contou ainda com painéis de players como HBO e FremantleMedia. A HBO está comemorando dez anos de atuação no mercado latino americano. “Quando começamos encontramos um mundo diferente de agora, neste tempo o mercado também fez o seu trabalho. Lá atrás não existia nem produção independente de TV, começamos trabalhando com produtores de cinema”, recordou Roberto Rios, vice-presidente corporativo de produção original da HBO Latin America. As primeiras séries da HBO no Brasil, Mandrake e Filhos do Carnaval, foram produzidas em parceria com a Conspiração e O2.
Rios comemorou o caminho trilhado informando que em uma década foram mais de 290 horas de conteúdo brasileiro e mais de 500 horas de produção na América Latina. Já Maria Angela de Jesus, diretora de produção original da HBO Latin America, disse que hoje o desafio é manter uma produção consistente. “E de acordo com o que buscamos. Queremos trazer ousadia, o novo, tentar ir um pouco além, buscar um ângulo que ainda não se viu, com relevância local, o que sempre nos norteou”, concluiu.
Já Rob Clark, diretor global de entretenimento da FremantleMedia, empresa que entre outros produtos tem em seu portfólio os sucessos American Idol e Got Talent, lembrou que o mundo está se tornando completamente global, em termos de onde se pode adquirir formatos. Apesar disso, o Brasil não aparece na lista de países que importam produtos, liderada pelo Reino Unido e Estados Unidos, mas seguida por Israel, um mercado bem menor que os dois primeiros. “O Brasil não é visto entre os que mais exportam formatos. Sejam generosos, compartilhem. Olhem quantas pessoas aqui reunidas em torno desta indústria. Não há razão para não termos um formato global do Brasil, se pensarmos na criatividade do País. Tudo leva a crer que em breve teremos”, estimulou.
Brasil no SXBW
A participação brasileira no South by South West (SXSW), festival que acontece anualmente em Austin, nos Estados Unidos, também foi tema de um painel que contou com a presença de Igor Brandão, gerente executivo de projetos setoriais da Apex. Ele revelou que o evento, que começa no próximo dia 13, contará com a participação de 35 empresas nacionais. Em números de delegados, serão mais de 500, o que coloca o Brasil na quinta posição dos países que mais terão representantes no festival, que recebe pessoas de 67 países.
Brandão classificou o SXSW como o grande encontro anual de inovação e tendências e antecipou que a Apex trabalhará quatro principais frentes na edição deste ano. “Faremos um trabalho de consultoria e aproximação de empresas selecionadas com eventuais compradores, parceiros e interlocutores internacionais; estaremos no trade show, com um stand brasileiro no qual teremos cinco empresas mostrando soluções interativas, que ilustram setores que estarão representados lá, e ainda teremos a Casa Brasil, com uma programação temática que inclui tecnologia, design, audiovisual e um dia dedicado a produção e negócios de música no Brasil”, finalizou.
