transmissões esportivas

Como veículos driblam o alto preço dos direitos esportivos?

Alta procura e fragmentação tornam transmissões mais caras, mas com retorno efetivo para as empresas

i 30 de junho de 2026 - 6h03

Veículos fazem acordos de parceria e sublicenciamento a fim de driblar o alto preço dos direitos (Crédito: Riquelve-NataSports-Press-Photo-GettyImages)

Veículos fazem acordos de parceria e sublicenciamento a fim de driblar o alto preço dos direitos (Crédito: Riquelve-NataSports-Press-Photo-GettyImages)

Os eventos ao vivo, especialmente quando se trata de esportes, são ativos de luxo para as empresas de mídia.

Assim, não à toa, as competições esportivas se encontram em seu momento mais fragmentado, gerando interesse de players já tradicionais, como é o caso da Globo, novos canais, criados especialmente para esse segmento, como a CazéTV, e veículos que retornam ao esporte, como SBT e Record.

A Copa do Mundo, por exemplo, é um dos torneios mais caros, dada sua a grandeza e expressividade, sendo que esta edição é a mais fragmentada de todos os tempos.

Portanto, como resultado,  dois, dos três contratos de exibição, são feitos por meio de parcerias.

Uma delas é entre a CazéTV com o YouTube, que firmaram acordo para adquirir a totalidade dos direitos de transmissão do principal torneio de seleções.

Já o SBT fechou parceria com a N Sports para a compra de parte dos direitos que fazem parte do pacote da Globo.

Com isso, a emissora paulista tem o direito de exibir 32 partidas do principal campeonato do momento.

No final de abril, em entrevista ao Meio e Mensagem, André Barros, coCEO da N Sports e CEO da NWB, explicou ao Meio e Mensagem que o encarecimento dos direitos é uma consequência da fragmentação e faz com que os veículos precisem arrumar artifícios para não gastar tanto e ter um evento que seja bom, comercialmente.

“Cada vez mais o mercado vai se acomodar para entender como fazer essas parcerias e como não gerar conflito de audiência”, disse.

Direitos que movimentam o dinheiro

Torneios como o Mundial de seleções, movimentam muito dinheiro, tanto para os transmissores, quanto para as entidades que comercializam esses ativos.

Assim, segundo informações da Folha de S. Paulo, SBT e N Sports dividiram a compra dos direitos que custaram R$ 134,5 milhões para ambas.

A publicação aponta, ainda, que entre 2023 e 2026 a Globo investiu US$ 60 milhões por ano em direitos da Fifa.

Nesse cenário, a aposta da entidade máxima do futebol em transmissão é alta.

Dessa forma, a Fifa prevê arrecadar mais de US$ 4,2 bilhões com a venda dos direitos de transmissão televisiva da Copa.

Isso representa, de fato, aumento de mais de 20% sobre a arrecadação na Copa do Mundo do Catar de 2022.

A meta de receita total da Fifa com a Copa é chegar aos US$ 11 bilhões, sendo que os direitos de transmissão são a maior fonte de receita.

Já para os players, o retorno, segundo as expectativas baseadas nos media kits dos transmissores, chegavam na casa dos bilhões também.

A Globo, que é detentora de direitos como Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores e Copa, por exemplo, projeta que soma dos pacotes comerciais pode chegar à mais de R$ 5 bilhões se considerados os valores expressos nas tabelas, sem os prováveis descontos que são usuais nesses casos.

Para o SBT, somente a Copa poderia render cerca de R$ 3 bilhões.

Já a CazéTV, de fato, pode receber R$ 2 bilhões, também considerando o valor inteiro, sem eventuais descontos.

Campeonatos divididos

Embora a Copa do Mundo seja a principal competição e atual assunto do momento, não é o único campeonato que é exibido por meio de parcerias ou sublicenciamento.

Um dos casos mais recentes de sublicenciamento é da CazéTV com Disney+ que firmaram um acordo para que o canal da LiveMode possa exibir uma partida por rodada da Premier League.

Por meio dessa parceria, as empresas dão segmento a um acordo de conteúdo, que começou com a exibição em simulcast do conteúdo da grade do canal no Disney+, plataforma de streaming do grupo Disney, que começou no ano passado.

Nesse segundo caso, embora não seja um acordo de divisão de direitos ou de sublicenciamento, tendo em vista que a Disney não tem direito sobre a transmissão, mesmo assim, ajuda a impulsionar o conteúdo de ambas.

Outro caso é a Copa do Brasil, chancelada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

De fato, para o torneio nacional, a Globo se mantem como a principal detentora de direitos, podendo exibir os jogos na TV aberta e por assinatura, e repassa uma parte dos jogos para o Prime Video.

Para o próximo ciclo, a confederação ainda está em negociações, mas, de acordo com informações apuradas pelo Meio e Mensagem, a Globo e a Disney são as empresas mais interessadas no torneio.

Ou seja, resta saber como será o acordo para as temporadas de 2027 a 2030.