Plataformas de áudio vão além da distribuição musical
Com clubes, eventos e benefícios, Deezer e Spotify detalham estratégias para fortalecer relação com fãs

Deezer Live aconteceu no dia 27 de outubro em São Paulo com um show exclusivo de Luísa Sonza para cerca de 2 mil pessoas (Crédito: Divulgação Deezer)
A relação entre fãs e artistas é uma das mais valorizadas no mundo do entretenimento. Com base nisso, plataformas de streaming de áudio resolveram ampliar a atuação além da distribuição de músicas e deram início a clubes e eventos voltados a esse público.
De experiências que reúnem podcasts e espaços para fãs a benefícios exclusivos, Deezer e Spotify criam eventos e ferramentas para que os usuários possam explorar mais de suas músicas e artistas favoritos.
Em entrevista a Meio & Mensagem, as plataformas explicam esse movimento de ampliar a atuação para além da distribuição de músicas. Ambas entendem que a relação das pessoas com a música vai muito além do play e buscam novas formas de aproximar fãs, artistas e comunidades.
Conexão além das telas
A Deezer trouxe ao Brasil o Deezer Club, área dedicada aos fãs dentro da plataforma que reúne benefícios e experiências exclusivas para aproximar os usuários de seus artistas favoritos. Entre as iniciativas, estão ingressos para shows, encontros com artistas, audições intimistas, sessões especiais, produtos oficiais e itens exclusivos com desconto.
Yuri Valdevite, líder de brand marketing da Deezer Latam, explica que a iniciativa surgiu após a percepção de que os usuários passaram a buscar mais do que acesso a um catálogo musical.
“O Deezer Club nasce justamente dessa visão: a experiência de ser fã pode começar no aplicativo, mas também pode se transformar em momentos especiais fora dele, como experiências ao vivo, conteúdos especiais e formatos que aproximem fãs e artistas”, afirma Valdevite.
A marca também criou o Deezer Live, projeto de shows presenciais e exclusivos promovido pela plataforma na cidade de São Paulo.
Já o Spotify anunciou o Spotify Superfans Experience (SFX), sua primeira experiência global ao vivo para fãs, que acontece entre os dias 22 e 24 de janeiro de 2027, em São Paulo, com artistas como Anitta, Veigh, Luiza Sonza, Ludmilla, entre outros. O espaço reúne música, podcasts, vídeos e experiências para aproximar o público dos artistas e criadores que acompanha.
Oportunidades para plataformas
Marina Burini, líder de estratégia de negócios criativos do Spotify na América Latina, explica que o streaming continua sendo uma parte fundamental da relação entre fãs e artistas, mas as plataformas também encontram oportunidades de levar essas conexões para outros espaços.
“O SFX nasce justamente dessa ideia de transformar o que acontece na plataforma em experiências no mundo físico. E o mais legal é que não estamos falando de um festival tradicional. São diferentes formatos, de apresentações a experiências imersivas, pensados a partir da cultura dos fandoms”, afirma a executiva.
A plataforma também conta com o Billions Club Live, série de filmes e apresentações exclusivas produzidas pelo Spotify para celebrar artistas que alcançaram a marca de 1 bilhão de reproduções em suas músicas
Valor percebido

Evento global do Spotify dedicado aos superfãs, o Spotify Superfans Experience (SFX) será realizado entre os dias 22 e 24 de janeiro de 2027, em São Paulo (Crédito: Divulgação)
Ao oferecer esses benefícios, as plataformas ampliam o valor percebido pelos assinantes e fortalecem a conexão emocional com suas comunidades. Para a Deezer, esse relacionamento abre oportunidades de parcerias, ativações e patrocínios com marcas, artistas e festivais.
Segundo Valdevite, da Deezer, as marcas podem contribuir com recursos, criatividade e acesso para viabilizar encontros, benefícios e experiências em shows e festivais. No entanto, a participação precisa considerar os interesses dos fãs.
“É preciso evitar a armadilha do ego: a megalomania de pensar que a marca está em primeiro lugar. Os protagonistas são fãs e artistas, e é essa paixão que torna essas experiências tão relevantes”, pontua.
Marina, do Spotify, também vê oportunidades para os patrocinadores em eventos como SFX, mas ressalta que a presença das empresas precisa fazer sentido para as comunidades. “Não basta uma marca estar presente. Ela precisa entender aquele universo e encontrar uma forma de participar que faça sentido para os fãs”, afirma.
Essas iniciativas, diz, podem fortalecer o relacionamento com os usuários e abrir possibilidades para artistas e parceiros, sem que a monetização seja o único objetivo.
Critérios e próximos passos
De fato, na escolha dos artistas e na construção dessas experiências, as plataformas consideram outros fatores além dos números de audiência.
Na Deezer, a seleção leva em conta a afinidade entre o artista e sua comunidade, o potencial de engajamento, o momento da carreira e a relevância cultural.
“A audiência na plataforma também é um fator, mas não é determinante. Um artista pode ter uma comunidade menor e, ainda assim, muito engajada. Para o Deezer Club, a qualidade da conexão com os fãs é tão importante quanto o alcance”, explica Valdevite.
No Spotify, a seleção combina dados de audiência, pesquisas e curadoria.
Assim, para a construção do line-up do SFX, os times locais utilizaram insights de escuta e pesquisas sobre fandoms para identificar artistas e criadores com comunidades especialmente engajadas.
“Não é simplesmente uma questão de quem tem mais streams ou mais seguidores. É entender o que movimenta essas comunidades e como podemos traduzir essa relação em experiências que sejam realmente especiais para os fãs”, afirma Marina.
Ampliação da proposta de valor
Para as plataformas, o movimento representa uma ampliação da proposta de valor do streaming, sem substituir a distribuição musical.
Na Deezer, os próximos passos envolvem ampliar a variedade de experiências, aprofundar a personalização e fortalecer parcerias com artistas, marcas e festivais.
Já no Spotify, a expectativa está na primeira edição do SFX no Brasil, mercado escolhido pela força de suas comunidades de fãs, diversidade cultural e relevância no entretenimento ao vivo.
“Queremos entregar uma experiência que realmente represente a força dessas comunidades e que possa inspirar futuras edições em outros mercados”, conclui Marina.

