MWC

Desafios de telecomunicações em IA, talentos e tecnologia

Estudo aponta desafios no Brasil com inteligência artificial, gestão de talentos e transição tecnológica

i 22 de janeiro de 2026 - 6h03

Setor de telecomunicações enfrenta entraves na adoção de IA, na gestão de talentos e na transição tecnológica (Créditos: Helloabc/Shutterstock)

Setor de telecomunicações enfrenta entraves na adoção de IA, na gestão de talentos e na transição tecnológica (Crédito: Helloabc/Shutterstock)

O setor de telecomunicações brasileiro enfrenta cenário desafiador.

Esse cenário, de fato, envolve  baixa confiança em inteligência artificial (IA), escassez de profissionais qualificados e dificuldades na adoção de novas tecnologias.

É o que revela a nova edição do estudo “Os 10 principais riscos nas telecomunicações em 2026”, elaborado pela EY.

A análise, na verdade, se baseia em pesquisas primárias e secundárias, combinadas com a visão de especialistas da empresa no Brasil e no mundo.

Confiança, privacidade e segurança lideram ranking de riscos em telecomunicações

O principal risco que o estudo identifica é a subestimação das mudanças necessárias em privacidade, segurança e confiança.

De acordo com a EY AI Sentiment Index Survey 2025, 82% dos consumidores utilizaram ferramentas de IA nos últimos seis meses, mas apenas 48% acreditam que os benefícios superam os riscos.

Ainda, as principais preocupações se relacionam a violações de segurança em sistemas de IA (64%) e falhas na proteção da privacidade dos dados (61%).

Segundo a EY Responsible AI Pulse Survey, 59% das companhias de telecomunicações afirmam ter metodologias robustas para mitigar riscos associados à IA, percentual inferior à média geral de 66%.

Além disso, essas empresas são menos propensas a adotar auditorias internas, políticas formais de ética e certificações de terceiros.

No campo da cibersegurança, os desafios se intensificam.

De fato, a pesquisa da EY aponta limitações como orçamentos restritos, dificuldade em equilibrar proteção e inovação e baixa inserção da área de segurança nas decisões estratégicas da liderança.

Apesar disso, 64% dos diretores de segurança da informação acreditam que a função de cibersegurança agregará mais valor aos negócios nos próximos três anos.

Ainda assim, 68% reconhecem dificuldades em demonstrar esse valor para além da mitigação de riscos.

Transição tecnológica avança de forma desigual

A transformação tecnológica aparece como o segundo destaque.

Os principais obstáculos para ampliar iniciativas de IA são restrições de recursos e dificuldades na criação de estruturas eficazes de governança (55%), complexidade regulatória (53%) e priorização de casos de uso (40%).

Esse contexto leva a estratégias distintas entre as empresas:

– 33% planejam acelerar investimentos em IA após resultados positivos

– 32% reduziram ou reavaliam seus aportes.

A integração da segurança às novas tecnologias é limitada.

Segundo a pesquisa, 46% dos executivos de segurança afirmam não estar envolvidos ou participar apenas de forma marginal nos processos de adoção de IA.

Além da IA, o setor enfrenta a pressão para desativar redes móveis antigas, como 2G e 3G, e redes fixas baseadas em cobre.

O estudo aponta que 58% das empresas de telecomunicações consideram essencial substituir sistemas de suporte operacional e de negócios por plataformas digitais mais avançadas.

Já no Brasil, o avanço do 5G impulsiona a digitalização, mas a permanência de sistemas legados, barreiras culturais e lacunas de qualificação profissional dificultam a captura de ganhos de eficiência e a criação de novas fontes de receita.

Gestão de talentos entra no radar estratégico

A gestão inadequada de talentos, competências e cultura organizacional completa o grupo.

Assim, a automação de funções de rede e TI, o desenvolvimento de plataformas internas e a integração de soluções de múltiplos fornecedores ampliam a demanda por novas competências.

Portanto, o estudo aponta que as áreas com maior necessidade de profissionais especializados são cibersegurança (67%), IA e machine learning (65%), infraestrutura de TI (63%) e ciência de dados (60%).

No entanto, a escassez de mão de obra qualificada, a forte competição entre empresas e a dificuldade de oferecer salários compatíveis com setores como tecnologia e financeiro dificultam o preenchimento dessas posições.

Diante desse contexto, as empresas têm adotado diferentes estratégias:

– requalificação profissional (87% delas apontam isso)

– contratação temporária de parceiros tecnológicos (53%)

– parcerias com universidades (49%)

– aquisições de empresas (38%), em cenário em que, no Brasil, 85% dos profissionais do setor não têmhabilidades em IA

Além dos riscos prioritários, o estudo da EY destaca desafios em relação ao desempenho de rede, ambiente geopolítico, novos modelos de negócios, ecossistemas, demandas dos clientes, sustentabilidade e modelos operacionais.