Marketing estratégico começa com branding e vendas juntos
Construção de marca deve, sim, passar por tons aspiracionais, encantar clientes e mover as pessoas, mas, ao mesmo tempo, isso não pode se desconectar da estratégia de negócio
Se coloque no lugar de um consumidor, mas desconsidere por alguns instantes, os conhecimentos de marketing que você tem. E então responda: quando você assiste a uma propaganda no intervalo do Jornal Nacional ou durante a abertura de um vídeo no YouTube, por exemplo, você sabe distinguir se aquilo é branding ou uma ação de vendas?
Gosto dessa reflexão quando vou falar sobre marketing e a conversa será sobre visão unificada dos sistemas da área porque é onde acredito que começa nossa atuação estratégica. Uma área capaz de levar as frentes de branding, performance, vendas e CRM (quando houver) dentro da mesma engrenagem direcionada às estratégias de negócio.
Vemos muito por aí que marketing e comunicação não necessariamente trabalham conectados a estratégia da companhia ou visualizam, de maneira complementar, as ações para fortalecer o posicionamento de marca, inclusive no momento da venda, independentemente do canal, e no pós-venda. Mas o que as novas empresas estão buscando, principalmente as digitais, são profissionais capazes de conduzir essas frentes em uma estratégia orquestrada. A construção de marca deve, sim, passar por tons aspiracionais, encantar clientes e mover as pessoas, mas, ao mesmo tempo, isso não pode se desconectar da estratégia de negócio. Explico o porquê.
Marketing voltado a jornada do consumidor
Quando o consumidor é quem orienta as ações da companhia e os objetivos estão em proporcionar uma experiência positiva durante toda a sua jornada, precisamos concordar que branding está presente de ponta a ponta, intrínseco ao negócio. Costumo dizer na Youse que todo o ponto de contato do consumidor com a empresa precisa refletir o posicionamento de marca. Isto é, no app, na ligação do cliente para o call center durante a jornada de contratação ou pós-venda, no atendimento de prestadores de serviços na estrada ou em casa etc.
Aí está a importância de branding e performance colados à estratégia de negócio: a visão é para toda a experiência do consumidor. Vai além dos materiais de comunicação, da presença digital, de afinar os conceitos de campanha, de canais omnichannel. Em outras palavras: a partir de uma única estratégia, para cada momento da jornada e do funil de conversão de vendas, atuamos em sincronia para atingir os resultados.
Investimentos diferentes, mas complementares
Tenho convicção de que a marca possui peso para os resultados de vendas e todos os investimentos realizados no marketing, de uma forma ou outra, agregam valor para a construção de marca. Por isso, não consigo visualizar separadamente.
Na prática, a partir de uma mesma estratégia, atuamos de formas e com mensagens específicas para alcançar os diferentes objetivos durante a jornada e o ciclo de vendas. Por exemplo, em uma única linha, a comunicação projetada para awareness de marca, vai seguir de maneira consistente nas etapas de consideração de compra até levar à venda em si. No entanto, se essa venda não ocorrer, por exemplo, novas ações de marketing serão trabalhadas dentro dessa mesma estratégia de marca.
Mas durante todo esse ciclo, a análise dos resultados a partir de métricas avançadas são cruciais para validar e revisar as formas e os canais que estão sendo utilizados para executar as estratégias. Para isso…
Visão integrada + tecnologia
Combinada a essa visão estratégica do todo, o marketing se alia a uma das principais ferramentas para que esse sistema funcione: os dados. São pesquisas constantes, dados de comportamento do consumidor e métricas bem definidas para monitorar a saúde da marca que a área conseguirá identificar quais estratégias de comunicação podem ser atribuídas às conversões ou não e vice e versa. Podemos apostar matematicamente em modelos de regressão para tentar responder ao quanto a marca contribuiu para a compra ou qual foi a influência de uma campanha – com a visão unificada, claro.
Nesse olhar integrado há ainda o ganho na agilidade nas correções de rota e tomada de decisão. Mas preciso admitir, é claro, que esse modelo traz desafios de gestão – tema que pode, inclusive, pautar uma outra conversa.