Lela Brandão: comunidade exige conversa, conexão e presença
Creator e empresária falou sobre moda, conteúdo e os desafios de construir uma comunidade para além da audiência

Lela Brandão fala sobre como a comunidade estrutura seus negócios (Crédito: Eduardo Lopes/Máquina da Foto)
O que começou como uma inquietação deu origem à Lela Brandão Co., uma marca de moda, ao podcast Gostosas Também Choram, um dos mais ouvidos do País, e a uma comunidade que acompanha os projetos da criadora de conteúdo e empresária Lela Brandão.
A trajetória dos seus negócios começou a ganhar forma durante a pandemia da Covid-19. Lela, que já trabalhava com arte e influência digital, percebeu que o incômodo causado pelas roupas femininas não era acaso, mas uma característica recorrente da indústria, que, em sua avaliação, não respeitava o corpo feminino.
“Por que as roupas das mulheres precisam ser desconfortáveis? Elas não te deixam se movimentar ou respirar. Isso começou a aparecer para mim como um padrão, não como exceção. Quando os homens compram roupa, pensam na funcionalidade. As mulheres também deveriam poder fazer isso”, disse.
A marca mantém uma grade de seis tamanhos e produz integralmente no Brasil. Segundo a empresária, esse modelo também está associado à defesa de uma cadeia produtiva local e de condições de produção que considera mais justas, embora reconheça o desafio de competir com os preços praticados pelo fast fashion. “Através do discurso, a gente tenta mostrar por que elas estão pagando aquele preço”, apontou.
O crescimento acelerado do negócio também exigiu adaptações na gestão. Lela afirma que recorreu a consultorias especializadas para estruturar processos e lidar com desafios que não faziam parte de sua experiência.
“Nunca tinha sido chefe de ninguém, nunca tinha feito nada do que tenho hoje. A gente errou muito, mas a chave virou mais rápido quando fui falar com outras mulheres que empreendem.”
Comunidade como estratégia
No varejo físico, a operação prioriza a experiência, com uma flagship em formato de casa na Vila Madalena, em São Paulo, escolhida para reforçar a sensação de acolhimento. A decisão foi tomada após uma experiência que, segundo a empresária, teve menor aderência ao posicionamento da marca em um shopping.
Embora considere a abertura de uma unidade no Rio de Janeiro, ela afirma que a expansão física precisa acontecer de forma gradual e alinhada ao momento do negócio.
Já no e-commerce, a estratégia se apoia na recorrência entre 70% e 80% das clientes. Segundo a empresária, esse retorno frequente acompanha a construção da comunidade formada em torno da marca e dos demais projetos que desenvolve.
“Quando a gente vê muitas pessoas seguindo uma pessoa ou uma marca, elas dificilmente estão trocando algo. Comunidade é o oposto de uma audiência. É um trabalho que exige conversa, conexão e presença”, destacou.
A expansão dessa base também passa por colaborações com diferentes parceiros, incluindo o podcast Não Inviabilize, a italiana Kappa e coleções inspiradas em Frida Kahlo e Tarsila do Amaral.