O incrível show de Amy Webb
Amy não matou o relatório. Mudou todo o ecossistema da futurologia e seu modus operandi
No passado as bruxas, xamãs e oráculos usavam cosmologia e mitologia para interpretar sinais do futuro. A função era a sobrevivência do grupo. Os sinais do presente serviam para construir narrativas sobre o futuro, e o “deliverable” eram as orientações coletivas.
Se atualizarmos o termo, talvez ele se traduza em “futurismo”: a observação sistemática da repetição de padrões, combinada com capacidade analítica até chegar a algo próximo de “Oráculo”
Atualizando pela terceira vez, temos Amy Webb, que industrializou essa prática criando relatórios de tendências altamente estruturados, tornando isso escalável e utilizável como poderosa ferramenta de inteligência estratégica corporativa. Bravo, querida !
Total game changer quando ela criou esse modelo há 19 anos e o lançou no South by Southwest. Desde então, atualiza seu relatório anualmente, pulverizando e dando capilaridade à deliciosa e entertaining prática do futurismo.
Agora em 2026, com fanfarra, fantasia e drama teatral, Amy se superou mais uma vez ao subir ao palco criado “momentum” no que chamou de “enterro” de sua galinha dos ovos de ouro.
O modelo da Amy foi tão…tão copiado que ela própria tinha se tornado uma tendência: uma das palestras must-go nas agendas do SXSW.
Claro que o modelo foi replicado por vários outros futuristas em outros palcos de Austin. Assim nos, a “tribo do crachá”, pegávamos todos os relatórios de tendências do ano, cruzávamos para entender as repetições e soltávamos em nossas redes. Na sequência debatíamos nas filas e bares de Austin, sem perceber que aquilo havia se tornado commodity e um ecossistema independente.
Adivinhações batizadas de “previsões”, que às vezes “vingavam” ou, por sofismo, geravam “fake apocalípticos”. (Leia-se: teorias construídas sobre premissas erradas)
Assistir a palestra era como ver o primeiro capítulo de uma série da Netflix, onde ela produzia o spoiler e ficávamos aguardando o desenrolar por meses. Até que esquecíamos o que ela falava e a vida rolava.
O MOMENTUM !
Com banda de fanfarra, fantasia e drama teatral, ela “matou” tudo deixando órfãos seus seguidores e partindo para um novo deliverable: arquitetura estratégica do futuro.
Analisando antropológicamente e com admiração, a Amy foi rápida o suficiente, leu o mercado e atualizou toda a cadeia , utilizando o lado cooperativo de AI
Uma reestruturação da indústria de foresight.
Ou seja, o que Steve Jobs falou no epico discurso de Stanford: “connect the dots” ela aplicou, estruturou e vendeu o conceito em uma so tacada.
Mega estrategista, ela criou momentum no meio do festival mais disruptivo do mundo para lançar seu novo produto , dificil se ser copiado pois é construído em layers.
Primeiro è necessário ler o mercado , o inconsciente coletivo e mapear os pontos percebidos.
Possivelmente neste momento AI , como era de se esperar, entra como uma ferramenta de apoio em busca dos melhores conectores .
A sensibilidade metacognitiva humana passa a exercer protagonismo aqui para que tudo se transforme em solucao e nao mais “opiniao” .
Vende-se EUREKAS aplicáveis.
Um reposicionamento de mercado com base na evoluçao das ferramentas disponíveis
A tecnologia sai de pilar, de vertical para algo sistémico e horizontalizado e que sustenta o pensamento estratégico.
Resumindo o que eu vi :
– ela reposicionou seu produto no mercado
– criou um segmento próprio e portanto voltou a ser líder
– aplicou o que a IA tem de melhor: clusterização de tendências
– aplicou o que ela, como estrategista, tem de melhor: curadoria em um tempo de overbook de informação
Arquitetura estratégica do futuro.
Isso é “LANÇAR” e não “LER” as tendências, né?
Amy sendo AMY !