Conexão Austin

Um convite para sair da sua bolha

Entre conquistas e rotina, a provocação de olhar além da própria bolha em conferências

Pedro Kurtz

Diretor de Operações nas Américas na Deezer 12 de março de 2026 - 13h59

Tenho a viva lembrança de ter vinte e poucos anos e desejar um trabalho que me exigisse – e proporcionasse, por que não? – muitas viagens e oportunidades de conhecer pessoas diferentes de mim e daqueles que faziam parte do meu convívio.

Que me fizesse enxergar possibilidades além do meu horizonte e me ajudasse a sempre ter vontade de aprender mais sobre a vida, muito motivado por aquela sede de novidade que se tem nessa idade.

Me lembro claramente do momento em que recebi a notícia de que minha participação em um painel no SxSW tinha sido aprovada pela conferência em 2023. Inesquecível. Em seguida, muitos outros vieram, em países diferentes, e o frio na barriga veio igual, junto com a sensação de dever cumprido.

Nunca vou esquecer a noite em que entrei para a lista de Global Power Players da Billboard e o Elton John apareceu na festa para nos parabenizar e dar uma palavrinha.

Acontece que, por outro lado, depois de pouco mais de uma década de profissão e muitos checks na lista de aspirações profissionais, a gente acaba se acostumando com a rotina que sempre desejou.

Quando vamos a eventos e conferências, sobretudo fora do país, já sabemos em maior ou menor medida quem vamos encontrar, as discussões que vão acontecer, quem vai reclamar da comida do restaurante tal e quem tem o cronograma de cor e ajuda o grupo.

Entramos em painéis de assuntos que, de alguma maneira, sentimos que já discutimos antes e convivemos majoritariamente com as mesmas pessoas que vemos na nossa rotina de trabalho.

Honestamente, não há problema algum nisso. A intenção aqui não é apontar o dedo, tampouco tecer qualquer crítica – eu mesmo tenho poucas pessoas que quase sempre são minhas companheiras de conferências e não abro mão delas.

O que quero trazer aqui é um exercício de autoanálise que venho fazendo desde o ano passado, exatamente porque me incluo nessa conta.

Justamente uma dessas pessoas que me referi ali em cima me provocou no ano passado ao final da primeira edição do SxSW em Londres:

“Por que a gente não vai ver outras coisas além da música?”

Concordei imediatamente, mas confesso que ainda não consegui colocar essa ideia em prática. Agora, a hora dela chegou. Volto aqui em breve, com histórias de fora da minha bolha direto do SxSW, para contar a vocês se valeu a pena. Talvez te inspire a fazer o mesmo, quem sabe.

Até breve!